sábado, 7 de outubro de 2017

mais cansada que luciana gimenez

ontem cheguei em casa tão esgotada com as pessoas do meu trabalho que eu tava com a impressão de ter ficado naquele ambiente por 48h. ultrapassei os meus limites mesmo, foi horrível. parecia que eu tinha entrado num universo paralelo em que o tempo passa de um jeito diferente, porque fiquei com aquelas pessoas por 9 horas mas me cansei como se tivesse sido uma semana.  

só de pensar em voltar pra lá na segunda feira já me dá uma taquicardia. 



* * *

todos os dias eu enfrento dificuldades ao lidar com seres humanos. faz 22 anos que eu interajo com pessoas, todas elas, pensando que eu preferida estar evitando aquele contato. homem, mulher, criança, idoso... não importa. é sempre um momento complicado esse da interação. 

às vezes eu encontro umas almas abençoadas pelo caminho que me dão até vontade de realmente manter contato, mas no geral eu preferia evitar. pena que simplesmente não é possível, uma vez que a gente vive em sociedade. então eu tento me reeducar pra conseguir encarar esses momentos com mais naturalidade, sem ficar pensando "socorro alguém me salva" o tempo todo. mas é muito difícil, porque as pessoas costumam ser completamente tóxicas. ninguém se ajuda, ninguém fala nada positivo, ninguém se preocupa em tornar o clima melhor. tá todo mundo muito autocentrado procurando só o próprio benefício, sem se importar se quem tá em volta tá sendo prejudicado ou não. eu fico doida com essas coisas.

daí quando eu penso que já fiz algum progresso, as pessoas vão lá e tornam tudo muito mais complicado. como se fosse um jogo de video game mesmo. eu demoro 1 semana pra conseguir avançar na fase, pra entender como ela funciona, pra ir me adequando às dificuldades dela e ir driblando os obstáculos. só que quando eu acho que tô preparada pra passar pra próxima eu descubro que o chefão é um bicho 18x mais complicado de vencer do que o da fase anterior. 

pena que na vida real a gente não pode se irritar com o jogo, desistir e tirar o video game da tomada, a gente precisa continuar tentando até o final.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

livrinhos de 2017 - parte III

pra ver o que veio antes, é só clicar: parte I e parte II 😊

* * *

antes de mais nada, queria explicar uma coisa: eu tava com um ~projetinho~ de leitura pra esse trimestre. me inspirei na maratona literária de inverno, do geek freak, pra escolher meus livros. vou resumir a maratona e como eu adaptei isso pra minha realidade, mas quem quiser saber direitinho sobre ela dá uma assistida nesse vídeo aqui que o victor explica bonitinho ;) enfim. o projeto dele é ler o máximo de livros possíveis (de 3 a 9, dependendo do nível do desafio) dentro de um determinado período de tempo (2 semanas), "obedecendo" a certas categorias propostas por ele. pra mim seria absolutamente IMPOSSÍVEL encaixar um negócio desse na minha rotina, porque eu não tenho nem tempo e nem disposição pra isso, mas ficaria me cobrando pra conseguir e no fim das contas ia me frustrar. então surrupiei o projeto do rapaz e utilizei toda a minha licença poética pra expandir o período de duas semanas para três fucking meses. assim todo mundo (eu, no caso) sai feliz 😋

as categorias são: 1) ler um livro com a capa azul 2) ler um livro com menos de 200 páginas 3) ler um livro que você comprou pela capa 4) ler um livro escrito por uma mulher 5) ler um livro sem saber a sinopse, ou do que se trata 6) ler um livro nacional 7) ler um livro que se passe em um período histórico importante 8) ler um livro com pontuação no título 9) ler um livro que é muito criticado ou que alguém não gostou

esclarecido isso, vamos ao que interessa:

JULHO (4 livros)



 A cor púrpura - Alice Walker (1982)
a princípio eu me incomodei MUITO com o livro, porque ele é contado por meio de cartas e quem escreve é uma personagem sem muito estudo, então isso fica marcado na forma como ela se comunica. o que obviamente não é um problema, mas pra mim ficou muito forçado. imagino que no original soe mais natural, mas achei meio ""ruim"" a tradução dos ""erros"" que a personagem comete. tirando isso, que história!!!! terminei o livro apaixonada pelas personagens e pelo desenvolvimento delas <3 não é o livro da minha vida, mas eu gostei bastante! (obrigada pelo presente, fefa!!! <3)

 AvóDezanove e o segredo do soviético - Ondjaki (2008)
ô gente, que delicinha esse livro! <3 é fácil de ler, a história é boa, o personagem principal é maravilhoso (não é nem a avó e nem o soviético, é uma criança!), tem várias referências à cultura de massa brasileira, tem uma coisinha de literatura fantástica, eu li em 2 dias... enfim, é um amorzinho! e é sempre bom lembrar que literatura africana de língua portuguesa é um troço maravilhoso de bom e se você não leu ainda, VAI FAZER ISSO AGORA ;)
(categoria 1 do desafio - um livro de capa azul ✔)

 Crônica de uma morte anunciada - Gabriel García Márquez (1981)
garcía márquez é incrível, simples assim. não que eu tenha me apaixonado pelo livro, inclusive nem me marcou tanto assim, mas ele vale a pena pela maneira como a história é contada. desde o titulo a gente já sabe que vai rolar uma morte, em poucas páginas a gente já sabe quem morreu, quem matou e por que isso aconteceu. mas a graça é descobrir o desenrolar dos fatos a partir dos relatos dispersos que o narrador foi coletando ao longo do tempo. e é curtinho também, só vejo vantagens :)
(categoria 2 do desafio - um livro com menos de 200 páginas ✔)

 O mistério da fábrica de livros - Pedro Bandeira (1988)
tive que ler esse livrinho no ensino fundamental, achei perdido por aqui e lembrei que eu tinha amado descobrir como funciona uma fábrica de livros, daí quis reler. não resisto a literatura infanto-juvenil :) lendo agora eu me espantei em como eu pude gostar de um livro chato desses, que relata o processo desde o corte das árvores até costura das páginas depois de impressas, mas na época eu achei incrível hahaha o livro tá meio desatualizado, já que nos anos 80 ainda se usava máquina de escrever, mas mesmo assim deve ser interessante pras crianças se sentirem mais próximas dos livrinhos, que foi o que aconteceu comigo no alto dos meus 11-12 anos..
(categoria 6 do desafio - um livro nacional ✔)



AGOSTO (5 livros)



 História do novo sobrenome - Elena Ferrante (2012)
olha nois aqui dando continuação à série napolitana da dona ferrante! achei esse livro mais arrastado que o primeiro, mas ainda assim continuei bem envolvida com a história. minha relação com as personagens principais é um misto de "amo você vamo ser migas" com "você é insuportável eu não ia querer você na minha vida jamais". eu fico tão impactada com tudo o que acontece com elas e com quem tá em volta que fico o dia inteiro remoendo os acontecimentos dessa história. não vejo a hora de ler o próximo! (ainda que o primeiro tenha terminado de um jeito bem mais impactante que o segundo, convenhamos)

 Hogwarts: um guia imperfeito e impreciso - J.K. Rowling (2016)
eu reclamo que a J.K. não consegue largar o osso e deixar harry potter terminar de vez, mas eu também não consigo deixar de ler essas coisas que a mulher publica hahaha mais um "livrinho" daqueles que o pottermore publicou com informações extras sobre alguns aspectos da série. esse fala de coisas como a sala comunal da lufa-lufa, o expresso de hogwarts, o mapa do maroto e a câmara secreta, por exemplo. os textos trazem coisas novas e interessantes? sim. eles são suficientes? com certeza não. mas não posso negar que amei estar dentro desse universo de novo :)
(categoria 8 do desafio - um livro com pontuação no título ✔)

 O papel de parede amarelo - Charlotte Perkins Gilman (1892)
eu não peguei pra ler porque esse é "um clássico da literatura feminista", porque na real eu nem sabia disso. eu quis ler porque vi em algum lugar que era um terrorzinho psicológico e tinha bastante gente falando sobre.. esse foi um livro que me exigiu reflexão, digamos assim. a princípio eu não gostei muito do texto, alguma coisa ali tava me incomodando, mas depois de pensar sobre ele, sobre o que ele significava e sobre a construção da narrativa eu passei a enxergar de um jeito diferente. só de saber que foi escrito no século XIX e já retratava tão bem essa questão da mulher silenciada em um relacionamento abusivo já dá pra entender o peso que a história tem!
(categoria 4 do desafio - um livro escrito por uma mulher ) ((eu podia ter escolhido qualquer outro, mas esse teve a vantagem de ser considerado literatura feminista))

 Aventura em Bagdá - Agatha Christie (1951)
eu tinha uma quantidade x de dinheiro pra gastar com um presente de aniversário pra mim, daí escolhi um livro que eu realmente queria e me sobraram alguns dinheirinhos. dentro daquele orçamento, escolhi o que eu achei mais bonito pra complementar a minha estante :P dos quatro livros da agatha que eu li, esse foi o que eu menos gostei. o ritmo dele é bem diferente do que eu tava acostumada, porque não fica focado em descobrir quem foi o assassino da vez, mas mistura um zilhão de personagens diferentes e histórias paralelas que no final se juntam e viram tudo uma coisa só. é bem confuso, às vezes é meio absurdo até demais.. mas pelo lado positivo eu gostei de ler um livro ambientado no oriente, foi o que deu charme ao texto :)
(categoria 3 do desafio - um livro que você comprou pela capa ✔)

 Disgrace - J. M. Coetzee (1999)
gente do céu eu nunca vi um nome tão apropriado pra um livro. acontece tanta desgraça nessa história que eu fiquei sem palavras quando terminei, é pedrada atrás de pedrada do começo ao fim!!! é um livro bom, discute um monte de assunto complicado (tipo relacionamento entre um professor de 50+ anos e uma aluna de 20) e te faz pensar em vez de te dar só a resposta pronta. apesar de ter lido por obrigação e não por vontade própria - é pra uma matéria da faculdade -, foi uma experiência boa. ah, esse eu li em inglês, então o título vai assim também. ;)
(categoria 5 do desafio - um livro sem saber a sinopse, ou do que se trata ✔)


