quarta-feira, 31 de agosto de 2016

31/31: até que enfim!!!

antes de mais nada, sendo hoje um dia histórico, preciso começar esse post dizendo que: primeiramente (e eternamente) FORA TEMER.

pois bem. é com muita alegria no coração e uma sensação indescritível de alívio que eu posso finalmente dizer que chegamos ao fim do segundo beda da história deste blog. e provavelmente do último também, porque acho que já deu pra mim essa coisa de ser obrigada a subir um post por dia durante tanto tempo...

diferentemente do ano passado, dessa vez eu fiquei muito menos empolgada, muito menos focada e muito mais irritada. tinha dias que eu me sentia tão sufocada por causa do peso da obrigação que, lá no fundo, preferia excluir o blog e sumir da internet do que escrever qualquer coisa que fosse, olha que coisa absurda. e pra deixar tudo ainda mais gostosinho, agosto é justo aquele mês eterno, que demora oito décadas pra terminar, né? o ano tá voando, mas esse mês resolveu se arrastar na maior lentidão possível. que desespero!


mas pra não dizer que foi exclusivamente horrível, preciso admitir que, apesar da pressão, é muito bom terminar o projeto com sucesso, sem falhar, sem desistir. por mais que tenha sido bem difícil (afinal de contas, é desafio, né?) e por mais que, no momento, eu não queira mais fazer isso de novo, termino com um sorrisinho no rosto por ter conseguido. postei umas bobagens, mas também escrevi umas coisas que me deixaram satisfeita. o balanço foi positivo :)

pode ser que eu não dê as caras por aqui por algum tempo, pode ser que semana que vem eu volte pra falar de alguma coisa, não sabemos ainda. de qualquer forma, continuem de olho!!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

mais um maluco pra entrar na minha lista

eu sei que já tá ficando repetitivo entrar aqui e se deparar com texto meu falando mal de professor, mas às vezes fica realmente impossível evitar. eu juro que tentei não falar sobre isso, pra terminar o beda com algum post mais legal, mas eu fiquei tão indignada com esse doido que não consegui tirar esse peso do coração de outra forma, fui obrigada a escrever pra ver se eu supero de uma vez por todas.

uma das matérias obrigatórias da grade do inglês desse semestre se chama estudos de cultura. quando você vê esse nome, cê pensa que o professor vai abordar aspectos culturais de lugares que falem a língua inglesa, certo? pois então, era essa a minha esperança em relação a essa matéria, mas eu não poderia estar mais enganada. fui procurar a ementa no site da universidade e o que tá escrito lá é:

"A disciplina visa traçar o desenvolvimento histórico do campo dos estudos culturais e apresentar aos alunos seus principais temas e abordagens. Para isso, trabalha os conceitos de Cultura, os modos de estudar as manifestações culturais e a diferença que faz a abordagem teórica dos estudos culturais na prática de análise. Seus focos são a formação dos estudos culturais, a abordagem materialista da cultura, exemplos de modos de analisar a produção cultural. A disciplina tem como objetivo fornecer um instrumental teórico que possibilite ao futuro professor ler e interpretar os fenômenos da cultura que o cerca e lhe dê condições de trabalhar com materiais de interesse e da vivência de seus alunos."

eu não entendi muito direito o que isso tudo quis dizer, mas acho difícil que seja o que o meu professor resolveu trabalhar ao longo do semestre...

pra começo de conversa, essa aula vai acontecer no prédio de outro curso, não no meu. por algum motivo que ninguém achou necessário explicar pros alunos, teremos de frequentar o prédio das ciências sociais pra ter nossa famigerada matéria obrigatória. mas enfim. a primeira aula que o bonitão deu foi dividida em 2 partes: a apresentação do programa e uma introdução, pra contextualizar os alunos. a parte da contextualização foi ótima, mas eu tava com muita vontade de morrer pra realmente conseguir aproveitar direito o que ele tava explicando.

o moço já começou falando que "essa matéria é bem aberta, o professor tem liberdade pra escolher o que ele quer trabalhar. eu particularmente optei por algo que eu gosto muito. caso vocês não gostem, paciência". no caso, ele optou por passar um semestre todinho falando unicamente sobre um filósofo alemão. novamente: numa matéria obrigatória da grade do inglês, no curso de letras, o professor vai falar sobre filosofia alemã. e vamos ter que assistir a uns filmes também, porque ele disse que se interessa mesmo é por cinema. como se não bastasse, o homem tá mais perdido que cego em tiroteio e não faz ideia de que turma é essa que ele tá lidando. estamos no terceiro ano da graduação, ele disse que ia exigir um nível alto de discussão nos nossos trabalhos porque já estamos no quinto ano, prestes a nos formar. também disse que falaria em português na aula, porque como era uma matéria optativa, pessoas de outras habilitações poderiam estar cursando e assim seria mais justo pra todo mundo. alguém avisou que na verdade a matéria era obrigatória do inglês mesmo, que ele tava equivocado, e a resposta foi basicamente isso aqui:  ¯\_(ツ)_/¯. ou seja, ele não podia se importar menos.

o método de avaliação desse professor é passar uma resenha por semana, sempre pra entregar no dia em que aquele texto será discutido - com a intenção clara de forçar todo mundo a ler o material que ele vai trabalhar na aula, claro. são 7 resenhas e cada uma delas vale 1 ponto. o trabalho final, valendo 3 pontos apenas, é a resenha de um filme. o professor disse que se a pessoa se contentar só com a nota obtida com as resenhas anteriores, não precisa nem se dar ao trabalho de entregar a última hahahaha

tudo isso já soa bastante absurdo pra mim, mas o que tá me deixando mais irritada agora é que ele não deu absolutamente nenhuma instrução sobre o que ele espera encontrar nas nossas resenhas. a única coisa que o cara disse foi "não quero que vocês copiem e colem, quero que também opinem". fim. não deu um foco, não deu uma luz, não deu um nada.

temos que entregar a primeira delas amanhã. eu fiz a minha hoje, no desespero, sabendo que não entendo nada do assunto abordado no texto e sabendo que vou entregar algo bem ruim, bem aquém do que se espera num ~nível alto~ de discussão filosófica. tomara que, em algum momento próximo, o professor caia na real e perceba que ele só pode estar bem louco se acha que essa é a melhor forma de ministrar a matéria. precisarei de muita força de vontade pra vencer esse semestre!

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

acordei, mas continuo sonhando

essa noite eu dormi um sono entrecortado de pequenos brevíssimos momentos de despertar. sono de quem divide a cama de solteiro, o único travesseiro e também a coberta. sono de quem poderia estar dormindo sozinha, mas estava aconchegada nos braços de outra pessoa. sono de quem precisava acordar constantemente pra trocar de posição, porque dividir a cama de solteiro, o travesseiro e a coberta é sinônimo de braço dormente, de frio quando a outra pessoa rouba a coberta de você, de calor quando você rouba toda a coberta dela e de socos e chutes inconscientes e inesperados.

a cada vez que eu acordava, eu abria os olhos só pra ter a certeza de que você continuava ali. só pra te ver por uns instantes e poder dormir de novo com a sua imagem fixada na minha retina. só pra aproveitar ao máximo o nosso tempo juntos. a cada vez que eu acordava, a gente se entrelaçava mais e mais. não sei se você percebia a minha movimentação e se mexia de propósito, ou se o seu corpo se movimentava involuntariamente em resposta ao meu, mas, a cada vez que eu acordava, você trocava de posição junto comigo, pra gente se ajeitar melhor.

hoje nós acordamos juntos, porque dormimos abraçadinhos em comemoração ao nosso dia. hoje nós estamos a exatamente um mês de completar três anos inteiros de namoro. hoje você levantou mais cedo do que precisava pra me fazer companhia no café da manhã e me dar tchau na porta da sua casa. hoje eu te amo mais do que nunca.



<3

domingo, 28 de agosto de 2016

viciei em anavitória

música é uma coisa de louco, né? é muito difícil, praticamente impossível, encontrar alguém que diga com todas as letras que não gosta de ouvir. música deixa o coração quentinho, enche o peito de amor. quando a gente gosta muito de alguma em específico dá até vontade de transformar o som em algo material, algo concreto, pra gente conseguir abraçar.

mas mesmo gostando muito, eu sou um tantinho relutante em relação a ouvir coisas novas. não sei porque, mas sempre fico com um pé atrás, com ~preguiça~ de dar uma chance a algo que eu nunca ouvi. sei que é bobagem, não consigo nem explicar o motivo da minha cisma, mas eu realmente sou bem resistente no que diz respeito a ouvir bandas que eu não conheço. 

sendo assim, quando eu vi uma amiga minha falando bem de anavitória, eu nem dei bola. "tá bom que duas meninas desconhecidas com esse nome meio brega valem a pena o meu esforço, viu? num vou nem tentar". mas elas valiam sim. e não foi esforço nenhum, muito pelo contrário.