SETEMBRO (5 livros e meio)



 Caetés - Graciliano Ramos (1947)
eu tentei, mas não tive condições de terminar essa leitura. que livro chato da porra! eu dou um desconto pro autor (que eu amo) porque sei que nem todo mundo é abençoado a ponto de já arrasar logo no primeiro romance né, mas não deu pra chegar no final. o livro é arrastado e tem um zilhão de personagens que eu mal consegui decorar o nome de tão aleatórios.. passei da metade e NADA tinha acontecido ainda, daí desisti mesmo porque não sou obrigada hahah

 Sonho de uma noite de verão - William Shakespeare (circa 1590)
aaaa eu nunca pensei que fosse gostar tanto de ler shakespeare! (só um parêntese: sim, gente, tô no quarto ano do curso de letras português/inglês e não tinha lido o homem ainda. e não li no original não porque não sou obrigada!!! bjs) eu já conhecia o enredo, já tinha visto uma peça dessas bem despretensiosas encenando essa história e tal, mas achei tão divertidinho! as coisas que acontecem são um absurdo tão grande que dá até vontade de ler mais, vê se pode? hahaha :D

 Os papéis de Lucas: pequeno inventário de um adolescente - Júlio Emílio Braz (2005)
já tinha lido antes, quando tava na escola, mas já não lembrava mais sobre o que era o livrinho. resolvi reler e foi uma surpresa muito boa, porque por incrível que pareça eu tava num momento bem difícil e algumas passagens do livro acalmaram o meu coraçãozinho ^^ é bem daqueles livrinhos feitos pra ensinar O Jovem a não fazer merda na vida, tipo "não use drogas, não seja escroto, acredite em deus" etc. então não é nenhuma leitura maravilhosa que todo mundo precise ler, mas por ~motivos pessoais~ (hahaha) é um livrinho que eu sei que vou precisar reler no futuro, quando eu precisar colocar minha cabeça no lugar...

 Mayombe - Pepetela (1980)
que livrasso! só pra situar você que tá lendo, o livro conta a história de uns guerrilheiros que lutavam pela independência de angola. só imagina quanta pedrada a gente num leva ao acompanhar a rotina e a realidade desses caras! (e o autor realmente vivenciou isso, veja bem). eu AMEI as personagens, gostei muito das reflexões que elas trouxeram, li sem parar até o final. só fiquei me perguntando se, no mundo real, aquelas pessoas seriam realmente tão cultas e teriam uns diálogos tão com cara de textão do facebook hahaha mas tirando isso só tenho elogios a fazer :) 
(categoria 7 do desafio - um livro que se passe em um período histórico importante ✔)

 Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres - Clarice Lispector (1969)
toda  vez que eu leio clarice é a mesmíssima história: não gosto, mas tem alguma coisa ali que me prende. e esse livro particularmente me encantou um pouco mais, porque me reconheci em diversos aspectos da personagem principal - e eu não me orgulho disso, já que ela é cheia das dificuldades de viver. tirando o conto "a menor mulher do mundo" (que é meu texto preferido dela) e o livro "a hora da estrela", que eu aprendi a amar na faculdade, esse foi a obra que eu mais gostei. 

 O guia do mochileiro das galáxias - Douglas Adams (1979)
genteeee, preciso começar dizendo que: melhor livrinho pra eu fechar o trimestre!! <3 eu já tinha tentado ler uma vez e tinha ODIADO, sério, desisti real porque tava achando uma verdadeira porcaria ^^ mas eu sentia que precisava tentar de novo, todo dia ele me olhava lá da estante e me chamava... até que eu resolvi dar uma segunda chance ao livro e eu ameeei!! acho que antes eu não tava na vibe, só isso explica. achei os personagens absolutamente incríveis, a história é genial e é contada de um jeito muito bom! tá no meu top 3 ficções científicas da vida :D
(categoria 9 do desafio - um livro que é muito criticado ou que alguém não gostou ✔) ((nesse eu meio que roubei porque a pessoa que não gostou no caso fui eu mesma HAHAHAHA))


e os resultados parciais desse trimestre são:

 livros terminados 14 x 1 livro abandonado

 literatura brasileira 4 x 11 literatura estrangeira  (2 dos estados unidos, 2 de angola, 1 da colômbia, 1 da itália, 4 da inglaterra e 1 da áfrica do sul)

 livros lidos no kindle 6 x 9 livros físicos

 autoras mulheres 6 x 9 autores homens

 releituras 3 x 12 livros novos

sábado, 23 de setembro de 2017

aos alunos do colegial: um apelo

já falei em outros posts aqui que eu não era boa em matemática e física (só era esperta o suficiente pra passar com nota satisfatória). mas pra mim é importante ir bem nas aulas, porque estudar é algo que eu gosto e que eu consigo fazer direito. então, pra compensar a falha nas matérias de exatas, eu me agarrei às matérias de língua como se não houvesse o amanhã. já que eu não conseguia entender os conceitos físicos de jeito nenhum, eu me contive em ser a melhor aluna possível em português, inglês e espanhol (apesar de meus conhecimentos em língua espanhola serem graças às músicas do rbd e não exatamente às aulas em si).

isso significa que eu levava as aulas de português a sério – literatura nem tanto, mas gramática e redação eram as minhas matérias do amor. eu estudava, fazia as lições, tirava todas as minhas dúvidas. e obviamente conseguia sempre notas altas, porque eu me dedicava. e assim eu realmente aprendi aquele monte de regra chata.

eis que hoje em dia, no meu quarto ano da faculdade de letras, eu já ganhei alguns dinheiros revisando texto alheio. e por mais que eu precise de gente que escreve mal pra garantir o meu sustento (afinal de contas se você escreve direito cê num vai contratar um revisor), eu imploro: gente, PRESTA ATENÇÃO NAS AULAS!!!!!

eu sei que é chato mesmo e que parece sem sentido estudar a nossa própria língua, mas o nível de conhecimento dos alunos universitários é surreal de tão baixo. e eu não tô falando dos alunos ingressantes, aqueles que acabaram de sair do ensino médio. tô falando dos belezinhas que tão entregando TCC pra se formar no ensino superior mesmo. ou pior, tô falando de quem tá no mestrado e não consegue escrever uma sentença coerente. EM PORTUGUÊS! (não vou nem entrar no mérito do inglês aqui, talvez outra hora eu fale sobre essa questão...)

cara, isso é TÃO sério. é o nosso idioma, é algo que a gente começa a aprender desde antes de nascer (segundo minha professora de psicolinguística, tem estudos que comprovam que o nenê escuta e, mesmo não entendendo o que tá sendo dito, fica habituado ao ritmo da língua que tá escutando <3)! já que a gente já sabe se comunicar, as aulas deveriam servir só pra nos ensinar a aprimorar nossas habilidades, certo? pra gente conseguir organizar as nossas ideias de um jeito mais “bonito”, digamos assim. não era pra ser algo que ninguém entende, que ninguém se importa.

revisar trabalho acadêmico e não conseguir identificar sobre o que a pessoa tá falando é um negócio muito ruim. eu sei o tema do texto, sei o que foi falado antes (afinal de contas eu li tudo o que foi escrito até aquele ponto) e não consigo entender qual é o sujeito de uma oração. simplesmente não dá pra saber sobre quem/o que a pessoa tá falando. o negócio é tão mal escrito, tão mal articulado, que fica absolutamente sem sentido algum. as frases ficam soltas, não tem coesão entre um parágrafo e outro. fica difícil até de corrigir, porque não tem como saber o que era pra estar escrito. bate até um desespero...

então se tem uma coisa que eu deixo de “dica” pra quem tá no ensino médio é LEVA AS AULAS DE PORTUGUÊS A SÉRIO! a redação tem um peso absurdo no vestibular, não adianta nada saber equação do segundo grau se seu texto vai ser tão ruim que cê vai perder sua vaga, né? -_-

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

memória olfativa e seus mistérios

as adversidades da vida acabaram me afastando da minha madrinha, já faz muitos anos que a gente não tem contato uma com a outra. as lembranças que me restam da época em que passamos juntas são bem pontuais, já me esqueci de muita coisa (por exemplo, lembro de estar passando a novela o cravo e a rosa em um dia em que eu estava na casa dela, mas já não sei mais o que fizemos além de ver tv). eu não consigo mais lembrar de quase nada. nem do som da voz dela, nem de como ela estava vestida da última vez em que a gente se viu. nada.

até que esses dias a memória dela voltou nítida pra mim. sem mais nem menos, a imagem da minha madrinha brotou na minha mente assim que uma aluna sentou do meu lado. a princípio eu não entendi. elas não se parecem fisicamente, não têm o mesmo nome, a mulher nem falou nada que pudesse ser relacionado à minha madrinha. mas ainda assim a lembrança dela me atingiu em cheio.

a única coisa que eu consegui pensar foi que o cheiro de cigarro que a aluna exalava devia ser o mesmo da minha madrinha. e eu nem sabia que ela fumava (minha mãe confirmou que sim).

as bifurcações pelo caminho nos fizeram andar pra lugares diferentes (não a culpo por ter se distanciado e nem me culpo por ter aceitado isso tão bem), mas pelo visto ela continua comigo. fiquei feliz de constatar que ainda guardo um pedacinho dela tão presente dentro de mim - mesmo que ele esteja relacionado ao cheiro do cigarro, algo que eu não suporto.

madinha: onde quer que você esteja, espero que esteja bem. <3

quarta-feira, 26 de julho de 2017

eu caí no golpe do instagram

convenhamos que já faz muito tempo que eu tô na internet né, gente (não que fosse tudo mato quando eu cheguei, mas ainda era um lugar relativamente em construção). então me custa um pouco admitir que eu caí no golpe mais ridiculamente detectável de todos os que existem nessa famigerada rede mundial de computadores: o da vida perfeitamente feliz.

não é de hoje que a gente sabe que não dá pra confiar em tudo que a gente vê online, ainda mais no instagram. mas mesmo assim eu me deixei enganar. o twitter tá aí pra gente reclamar da vida, o facebook é um lixão a céu aberto, mas o instagram é uma desgraça!!! porque ali ninguém posta foto feia, ninguém coloca a parte ruim. é só comida gostosa, roupa bonita, role legal, viagem.. 

e que quantidade absurda de viagem, hein? eu fico com a impressão de que sou a única pessoa da história do brasil que tá em casa, absolutamente todas as outras tão viajando e se divertindo e conhecendo um monte de lugar lindo enquanto eu tô presa nessa rotina bosta de trabalho. 

só que a parte bizarra é que EU SEI que a vida de ninguém é assim tão maravilhosa. eu mesma só posto no instagram o que eu considero legal, não coloco foto minha em pé no ônibus às 20h30 chorando de fome. tem foto minha e do boy cheios de amor, tem selfie bonita de quando a autoestima tava alta, tem foto antiga de quando eu tava pagando de gatinha na praia. mas foto minha perdendo mais de uma hora no banco pra resolver um problema com o cartão é claro que não vai ter. a regra implícita do instagram é que ali a gente só expõe a parte boa.

e ainda assim, mesmo tendo plena consciência disso, eu fico mal vendo as fotos. mesmo que o meu próprio feed só tenha a parte bacana. parece que a vida de todo mundo é muito mais legal, muito mais interessante, muito mais divertida. a galera tá dando role na europa, tá conhecendo o brasil, tá indo pra restaurante caro. e eu tô na mesa do trabalho rolando as fotos e curtindo todas (todas mesmo, sou dessas que dá like indiscriminadamente) com aquele sentimento amargo de "não é possível que só eu tenha essa vidinha mais ou menos". 

já diria o ditado: todo mundo vê as pinga que eu bebo, mas não vê os tombo que eu levo. o problema é que, nesse momento, o que eu sinto é que só eu levo tombo. parece que a vida das pessoas só tem a parte da pinga. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

sobre o que realmente importa

eu sou 100% meninas que não conseguem viver o presente e ficam pensando incessantemente sobre o futuro (ansiedade né, que coisa boa), então é óbvio que eu já tenho um milhão de planos - e que eu não tenho necessariamente a pretensão de colocar todos eles em prática, porque sou ansiosa mas não sou tão trouxa assim e já me basta de decepção nessa vida. 

daí que eu separo esses planos em algumas categorias. tipo: "meta de vida", "seria muito legal mesmo se de repente isso acontecesse em algum momento", "farei quando terminar a faculdade", "quero antes dos 30", e coisa e tal.

um dos meus planos pra um futuro de preferência próximo (digamos que a categoria desse seja "o mais rápido possível mas tudo bem se for daqui a alguns anos a vida é assim mesmo") é pegar minha mochilinha, dar a mão pro boy e caçar um cantinho pra chamar de nosso em algum lugar longínquo desse mundão de meu deus. e na verdade nem precisa ser tão longínquo assim, ali no uruguai eu já me dou por satisfeita, mas o plano é que o nosso cantinho se encontre em terras estrangeiras. 

preciso fazer um adendo pra dizer que amo d+ a minha terrinha, então mesmo querendo muito ir morar fora (porque afinal de contas o mundo é muito grande e não tem a menor graça passar a vida inteira no mesmo lugarzinho sendo que tem tanta coisa incrível pra ver por aí) eu pretendo voltar obviamente pois brasilzão véio de guerra melhor país de todos apesar dos apesares etc etc etc.

eis que eu e o digníssimo senhor boy estávamos conversando sobre como seria a nossa vida morando em outro país e começamos a pensar em coisas sérias, tipo como a gente ia fazer pra pagar as contas, que tipo de visto a gente ia precisar pra entrar nesse tal outro país e ficar morando lá ("mas será que já dá pra entrar com visto de trabalho sem ter um trabalho antes???"), esse tipo de coisa. até que a gente se deparou com a maior das nossas agruras e já começamos a pensar em soluções pra superar esse transtorno, mas ainda não sabemos como driblar de vez esse obstáculo.

no momento a nossa maior preocupação é: E O PÃO FRANCÊS? COMO QUE A GENTE VAI VIVER SEM PÃO NA CHAPA DE MANHÃ MEU DEUS DO CÉU ISSO NÃO VAI SER NADA FÁCIL

porque convenhamos que não ter como se manter em outro país é um problema grave, mas não ter aquele pãozinho francês esperto pra matar a fome de manhã é um problema GRAVÍSSIMO!

sábado, 15 de julho de 2017

torta de climão

título alternativo: o dia em que três adultas não deram conta de convencer uma única criança de 5 anos

eu falei no post sobre a nina (melhor pessoinha que esse mundo já viu) que eu dou aula pra ela e pra giovanna, né? só que agora a nina já tá toda independente, não precisa mais de atenção exclusiva, ela senta junto com os outros alunos e eu faço meu trabalho normalmente, só fico do lado dela porque afinal de contas a menina tem 6 anos e ainda precisa de auxílio em alguns momentos.

mas a giovanna ainda tá um tantinho longe de atingir esse mesmo grau de independência. ela ainda senta separada e eu preciso ficar unicamente com ela, porque tem dias que nem no lápis a criança quer pegar direito. mas enfim, não entrarei em muitos detalhes sobre isso porque senão eu fico nervosa hahaha

o fato é que as duas tem aula de terça feira. a gi vem as 16h e a nina vem as 17h. as duas fazem inglês e matemática aqui na escola, mas elas não se encontram. enquanto uma tá no inglês, a outra tá na matemática. só que nessa ultima terça a nina precisou vir mais cedo e ninguém se deu ao trabalho de avisar essa mudança pra nós, professoras do inglês (organização mandou dois beijos!), então as duas chegaram ao mesmo tempo, as 16h.

pra facilitar a vida de todo mundo, falei com a coordenadora pra trocar o horário da matemática da giovanna - a nina já tinha feito, então não tinha como alterar nada dela. a coordenadora concordou e a professora da matemática foi comigo buscar a gi, mas a criança simplesmente se recusou a ir. não queria fazer matemática de jeito nenhum, tinha que ser o inglês primeiro. a mãe dela - que também faz aula - simplesmente se limitou a dizer “ah, ela é assim mesmo, bem sistemática”. e depois fez a pêssega, fingiu que a criança não era filha dela e fez a própria lição bem linda enquanto a menina causava um climão.

já que ela não queria fazer a matemática, a professora se ofereceu pra acompanhar a giovanna no inglês mesmo - assim eu conseguiria corrigir a lição dos outros alunos e a outra professora do inglês não ficaria sobrecarregada (tá difícil de entender como funciona a escola né, eu sei, às vezes nem eu entendo). pois a criança se recusou de novo. tinha que ser inglês primeiro e tinha que ser comigo, não aceitou fazer com a outra professora dela. pra vocês terem uma ideia, nem respondendo mais ela tava. parecia que a criança tinha travado, uma coisa meio piripaque do chaves e tal.

daí a coordenadora da escola tentou intervir conversando com a giovanna, mas não teve jeito de convencer a criança. no fim das contas a gente fez o que ela quis: primeiro a aula de inglês e comigo, sem ninguém pra atrapalhar. e, por incrível que pareça, esse foi o dia em que ela mais produziu. e ainda ganhei um abraço no final da aula. NÃO ENTENDI NADA.

é por causa dessas coisas que eu repenso umas milhões de vezes a minha vontade de ser mãe. se lidar com o filho dos outros já é difícil, imagina com a minha própria cria??? porque a criança alheia a gente devolve pros pais quando a coisa complica, mas a nossa não dá pra mandar embora, né? foda. 

sábado, 8 de julho de 2017

aplicando a técnica da surdez seletiva

eu poderia real abrir uma categoria aqui só pra registrar os diálogos surreais que eu tenho com os meus colegas de trabalho. o pessoal é legal, eu gosto deles, mas pra sobreviver naquela empresa eu preciso abstrair pelo menos uns 70% do conteúdo das conversas senão eu fico louca. é bem naquela vibe "sorri e acena", sabe? não dá, não consigo. fico concordando com a cabeça e de vez em quando dou umas risadas, mas sem realmente ouvir o que tão me falando, porque aquelas pessoas falam cada absurdo que nem parece de verdade.

só pra contextualizar, eu trabalho numa escola num bairro de gente rica. interpretem essa informação como quiserem.

tem uma moça que trabalha comigo (que será chamada mais pra frente de pessoa B) que mora praticamente na esquina da escola, é muito perto mesmo. e ela é a rainha das pérolas, a moça realmente fala umas coisas que eu fico absurdada. daí que a gente tava falando de uma aluna em específico que quer correr com o curso e vive pedindo pra fazer mais e mais lições, mesmo que a gente tente convencer a bonita de que esse não é o melhor jeito de levar os estudos dela etc etc etc. eis que ela foi viajar e levou uma quantidade absurda de tarefas pra fazer nesse período. quando ela voltou pras aulas, disse que não conseguiu fazer tudo (cê jura, linda? pena que ninguém te avisou, né!!!). a moça aproveitou pra abrir o coração e dizer que a vida dela ficou muito corrida na viagem, porque tinha que fazer tudo sozinha e o marido não prestava nem pra ajudar a cuidar das filhas (aquela velha história bem conhecida da gente né, de pai que não faz o mínimo porque a nossa sociedade patriarcal ensinou pra ele que é assim mesmo) e o único momento que ela tinha pra fazer as tarefas era antes de dormir. a maioria das lições foram feitas entre 23h e meia noite. 

eu não vou muito com a cara dessa aluna, mas fiquei sentida com esse desabafo. empatia, né, mores? você vê uma pessoa passando por uma situação complicada e você faz o que? isso mesmo, você se solidariza com ela. a menos que você seja escroto, aí você acha bom que o outro tenha se ferrado. POIS BEM. aí é que vem o diálogo surreal.

pessoa A: gente, e a aluna x, ela não conseguiu mesmo fazer tudo aquilo de lição, né? a gente bem que avisou
eu: nossa, mas ela disse que tava fazendo tudo sozinha nesses tempos, fiquei até mal pelos horários das lições. teve umas que ela fez de madrugada quase!
pessoa B: mas bem feito né, ninguém mandou
eu: tudo bem, ela levou muita coisa, mas a mulher disse que não tinha tempo pra ela, que o marido não fazia nada, nem olhava pras crianças pra ajudar. e ele é o pai, né
pessoa B: é, mas ele trabalha, não tem mesmo que ficar olhando filho
eu: grande bosta, né? como se a mulher não tivesse nada pra fazer da vida dela além de criar as crianças
pessoa B: e empregada, ela não tem não? deu férias pra todo mundo? bem feito

(só um pequeno adendo: a pessoa B tem filhos.)

daí ficou um climão, porque eu olhei pra ela assim 😨, e a pessoa B continuou tentando justificar o que tava dizendo, mas eu basicamente tampei os ouvidos e preferi ignorar o resto da conversa. 

SURREAL ter que escutar da colega de trabalho em pleno 2017 que quem cria é a mãe e o pai tá certíssimo em não fazer porra nenhuma. sem falar da parte da empregada, né? aí eu fiquei sem palavras. que a deusa me dê força pra continuar nessa luta, porque fácil não tá!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

livrinhos de 2017 - parte II

ei, você aí: cê viu quais foram os livros do primeiro trimestre do ano? caso a resposta seja não, clica aqui pra você ficar por dentro das leituras: livrinhos de 2017 - parte I 😉


* * *

ABRIL (4 livros)

 Presente do mar - Anne Morrow Lindbergh (1955)
esse eu li por recomendação de mamãe. aliás, vocês já perceberam que minha mãe vive me recomendando uns livros que eu jamais pegaria pra ler de vontade própria, né? hahaha ela me disse "lê esse aqui, é muito bonito. por mais que você não esteja nessa fase da vida, acho que cê já tem entendimento suficiente pra entender o que ele fala". até aí eu não tava convencida, mas decidi ler quando ela disse que foi um livro importantíssimo na vida dela, que fez uma diferença tremenda na forma dela enxergar certos aspectos da vida. quer me convencer a ler/assistir/ouvir alguma coisa, é só me falar que ele teve um impacto sobre você e eu tô dentro! hahah enfim.. realmente eu não sou o público alvo do livro, mas gostei de ler. você aí, mulher casada e com filhos (e que consiga entender que a autora escreveu isso nos anos 50 e fazer as devidas ressalvas): vai que é tua ;)

 Mayrig - Henri Verneuil (1985)
li pra minha aula de cultura armênia e, por mais que não seja nenhum primor da literatura, é uma história bem emocionante. o autor narra a trajetória da família dele ao chegar na frança, quando ele tinha só quatro anos, fugindo do genocídio armênio. esse é um livro bem importante da literatura armênia da diáspora, o verrneuil mostra de um jeito bem cru (e meio infantil, já que ele narra os acontecimento da infância dele) qual era a realidade dos refugiados em terras estrangeiras. pra quem se interessa em conhecer um pouquinho de outras culturas, fica aí a dica ;)

 A obscena Senhora D - Hilda Hilst (1982)
livro curtinho, menos de cem páginas, que eu li rapidíssimo mas que me causou uma confusão tremenda. cheguei ao final da história sem entender exatamente quem é que narra o livro, achei uma loucura. senti como se eu estivesse lendo clarice: não tô entendendo muita coisa, não sei se quero continuar, mas não consigo parar de ler. alguns trechos me deixaram com vontade de chorar, outros me fizeram dar risada.. terminei querendo abraçar a senhora d, pra ser bem sincera. mas não é um livro pra qualquer um não, já deixo bem claro. foi meu primeiro contato com a obra da hilda e, ainda que eu não tenha amado a leitura, fiquei curiosa pra conhecer um pouquinho mais!

 Vozes de Tchernóbil: a história oral do desastre nuclear - Svetlana Aleksiévitch (2016)
primeiramente: que capa linda essa da edição da companhia das letras, hein? e segundamente: que livrão!!!! eu demorei um pouquinho pra ler e fiquei dias com um desgraçamento na cabeça, pensando no quanto o ser humano é horroroso, mas valeu tanto a pena! nesse livro a autora transcreve os relatos das pessoas que, de alguma forma, fazem parte da história de chernobyl: quem trabalhou pra combater a explosão, quem morava lá perto do reator, quem teve parente que morreu em decorrência do acidente, quem fazia parte da comunidade científica da época, quem foi pra lá fugido de algum outro lugar... enfim, são diversas histórias e perspectivas diferentes e é um jeito bem impactante de descobrir "um outro lado" dessa história, uma versão diferente daquela que a gente aprendeu na escola - o lado humano da coisa. é bem emocionante, mas tem que ter estômago pra ler alguns dos relatos, algumas histórias ali são bem pesadas..


MAIO (5 livros e 1/4)

 Terra sonâmbula - Mia Couto (1992)
tô cursando literatura moçambicana de língua portuguesa na faculdade esse semestre e fiquei bem feliz quando vi que esse livrinho faz parte das obras que serão estudadas, eu realmente tava só esperando uma oportunidade pra ler :D vocês viram que eu fiz algumas ressalvas ao livro de contos do mia couto lá em fevereiro, né? mas os romances dele são uma coisa impressionante, não dá pra não amar. eu gostei muito da leitura, tem umas passagens muito bonitas no livro. vale bastante a pena <3 (mas é daquelas histórias em que o final fica meio em aberto, e eu odeio isso, então se eu tivesse que fazer alguma reclamação sobre o livro seria essa haha)

 O Evangelho segundo Jesus Cristo - José Saramago (1991)
eu tenho a impressão de que alguém me disse que esse era o seu livro preferido do saramago. minha professora de literatura portuguesa do semestre passado, talvez. enfim, fiquei com isso na cabeça e resolvi ler. mas assim... que livro difícil!!!!!!!! a leitura não tava fluindo de jeito nenhum, eu fiquei uma semana pra ler menos de 20%.... daí eu deixei de lado e fui ler outras coisas, porque não queria ficar empacada numa leitura que não tava saindo do lugar. li uns três livros e peguei esse aqui de novo, aí li mais um pouco e desisti de vez. pode ser que num futuro próximo eu pegue de novo, porque acho a premissa do livro bem boa de verdade e tenho esperanças de amar muito no final das contas, mas nesse momento não rolou. ô saramago, pra quê dificultar tanto a minha vida, hein? :~

 Coraline - Neil Gaiman (2002)
vocês tem noção de que esse é um livro pra crianças???????? neil gaiman, larga mão de ser descaralhado das ideias!!!! gente, que medo dessa porra! hahahaha eu nunca tive coragem de ver o filme, porque aqueles botões no lugar dos olhos das pessoas me deixam apavorada, mas sempre tive curiosidade pra saber sobre o que se tratava. daí fui lá na maior inocência pegar o livrinho, que é super curto, e quase morri hahahaha a história é ótima, a coraline é maravilhosa, mas dá medinho real. recomendo, inclusive hahaha

 A vida na porta da geladeira - Alice Kuipers (2007)
o que esse livrinho tem de curto ele tem de triste, sinceramente. quis chorar umas 837x ao longo da leitura, de tão mal que eu me senti. e ainda terminei de ler com cara de besta, porque fiquei esperando o final feliz e ele não veio.. hahah o livro é bem pesado, mas eu gostei da leitura. é escrito por meio de bilhetinhos entre mãe e filha que não conseguem conciliar as duas rotinas e, por isso, quase não se encontram. me deixou com vontade de agarrar a minha mãe e não soltar nunca mais...

 Para educar crianças feministas: um manifesto - Chimamanda Ngozi Adichie (2017)
só tenho 01 única coisa pra falar a respeito desse livro: para o que você tiver fazendo e vai ler! é rapidinho e é bem bom pra fazer pensar sobre o que a gente tá fazendo com as nossas crianças ;)  

 Strawberry Fields Forever - Richard Zimler (2012)
não sei bem o que eu achei desse livro.. hahaha eu achei legal, porque o livro aborda vários temas complicados (depressão, homofobia, morte, xenofobia, suicídio, abuso sexual...), mas talvez justamente por isso é que eu não tenha gostado tanto assim. sabe quando parece que a intenção do autor era simplesmente se utilizar de um monte de assunto importante e pronto? não que as coisas tenham sido mal trabalhadas no livro, mas acho que não precisava de tudo isso. dava pra focar em só alguns desses temas, não era necessário colocar um problema fodido pra cada personagem. é só um romancezinho YA, sabe? mas é um livro bacana, apesar dos apesares hahah


JUNHO (6 livros)

 Guia do herói para vencer dragões mortais - Cressida Cowell (2007)
livro 6 da série "como treinar o seu dragão" (que tem 12 volumes no total). a cada livrinho eu gosto mais ainda dessa história doida e das personagens <3 e pra deixar tudo ainda mais legal, esse aqui se passa dentro de uma biblioteca e o enredo meio que gira em torno de um livro - no caso, o tal do guia do herói pra vencer dragões mortais :D

 Harry Potter e a criança amaldiçoada - Jack Thorne (2016)
PIOR. HISTÓRIA. QUE. EU. JÁ. LI. NA. MINHA. VIDA! ! ! primeiro porque tem cara de fanfic, já que a história "não combina" com o resto da saga. segundo porque tem cara de fanfic RUIM, porque acontece uma sucessão de absurdos inverossímeis que definitivamente não iam aparecer em nenhuma fanfic decente. li até o final porque eu precisava saber como que aquela baboseira ia acabar, mas senti que só perdi tempo de vida. J.K., sério, COMO vc teve a coragem de autorizar um negócio desse?????

 A amiga genial - Elena Ferrante (2011)
ô gente, que livrasso! confesso que só conheci a elena ferrante quando deu aquela polêmica com a mídia expondo quem a autora realmente era etc, mas ainda assim não dei muita bola pros livros dela. "a amiga genial" não é um nome muito convidativo, sinceramente.. mas a capa do livro me convenceu a dar uma chance e eu amei completamente! as protagonistas da história são uma coisa de louco, fiquei apaixonada por esse universo meio fictício meio real e já quero ler os próximos volumes da série pra ontem!

 Ciranda de pedra - Lygia Fagundes Telles (1954)
é o primeiro romance da lygia que eu li, até então eu só tive contato com os contos, e eu gostei muito! esse livro é bem melancólico, tem horas que dá vontade de pegar a protagonista no colo de tão triste, mas é muito bom. e eu achei ousadíssimo pra época em que foi escrito, o que deixa tudo muito mais legal hahaha mas ó, dica séria: deem chances pras autoras brasileiras, tá? sempre vale a pena <3

 O diário da princesa - Meg Cabot (2000)
meninas que nasceram nos anos 90 e nunca tinham lido nenhum livro da meg cabot me add pelo amor da deusa porque eu não posso ser a única!!! hahaha eu só conhecia os filmes da disney e já adorava a princesa mia, mas ler o diarinho dela foi uma experiência bem legal hahaha obviamente tive que fazer vista grossa pra algumas bobagens escritas ali, mas nada muito grave. enfim: michael moscovitz, me liga!!! ;)

 2001: uma odisseia no espaço - Arthur C. Clarke (1968)
que loucura essa história, gente! hahaha eu sou meio burra em física, então tem coisa na ficção científica que me deixa bem confusa, e esse aqui foi um dos livros que eu não consegui entender 100%. mas isso não estragou a minha experiência com a leitura não, gostei bastante e achei incrível o jeito que o livro começa!! agora quero ver o filme pra ver se fica mais fácil hahaha



e os resultados parciais desse trimestre são:

 livros terminados 15 x 1 livro abandonado

 literatura brasileira 2 x 14 literatura estrangeira (3 dos estados unidos, 1 armênio, 1 bielorrusso, 1 de moçambique, 1 de portugal, 1 nigeriano, 5 da inglaterra e 1 da itália) ((digamos que eu ainda esteja deixando bastante a desejar na quantidade de leituras nacionais.....))

 livros lidos no kindle 13 x 3 livros físicos (não tô sendo capaz de levar livro pesado dentro da mochila ultimamente)

 autoras mulheres 9 x 7 autores homens

 releituras 0 x 16 livros novos

quarta-feira, 5 de julho de 2017

nada além do que eu mereço

já faz um bom tempo que eu li as vantagens de ser invisível, um pouquinho antes de estrear o filme, e achei a história bem pesada. tem muito sentimento confuso naquela narrativa, a gente fica com o coração apertado enquanto lê. mas teve uma parte em específico que, pelo que eu andei vendo na época, todo mundo achou triste - menos eu. pra mim, esse é um dos trechos mais poderosos do livro. e eu, felizmente, enxerguei de maneira positiva:

"nós aceitamos o amor que achamos que merecemos"

lembro que cheguei até a conversar com uma amiga sobre isso e ela me disse que chorou real pensando no quanto isso era verdadeiro, como se fosse uma coisa ruim. fiquei mal quando percebi que as pessoas se autodepreciam dessa forma. baixa autoestima "tudo bem", também lido com isso e sei que nem sempre é fácil encarar o espelho e gostar do que vê, mas cresci ouvindo que "eu sou a pessoa mais importante da minha vida e eu tenho que me amar e me valorizar acima de qualquer coisa". e é isso o que eu sigo tentando fazer, por mais que às vezes as coisas se compliquem. 

eu concordo com a frase, também aceito o que eu acho que mereço. só que eu acho que mereço o mundo inteiro. não aceito nada menos do que um amor imenso e lindo e incrível. tenho que me sentir a pessoa mais amada e respeitada da história do universo, senão não tá bom o suficiente. falando assim pode parecer presunçoso demais, ou então pode passar a impressão de que eu quero uma relação "unilateral" em que eu tenho que me sentir superior ao outro. aí é que tá o pulo do gato: é justamente o contrário. eu dou aquilo que eu recebo. se a pessoa que tá comigo me trata como a rainha da porra toda, o tratamento que ela vai receber é absolutamente o mesmo. e por aqui o que eu vivo atualmente é o maior amor do mundo de ambas as partes, é uma relação completamente saudável e que melhora a cada dia.

já aceitei muita migalha nessa vida. agora eu quero a refeição inteira, sem faltar nem uma mordida.  

segunda-feira, 3 de julho de 2017

luz dos olhos


alice tá cada dia mais incrível. no alto dos seus 1 ano e quatro meses de idade, eu fico cada vez mais embasbacada com as coisas que essa menina já faz. esse cotoquinho de gente que precisa ficar na ponta do pé pra mexer nas coisas em cima do rack deixa todo mundo em volta dela de boca aberta e olhinho brilhando.  

é uma delícia acompanhar de perto uma pessoinha dessa se desenvolvendo, a gente fica com um tantinho a mais de esperança nessa humanidade que já tá tão perdida. e a tia postiça fica aqui torcendo de coração pra ela crescer e continuar levantando sem chorar depois de cada tombo. e pra aprender desde sempre a amar esse monte de cachinho doido que ela tem na cabeça! ;)

minha parte preferida é ver que ela já percebeu que o tio babão é o melhor amigo que ela vai ter na vida. aqueles dois juntos é a coisa mais linda do universo todinho, não tem a menor condição. alice se sente absolutamente em casa quando tá no colo dele. e ele só falta se derreter quando vê aqueles olhinhos apertados e os dentinhos pontudos enquanto ela sorri.  

ouso dizer que essa criança veio pra terra com uma missão muito séria pra cumprir - e, ao meu ver, já tá dando conta do recado. <3 

sábado, 20 de maio de 2017

faculdade é um lugar doido demais, bicho

ainda na vibe do post anterior, sobre não saber lidar direito com outros seres humanos, mês passado tava especialmente difícil pra mim. por alguma razão inexplicável, todos os meus conhecidos da faculdade cismaram que a gente era tipo MUITO amigo. mas amigo mesmo, daqueles de parar pra conversar e não se desgrudar mais. mas assim... eu não sei conversar sobre trivialidades com quem eu não tenho intimidade.

quer dizer, é claro que eu sei, né. cresci em prédio, o que a gente mais faz é puxar assunto tosco dentro do elevador porque não aguenta ficar 1 minuto em silêncio na presença de outra pessoa... mas enfim. o que eu quero dizer é que eu não gosto disso. eu cruzo com os conhecidos pelos corredores, dou um oizinho com aquele aceno de cabeça esperto (jout jout falou sobre isso aqui) e sigo em frente. às vezes até desvio o meu caminho pra não precisar cumprimentar, confesso. mas nesses tempos a galera tava fazendo questão de me parar, dar beijo no rosto, conversar, andar do meu lado até eu chegar no meu destino e ficar querendo sair mas a pessoa não para de falar (sabe?)... tava foda.

aí tem esses 3 conhecidos em especial que me deixaram confusa, me perguntando em que momento os nossos "oi!" no corredor se transformaram em amizade verdadeira e sincera (provavelmente nunca, mas eu gosto deles mesmo assim).

tem um cara que eu sei lá quando foi a primeira vez que conversei com ele, também não sei qual amigo em comum que nos apresentou, eu só sei que um dia ele cruzou meu caminho e a gente começou a conversar. mas ele é muito inteligente e fica falando sobre coisas sérias, tipo iniciação científica e mestrado e projeções para o futuro, e eu só fico lá com cara de paisagem sorrindo e deixando ele falar. eu gosto do moço, mas não sei interagir. enquanto ele quer ser o próximo noam chomsky, eu só quero me formar e me livrar daquela faculdade horrorosa. os papos não batem. só rola um assunto legal mesmo quando a gente fala mal da professora, aí sim dá pra conversar sem me sentir imprópria :) às vezes eu passo por ele e finjo que não vi pra evitar a fadiga, mas ele é tão 10 que já me fez até favor. moço, desculpa por nunca responder direito quando cê fala sobre o meio acadêmico, é que eu realmente não tenho condições!

também tem essa menina que apareceu na minha vida por meio de amigos em comum que dessa vez eu sei quais são hahaha ela é ótima, temos aulas juntas, dou bastante risada quando a gente conversa e tal mas nós definitivamente não somos amigas. somos colegas de sala e olhe lá, sabe? aí fica aquela coisa, a moça me mostra vídeo que eu acho sem graça e eu tenho que rir por educação, porque não tenho intimidade pra falar "miga, que bosta!". é uó. ela escreve no meu caderno no meio da aula e eu fico tipo "meu deus do céu qq tá rolando aqui quando que eu te dei essa intimidade socorro tô perdida" hahahaha ela é meio cansativa, mas apesar disso é ótima também. miga, eu não sei lidar muito bem com você num geral porque às vezes acho que cê pesa a mão numa amizade que meio que não existe. mas pode ser que um dia ela venha a existir com certeza, se não existe ainda é porque eu demoro pra me deixar cativar, me perdoa!!!!

e por último tem esse ser humaninho que antes eu odiava, tinha birra mesmo, e agora a gente é tipo super best (mas como já é de se imaginar a relação é unilateral, eu sou a melhor amiga da pessoa mas meio que não abro a boca, tô ali só pra escutar e acenar). eu não sei em que momento essa amizade ~se consolidou~, olho pra trás e não consigo entender como fui deixar isso acontecer, mas agora não tem mais volta. não tenho como fugir, só me resta aceitar. sei tudo da vida da pessoa, é impressionante! mas às vezes eu desconfio que nem meu nome ela sabe, de tanto que a coisa é absurda hahaha mas enfim, dá pra me divertir nos momentos em que a gente se junta, então tá tudo bem também :)

e é isso. precisei abrir meu coração. não que algum leitor daqui tenha algo a ver com isso, eu só precisava desabafar mesmo.

e eu sei que o problema tá em mim que sou antissocial e não consigo interagir tranquilamente como uma pessoa normal, mas é o que temos pra hoje: desespero e falta de tato. ^^

terça-feira, 9 de maio de 2017

17 e 18. fazendo amigos no transporte público

não me sinto confortável conversando com gente desconhecida. pra mim é um sofrimento real ter que interagir com quem eu não conheço. fico sem saber o que fazer, o que falar, enfim. acho uó, de verdade. mas aparentemente tem algo na minha cara que faz com que toda e qualquer pessoa que passe pelo meu caminho puxe assunto comigo. não consigo entender o que rola, mas parece que eu tenho um ímã que realmente atrai as pessoas. apesar de andar na rua fazendo ~cara de poucos amigos~, bem fechada mesmo, pra tentar evitar ao máximo que os outros se aproximem (#meujeitinho), a galera continua me pegando pra cristo e vindo conversar.

daí que eu fiz "amigos" no ônibus esses dias.

eu tava de boinhas sendo meu livro até que sentou um adolescente do meu lado. a mãe dele tava junto e ficou em pé. falei pra moça que eu ia levantar pra ela sentar, porque tinha outro banco vazio e era só eu mudar de lugar. ela disse que não precisava, que não queria sentar. tentei voltar a ler o livro, mas o menino me ofereceu uma bisnaguinha pra comer. quis dar risada pelo absurdo da situação, mas só agradeci e voltei pra minha leitura. aí a mãe dele perguntou se eu podia abrir a janela, apesar de estar chovendo. ela fez uma piadinha sobre a água, eu dei risada por educação e desisti de voltar à leitura, porque percebi que aqueles dois não iam me deixar quietinha no meu canto.

guardei meu kindle na mochila e fui limpar meu óculos, porque as lentes estavam cheias de pinguinhos d'água (tomei chuva antes de chegar no ponto de ônibus). aí a mãe do menino começou a puxar assunto comigo - eu demorei pra perceber que era comigo, ignorei as primeiras duas frases da mulher - e contou que precisava fazer exame de vista, que o pai dela usava óculos e deveria ser hereditário. eu sorri, disse apenas "é, faz sim.." e acenei. ela continuou falando. daí o menino finalmente entrou na conversa e, desde então, não ficou quieto nem por um segundo.

primeiro ele me perguntou como eu fazia pra assistir a filmes 3d no cinema, já que uso óculos. depois, não sei como, o assunto mudou totalmente e ele me contou o dia dele inteirinho na escola. falou onde estuda, em qual série ele tá, qual matéria ele gosta, o que ele tinha comido no lanche... eu não sabia o que responder, só fiquei dando risada mesmo. primeiro porque rir é o que eu faço quando fico sem reação, segundo porque achei mesmo tão bizarro ele me falar tudo aquilo sem eu perguntar que dar risada foi meio natural. depois ele me contou onde mora, quantos ônibus pega pra chegar em casa, disse que tem um fluxo de funk na rua da casa dele de fim de semana que faz o ônibus mudar de rota e isso atrapalha o bairro todo... enfim. foram 30 minutos de ladainha. às vezes eu encorajava o menino a continuar, porque não dava mais pra fugir, às vezes eu me desligava da conversa e perdia uns dois minutos de fala. e assim fomos da hora em que eles entraram no ônibus até o ponto final, onde nós todos descemos.

eu não suporto conversar com quem eu não conheço no transporte público, mas também não consegui cortar o papo do menino e da mãe dele. os dois eram tão simpáticos que eu não pude evitar.

se eu preferia ter ficado quietinha lendo meu livro? definitivamente. se eu gosto de pensar na possibilidade de encontrar os dois de novo e retomar essa conversa? jamais. mas não foi de todo ruim. deu pra ver que eles ficaram felizes de encontrar um ouvido disposto a escutar tudo o que eles tinham pra dizer, ainda que não fossem lá grandes coisas.

vai ver a minha cara de poucos amigos não é tão eficiente quanto eu pensei que fosse...

sexta-feira, 21 de abril de 2017

"já que tá todo mundo fazendo..." ¯\_(ツ)_/¯

como eu sou meio contra esse tipo de coisa no meu* facebook, me recuso a postar isso lá. mas é aquela velha história, né: nois tem blog em pleno ano de 2017 pra passar vergonha mesmo, não tem outro jeito. então é óbvio que vai ter correntinha da  moda por aqui, né? 

* no seu cê faz o que cê quiser, inclusive postar corrente todo dia se isso te fizer feliz ;)

são 9 verdades e 3 mentirinhas, vamos lá:

1) ganhei meu primeiro celular com 8 anos

2) me perdi no beto carrero quando eu tinha 3 anos e fiquei 1 hora sumida pelo parque

3) expliquei pra uma canadense dentro do mercado que o brasil fica na américa do sul e não na europa

4) no ensino fundamental, quase rompi os ligamentos do dedão quando uma amiga sentou em cima da minha mãozinha

5) amo andar de chinelo na rua, acho super confortável

6) passei de primeira na prova prática da auto escola mas não dirijo nem por um decreto, tenho pavor de pegar no volante

7) já encarnei a pequena sereia e a princesa do conto de fadas da princesa e a ervilha em 2 feiras culturais diferentes

8) eu era ótima em geografia, sempre tirava notas boas sem muito esforço

9) sou tão medrosa que, quando pequena, assisti a um episódio específico do desenho do scooby doo e fiquei traumatizada por vários dias por causa do monstro

10) tirei os quatro dentes do siso de uma única vez e o processo todo não durou nem uma hora

11) já quis alargar a orelha, fechar os braços com tatuagem e colocar piercing no lábio

12) só consigo beber água na garrafinha, tenho agonia de beber no copo


talvez nem minha mãe acerte todas as mentiras, fica aí o desafio ^^ (e eu nem tô esperando que alguém comente com a resposta, pra ser bem sincera. tô só lançando a curiosidade no ar e soltando algumas infos sobre a minha pessoinha de forma misteriosa mesmo.)

quinta-feira, 13 de abril de 2017

é hora de jogar o lixo fora de uma vez por todas

vamos aproveitar o momento pra falar sobre relacionamento abusivo aqui nesse canal bloguinho, migas? ;)

pra começo de conversa, é sempre bom lembrar e deixar bem claro que violência contra a mulher não é só física. não é só soco na cara e estupro num beco escuro. você, boyzinho que compartilha nude com os brother sem o consentimento da menina, tem tanta culpa no cartório quanto qualquer outro. você que segura a menina pelo braço na balada quando ela fala que não tá afim de te beijar e só solta depois que ela ~prova que tem namorado~ também tá sendo violento. e você que fica falando por aí que a sua ex era louca, descontrolada e espalha um monte de bobagem sobre a menina? pois é, meu bem: violento também. e o marido que controla o cartão de crédito da esposa e joga na cara dela que quem coloca comida na mesa é ele, então ela não tem nem que opinar? desse aí eu não preciso nem falar, né? 


isso estando esclarecido, podemos seguir em frente.

* * *

o meu antigo relacionamento durou mais de dois anos e meio. nós eramos adolescentes, ainda estávamos na escola, então era muito diferente do que é agora. nenhum de nós tinha muita noção do que era a vida real, a gente ainda dependia dos nossos pais pra praticamente tudo... era um namorinho de escola, mas pra mim era a coisa mais essencial do mundo. na minha cabeça, ele era o que eu tinha de mais importante. e o verbo é esse mesmo, ter. a gente se achava dono um do outro, era sentimento de posse de verdade, uma coisa bem problemática.

como já dá pra perceber, o relacionamento era abusivo. mas não tinha nada de físico não. ele não era violento, não me xingava, não gritava comigo, não me forçava a nada... enfim, não tinha nada visível aos olhos dos outros - e nem aos meus, pra ser bem sincera. na época eu acreditava que aquilo era normal, que era a única forma possível pra um namoro acontecer. porque essa era a minha única realidade e eu não tinha uma referência pra me pautar, então pra mim era daquele jeito que as coisas eram e pronto. eu achava normal que a gente controlasse o que o outro fazia. eu achava normal que ele quisesse me impedir de ter certos amigos, porque tinha ciúmes. assim como eu achava normal falar pra ele que não era pra ele conversar com tal pessoa simplesmente porque eu não queria que ele fizesse aquilo. eu também achava normal que ele me pedisse permissão pra fazer algumas coisas, ou pelo menos me avisasse com uma semana de antecedência antes de ir em algum lugar, ou de cortar o cabelo, ou de comprar uma roupa. e, obviamente, pra mim também era normal fazer esse tipo de coisa. 

a gente brigava tanto, mas tanto, que teve uma época que a gente praticamente só se falava pra arrumar confusão mesmo. eu lembro de um dia em específico que a gente tava brigando pelo telefone por causa de ciúmes e eu tava sentada na minha escrivaninha, chorando e falando um monte de coisa, até que eu me olhei no espelho e pensei "o que é que eu tô fazendo da minha vida?". aí eu comecei a perceber que devia ter algo errado no nosso relacionamento, não era possível que namorar era um troço tão sufocante daquele jeito. também não era possível que meu namorado ficasse ofendido e irritadíssimo se eu tirasse notas mais altas que ele. "o professor só te deu nota mais alta que a minha porque você é menina e ele quer te agradar", ele disse uma vez. e eu cheguei quase a concordar, mas fiquei com aquela pulga atrás da orelha. "ué, o que tem a ver uma coisa com a outra? tá ficando doido, rapaz? tirei nota alta porque acertei tudo, pronto e cabô". mas não comprei essa briga não, a gente já brigava demais por causa dos amigos que eu insistia em ter mesmo que ele falasse que não era pra eu falar com essas pessoas...

daí eu cheguei no meu limite e nosso namoro terminou. não brigamos na hora do término, nós dois sabíamos que aquela era a melhor das escolhas, mas mesmo assim não foi fácil. foi difícil pra caralho. a gente tava tão dependente um do outro que parecia um absurdo não estarmos mais juntos, não estarmos mais controlando os passos um do outro. tanto é que mesmo separados, mesmo que ele já estivesse com outra menina, ele ainda vinha dar pitaco na minha vida e reclamar de quem eu beijava ou deixava de beijar. olha, não tá escrito o tanto que eu me ofendi quando o rapaz veio falar "você disse que nunca ficaria com ele quando eu disse que tava com ciúmes e agora você ficou, eu não acredito que você fez isso, você tá muito mudada". a gente já tinha terminado há meses, ele tava em outro relacionamento e ainda se sentia no direito de opinar sobre coisas que não tinham nada a ver com ninguém além de mim. isso porque a gente passou muito tempo acreditando que tínhamos o controle sobre a vida um do outro. mas ali eu já sabia que a coisa não era bem assim. e que, por sinal, um relacionamento saudável devia ser bem diferente daquilo.

aí nós paramos de conversar de vez porque já não tinha mais como sustentar aquela relação esquisita. depois de um tempão, no ano seguinte, eu comecei a me relacionar com o meu namorado atual. e vocês não fazem ideia do quanto eu penei pra deixar pra trás todos os maus hábitos do relacionamento passado...

eu sofri muito até entender que a gente não era dono um do outro, que a gente só namorava. pra mim era um absurdo que ele saísse e só me avisasse depois, sem me contar com antecedência o que ia fazer e por que ia fazer. eu queria narrar todos os meus passos pra ele, mas ele não sentia necessidade de ficar me falando tudo que tava fazendo. aliás, outra coisa que eu fazia no começo era querer saber tudo que ele tava pensando, porque com o meu ex era assim. até que ele me disse "acho que não tem necessidade disso, né? o que tá dentro da nossa cabeça é problema nosso, não é de mais ninguém". aquilo foi um balde de água fria tão grande bem no meio da minha cara que me deu até vergonha. eu acreditava que meu namoro era saudável, e era mesmo, mas eu ainda tava toda contaminada com os erros de antes. e demorei muito pra conseguir me livrar de todo aquele lixo psicológico que tava impregnado em mim. sendo bem sincera, ainda hoje eu me pego tentada a fazer/falar certas coisas que tão longe de fazer parte de um namoro saudável. mas a gente segue firme e forte na caminhada rumo à desconstrução, ainda que ela seja bem dolorosa.

e eu disse tudo isso pra falar que abuso psicológico é um troço muito doido e muito perigoso também. a gente não percebe, porque não deixa mancha roxa pelo corpo, mas é um negócio que te suga aos poucos pra dentro de um buraco sem fim. e quando cê chega lá embaixo, no fundo mesmo, cê acha que nunca vai conseguir sair. eu sentia um ciúmes desgraçado do meu namorado atual, sem motivo algum, só porque eu tava acostumada com isso. e ficava indignada por ele não brigar comigo quando eu conversava com algum menino que ele não conhecia. achava que ele não gostava de mim o suficiente pra se importar. é muito louco isso, né? enxergar o ciúmes como algo nocivo e não como algo bom foi um processo bem lento por aqui. precisei conversar muito com o meu namorado pra conseguir assimilar que amor e sentimento de posse são coisas absolutamente distintas. e, pra minha sorte, ele me ajudou absurdos nessa questão (e em tantas, tantas, taaantas outras).

hoje eu olho pra trás e vejo o tanto que eu mudei e cresci desde o meu relacionamento anterior. na época eu sabia que era ruim, mas acreditava que era daquele jeito que tinha que ser. ouvi muitas vezes das pessoas ao nosso redor que do jeito que eu era chata, só o meu ex mesmo poderia me aguentar. talvez isso tenha me influenciado a insistir no erro por tanto tempo... e o mais bizarro foi a reação das pessoas quando nós terminamos. elas diziam que nós eramos um casal perfeito, que não fazia sentido o namoro ter terminado. mas o relacionamento já tava horrível, desgastado, asfixiante. doía só de pensar. mas como os abusos (de ambos os lados) eram só psicológicos e não físicos, ninguém conseguia ver o quanto aquilo fazia mal pra gente.

se eu que não tenho nenhum trauma sério terminei de escrever isso aqui chorando e com uma dor de cabeça absurda, não quero nem pensar em como meninas que sofreram muito mais do que eu se sentem em relembrar e remexer nesse tipo de relacionamento... mas é importante que a gente faça isso. seja pra ilustrar a realidade das mulheres, seja pra ajudar alguém a enxergar a situação pela qual ela tá passando, ou seja só pra jogar fora esse lixo que a gente ainda guarda aqui dentro. dói bastante, mas no fim das contas faz bem.

que nós mulheres tenhamos cada vez mais força e mais apoio umas das outras pra sairmos desses relacionamentos problemáticos e conseguirmos seguir em frente com as nossas vidas de forma saudável. ESTAMOS JUNTAS! ♀

#euviviumrelacionamentoabusivo
#mexeucomuma #mexeucomtodas

quarta-feira, 12 de abril de 2017

desafio da vez: escrita e narrativa

é com muito orgulho e com um alívio tremendo que eu digo que: cheguei no meu quarto ano de graduação! (pro meu azar o meu curso dura cinco, mas gosto de ver pelo lado positivo e pensar que, finalmente, estou chegando ao fim dessa trajetória interminável.)

uma das coisas que mais me incomodavam no curso é que nós não temos nenhuma matéria de escrita. ok, eu entendo a vibe da minha faculdade, entendo que eles tão interessados em formar pesquisadores e não escritores, mas sempre achei que essa "não importância" era meio preocupante. e quando eu digo que faltam matérias de escrita eu não digo de escrita criativa, pra criar história de ficção. tô falando de redação mesmo. de novo, eu entendo o porquê de não existir essa matéria na grade obrigatória do curso, mas ainda assim acho bem ruim que profissionais de letras, que vão trabalhar diretamente com o texto escrito, passem cinco anos sem isso. MAS OK, SEGUE O BAILE, SAÍ DO ASSUNTO, O POST NEM É SOBRE ISSO.

eis que, ao me inscrever nas matérias pra esse semestre, eu descobri a existência de uma disciplina chamada escrita e narrativa em inglês, que faz parte da grade de optativas livres da minha habilitação. eu não pensei duas vezes: me inscrevi na hora! o sistema me agraciou com a vaga nessa turma e cá estamos nós cursando a disciplina.

antes de mais nada é preciso dizer que: o inglês, apesar de ser uma das habilitações mais concorridas e com o maior número de vagas na letras, é também uma das que tem mais problemas com falta de professores. ou seja, não há professor suficiente. então, consequentemente, nem todo semestre abrem todas as matérias pra gente cursar. sendo assim, essa é a primeira vez em uns cinco ou seis anos que essa matéria tá sendo dada. o que significa que eu me matriculei absolutamente no escuro, sem fazer a menor ideia do que ia encontrar ali. e como já era de se esperar eu fui um tantinho ingênua... (quando não, né, mores? ¯\_(ツ)_/¯)

o professor é novinho, todo ~descolado, deu até um curso de extensão sobre fanfic há um tempinho. e o conteúdo da aula também é um amorzinho, a gente basicamente estuda como se deve construir uma narrativa. personagens, ambientação, diálogos, etc etc etc. tudo bem legal. o problema mesmo tá no método de avaliação. a gente vai ter que escrever um conto de ficção em inglês de no mínimo duas mil palavras. e é isso. SIM, serei avaliada e ganharei uma nota de 0 a 10 em cima de um conto de ficção escrito em inglês HAHAHAHAH deus me ajude!

antes que alguém fale alguma coisa: eu sei que isso não é um problema de verdade. já tive muita matéria com método de avaliação horroroso (tipo fazer 20 páginas de análise filológica sobre um documento escrito a mão do século 16), mas não é muita responsabilidade deixar a nota do semestre todinho só nisso??? gente, eu já tô apavorada. eu gosto de escrever, vivo inventando história na minha cabeça, já tenho a minha história definida pra escrever o conto, mas ainda assim não me sinto boa o suficiente pra isso. até porque eu nem sei qual exatamente vai ser o critério do professor, né? acho difícil, mas já pensou se o cara for avaliar simplesmente de acordo com o que ele gostou ou não? "ah, bem legal sua história mas achei essa personagem aqui meio chata, nota 7.5 pra vc"???? aí fodeu.

mas de qualquer forma acho que vai ser uma experiência divertida. a versão final só vai ser entregue pro professor lá em junho, então tenho bastante tempo pra trabalhar no texto e conseguir criar algo legal o suficiente pra tirar uma nota decente. caso a minha short story seja realmente bacana, pode ser que eu dê um jeito de divulgar por aí nesse mundinho das internets. 😉

sábado, 8 de abril de 2017

16. "sabia que eu sou tagarela?"

uma das minhas funções no estágio novo é acompanhar duas menininhas pequenas, separadamente, enquanto elas fazem as tarefas de inglês. a gi tem 5 aninhos e é descendente de japoneses, a nina tem 6 e é descendente de coreanos. por mais que a japonesinha seja uma graça, a coreana é apenas o amor da minha vida e a salvação da minha semana. essa menina é um absurdo de tão maravilhosa.

no nosso primeiro dia juntas ela já começou me avisando que não parava de falar. sendo ela uma criança muito sábia, tinha consciência de que já era melhor me avisar logo no começo que ela era tagarela mesmo e eu não podia fazer nada a respeito, apenas aceitar a vida como ela é. e a menina realmente não para de falar nem por um segundo, é impressionante. às vezes fico meio agoniada, porque vai dando a hora do pai dela chegar pra buscar os filhos e ela ainda não terminou as lições, mas nada que um "nina, seu pai vai chegar daqui a cinco minutos!" não resolva ;)

o tanto de risada que eu dou com essa criança não tá escrito! aliás, ela mesma já fala rindo porque sabe que é engraçada, por mais que às vezes eu tente manter a compostura pra ver se com a minha cara de séria ela se convence a parar de graça e voltar a fazer os exercícios. spoiler: nem sempre funciona.  ¯\_(ツ)_/¯

dia desses, enquanto ela fazia as lições em classe, eu tava corrigindo as lições de casa que ela trouxe. de repente senti que tinha algo diferente no ar. quando levantei os olhos do papel, dei de cara com ela a pouquíssimos centímetros de mim, segurando o riso, só esperando eu perceber que ela estava ali. é claro que eu me assustei quando vi e a doida desatou a gargalhar, como se aquela fosse a coisa mais engraçada do mundo. e naquele momento foi mesmo. deu vontade de roubar essa criança pra mim e não devolver nunca mais <3

é incrível o quanto a gente se apega rápido quando a criança é cativante, né? parece que a gente se conhece há tempos, de tanto que eu gosto dela. são cinquenta minutos juntas ensinando, aprendendo e rindo sem parar. é muito mais do que só o inglês. ela me pergunta o significado das palavras que não conhece (esses dias ensinei pra ela o que era uma empadinha e o que significava chamar uma pessoa de abelhuda) e ela me ensina como fala algumas coisas em coreano. eu obviamente não aprendo nada, mas ela se convence de que é uma ótima professora mesmo assim. aliás, a criatividade da menina é tanta que ela me ensinou como se desenha um porquinho sem usar nem lápis nem papel, só descrevendo quais os traços se deve fazer pro porco aparecer. achei genial, porque eu realmente consegui visualizar um porquinho na minha cabeça hahaha

às vezes eu me arrependo um tantinho por ter aceitado esse estágio de auxiliar de professora, é cansativo pra caramba passar a tarde inteirinha corrigindo lição e tirando umas dúvidas absurdas dos alunos que na maioria dos casos nem queriam estar ali. mas aí eu lembro que se não tivesse começado a trabalhar ali eu provavelmente jamais teria conhecido essa pequena maravilhosa e fico mais aliviada. nem sempre eu tô motivada a ir pro trabalho feliz, mas pelo menos de terça e quinta eu tenho um gás a mais, porque sei que a nina vai estar lá pra me proporcionar os melhores momentos da semana.

ela não faz a menor ideia disso, mas sempre que pega na minha mão ou me conta alguma coisa aleatória sobre o dia dela na escola o meu coração fica quentinho, quentinho. :)

sexta-feira, 31 de março de 2017

livrinhos de 2017 - parte I

JANEIRO (3 livros)
 Como mudar uma história de dragão - Cressida Cowell (2007)
melhor livrinho possível pra eu ~abrir os trabalhos~ de 2017! :D eu me dei uns bons 10 dias de folga de leitura entre o último livro que li no ano passado e esse aqui, porque tava querendo descansar a cabeça antes de entrar de novo das leituras, e resolvi começar o ano com algum livro tranquilo e gostosinho, que não me desse muito trabalho. ritmo de férias, né? bom, esse aqui é o quinto livro da série como treinar seu dragão e é facilmente o meu preferido até agora! a história é absurdamente legal, sério, gostei tanto que convenci meu namorado a ler também hahaha que delicinha de livro!!! :)

 As boas mulheres da China - Xinran (2002)
em oposição ao livrinho feliz de antes, esse aqui é tipo uma enxurrada de soco no estômago. o livro traz uma série de relatos sobre diferentes mulheres chinesas e mostra uma realidade tão crua e pesada que, às vezes, eu sentia dificuldade de acreditar que aquilo pudesse ser real. apesar de ser uma leitura muito difícil (cheguei a sentir dor de cabeça em algumas histórias) e de ter uma temática tão complicada, achei que o trabalho dessa autora/jornalista foi muito bonito - ela deu voz a essas mulheres silenciadas e negligenciadas por aquela sociedade machista que enxerga mulher como objeto sexual e moeda de troca. é uma leitura absolutamente necessária, recomendo forte!! ♀

 Anarquistas, graças a Deus - Zélia Gattai (1979)
confesso que peguei esse livro pra ler por causa do nome. não sabia muito o que ia encontrar ali, nem conhecia a zélia, mas sabia que era um livro sobre as memórias da família dela. no início eu tava achando chato e sem graça, não tava vendo muito sentido em continuar a leitura, mas fui me apegando àquelas personagens e à história delas. no fim das contas eu gostei. não é nenhuma leitura incrível não, mas achei que foi um jeito divertido de vivenciar são paulo nas primeiras décadas do século XX. sem contar que a história é narrada do ponto de vista da autora enquanto criança, o que deixa tudo muito mais legal :)



FEVEREIRO (4 livros)
 Fangirl - Rainbow Rowell (2013)
ESSE LIVRO PITA QUE PARIU EU TÔ SEM PALAVRAS!!!!! (tô escrevendo isso aqui imediatamente depois de terminar de ler e tô MUITO empolgada, sério mesmo) fazia muito tempo que eu não pegava um livrinho assim, sem nenhuma pretensão, e me envolvia tanto com a história! eu gostei muito do enredo e tô completamente apaixonada pelas personagens, queria muito mesmo que elas fossem reais. sério, eu queria muito ser amiga dessas pessoas!!!!! hahahha e o romance que tem aí no meio, afffff que coisa linda!! o livro é super leve, tem uma temática incrível, mas também consegue tratar de temas pesados sem perder a leveza. ai, nem sei explicar, só sei que amei completamente e deixo a recomendação do fundo da alma 💝💝 (ok, agora que a empolgação passou voltei pra falar que: o livro é uma delícia sim, mas 1) é romance YA e 2) se você não se identificar com a situação da personagem principal talvez cê não entenda a vibe da história hahaha)

 Estórias abensonhadas - Mia Couto (1994)
essa é uma coletânea de contos. eu não sou das maiores fãs desses livros, então demorei quase o mês todo pra terminar (tenho preguiça de ler vários contos seguidos), mas o mia couto merece um lugarzinho especial no coração da gente porque esse homem é um baita autor! a prosa dele é absurdamente poética, ele usa bastante neologismo pra falar de sentimento, então cê tem que se deixar levar em alguns momentos pra conseguir entrar na narrativa. realmente não é dos meus livros preferidos porque eu não curto muito esse formato, mas se cada um dos contos fosse um romance eu com certeza amaria uma boa parte deles <3 hahaha  

 Os 13 porquês - Jay Asher (2007)
li por indicação de uma amiga (fefa melhor pessoa da minha vida <3) e gostei muito! o livro conta uma história pesada, fala sobre suicídio, mas a estrutura narrativa é super diferente de tudo que eu já tinha lido e eu achei incrível ver a história sendo contada dessa forma. a gente tem 2 pontos de vista na narrativa e uma coisa complementa a outra, é bem ~interessante~ mesmo. e como é aquele tipo de narrativa que vai revelando as informações aos poucos, dá vontade de ler tudo sem parar pra descobrir de uma vez como as coisas aconteceram! AH, vai lançar uma série da netflix inspirada nesse livro ^^ (ou já lançou, não sei direito hahah)

 Persépolis - Marjane Satrapi (2000)
eu tenho uma certa dificuldade com qualquer história em quadrinhos que não seja da turma da mônica (real oficial), então fiquei meio apreensiva antes de começar. mas é impossível não gostar desse livro, eu acho. a história é muito boa, o jeito como ela é contada também é super legal, dá vontade mesmo de continuar lendo sem parar. ainda acho que se fosse em formato de prosa eu obviamente gostaria muito mais, mas ainda assim foi uma leitura bem bacana! ah, minha edição é aquela completa da companhia das letras, com os 4 volumes dos quadrinhos em um só ;)



MARÇO (4 livros e meio)
 Quatro estações - Stephen King (1982)
por muito tempo eu pensei que nunca fosse conseguir ler um livro desse cara, por mais que eu tivesse muita vontade. isso porque eu tenho um pavor absoluto só de pensar em ler histórias de terror, então só de ver a capa das coisas que ele escreve eu já fico meio apavorada hahaha daí meu namorado veio com essa indicação, um livro que une quatro histórias de não terror :D não é o meu livro preferido da vida, tenho algumas ressalvas a fazer em relação a alguns pontos das histórias, mas me serviu como um sinal de que vale MUITO a pena criar coragem pra encarar os romances escritos por ele! gostei muito da escrita do stephen king e já tô me preparando pra outras leituras :)

 Azeitona - Bruno Miranda (2016)
olha, foi uma surpresa e tanto quando eu descobri que esse era um livro de youtuber....... hahahaha eu resolvi ler porque 1) é brasileiro 2) achei a capa legal, mas como sempre eu peguei 100% no escuro, não sabia quem era o autor e muito menos qual era a história. antes de começar a leitura, vi um pessoal falando super mal do livro, pensei em desistir da ideia, mas achei que eu devia dar uma chance mesmo assim. e eu estava erradíssima, porque não consegui chegar até o fim hahah por mais que eu realmente estivesse curiosa pra saber o final da história, o sofrimento de continuar a leitura não tava valendo a pena.. desisti mesmo e até agora não sei como termina ¯\_(ツ)_/¯

 Histórias de Hogwarts: poder, política e poltergeists petulantes - J.K. Rowling (2016)
ok que chamar isso aqui de livro talvez seja um exagero né hahaha tá mais pra uma coleção de textos publicados pelo pottermore sobre algumas coisas do mundo mágico :) não tem nada de extraordinário não, mas como fã eu não poderia deixar de ler esse tipo de coisa. essas informações são tudo que eu sempre quis, pra realmente conseguir entrar um pouco mais nesse universo incrível e me sentir mais familiarizada ainda com as personagens da história. não é um livrinho que eu recomende, porque não tem absolutamente nada d+, mas quem gosta real oficial de harry potter e quer descobrir mais sobre o background das personagens não pode deixar de ler! :)

 O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde (1890)
demorei um pouquinho pra entrar na história e, em alguns momentos, quis tacar o livro longe e não voltar a ler nunca mais ^^ mas no fim das contas eu gostei! tive problemas com as personagens principais e com as opiniões delas (aí levei em consideração a época em que o livro foi escrito e consegui passar por esse sentimento de desconforto), mas é uma história bem ~interessante. esse negócio de romance filosófico não é muito a minha cara, então obviamente esse livrin num conquistou meu coração, mas reconheço o valor dele! hahah

 Assassinato no Expresso do Oriente - Agatha Christie (1933)
agatha christie é agatha christie, né, gente? tudo que eu leio dela é basicamente a mesma coisa: um livro meio bobinho, sem nada de muito maravilhoso, mas que me prende completamente e eu não consigo parar de ler até descobrir finalmente quem foi que cometeu o crime hahaha CSI em forma de livrinho, impossível não amar! ;)




e os resultados parciais desse trimestre são:

 livros terminados 11 x 1 livro abandonado
 literatura brasileira 2 x 10 literatura estrangeira (3 da inglaterra, 1 da china, 3 dos eua, 1 de moçambique, 1 do irã e 1 da irlanda) ((vou melhorar esse número de livros nacionais, prometo!))
 livros lidos no kindle 6 x 6 livros físicos
 autoras mulheres 7 x 5 autores homens
 releituras 0 x 12 livros novos