tô sem palavras pra essas meninas

já que eu só ouço as mesmas coisas sempre, tem hora que enjoa, né? chega num ponto em que eu mal consigo pensar nas bandas que eu gosto, porque já tô saturada daquelas músicas, daquelas vozes. esses dias eu criei coragem vergonha na cara e foi procurar alguma coisa diferente pra ouvir. eu queria música brasileira e mais calminha, não tava afim de escutar nada ~dançante~. queria algo que fosse simplesmente gostosinho de ouvir. daí eu lembrei das duas bonitas e por algum motivo eu senti que aquela era a hora de finalmente escutar uma música delas. essa foi a melhor coisa que eu podia ter feito.

logo na primeira música eu senti que tinha acertado em cheio. ouvi o EP das meninas, assisti o vídeo de um showzinho delas e fiquei bem feliz. dias depois eu descobri que elas tinham liberado o disco novo no youtube, daí eu me animei pra ouvir novo. e desde então eu já escutei esse cd umas quatrocentas vezes, inclusive em looping. acho que não consigo mais largar, o som é amorzinho demais.

vou deixar aqui algumas das que eu mais gosto :) fora de ordem de preferência, é claro.



"me beija que eu gosto da tua textura, do teu gosto frutado, sorriso colado, o compasso acertado, o ritmo acelerado encaixado no meu..."



"é tão particular o meu encontro quando é com você, o meu sorriso quando tem o teu pra acompanhar, as minhas histórias quando você para pra escutar..."



"fiz de mim descanso pra você, te decorei, te precisei, tanto que esqueci de me querer, testemunhei o fim do que era agora..." 


bônus track:


olha esse cover!!!!!! "é preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir..."


gente, sério, olha que coisa mais linda a capa desse disco!!! elas são maravilhosas, as vozes delas são a coisa mais gostosa do mundo de ouvir... a única coisa que eu consigo dizer é: pena que eu demorei tanto tempo pra descobrir essas duas <3
   

sábado, 27 de agosto de 2016

a famigerada história das mochilas - parte 2

* no post de ontem eu contei a primeira parte dessa história louca. se você não leu ainda, clica aqui e confere o começo do causo antes de ler a continuação e o desfecho ;)

bom, como eu tinha dito: a coisa descambou quando a professora da outra classe descobriu que o menino deveria estar lá, porém não estava. nós sequer pensamos no professor da outra classe quando arquitetamos o nosso plano brilhante, nossa única preocupação era o professor da nossa própria classe. por mais óbvio que isso fosse, não passou pela nossa cabeça que o problema maior estaria do lado de lá. e nós não tínhamos como saber, porque estávamos com a porta da classe fechada, mas os inspetores já estavam todos sob aviso, todos procurando o menino desaparecido.

ou seja, quando ele saiu da sala e correu em direção ao banheiro, ele sequer chegou lá. o coitado foi interceptado no meio do caminho. nós, as pessoas da minha classe, nem saímos no corredor nesse intervalo de aula, pra evitar ao máximo qualquer tipo de problema. na nossa ingênua mentalidade, dava pra escapar ileso dessa aventura. ninguém nem cogitou que o menino receberia algum tipo de punição por ter desaparecido durante uma aula. mas nós obviamente estávamos bem enganados quanto a isso...

tava todo mundo um tantinho nervoso com a situação, mas como aparentemente estava tudo sob controle, a gente seguiu em frente como se nada tivesse acontecido. até que, no meio da aula seguinte, a diretora e a coordenadora da escola apareceram. eu até prendi a respiração por alguns segundos, porque não sabia como reagir, mas mantive a pose de quem não tinha nada a esconder (como eu disse, eu sou bem cara de pau quando a situação pede).

num primeiro momento, elas entraram unicamente pra convocar dois amigos meus, que faziam parte do meu grupinho, pra ter uma conversa em particular na sala delas. foi aí que eu entrei em desespero. quando eu vi os dois saindo por aquela porta, um buraco abriu no meio do meu estômago e eu quase fui sugada lá pra dentro. mesmo sem saber exatamente o motivo deles terem sido chamados, eu sabia que era porque a culpa tinha caído sobre eles. fiquei muito nervosa, quis ir atrás, enfim, eu não conseguia acreditar que meus amigos seriam punidos por uma coisa que eu também tinha feito. o sentimento de culpa não era por ter participado dessa bobagem, era por ter permitido que os meus amigos recebessem o ~castigo~ sozinhos.

depois de um tempo eles subiram de volta pra classe e contaram pra gente que o tal do menino que cabulou a aula realmente tinha jogado a culpa em cima deles dois, mas que elas não acreditaram que aquilo tudo tinha sido feito só por duas pessoas. quando a coordenadora reapareceu, ela tava acompanhada da professora que percebeu o sumiço do menino. era a professora de português, a minha preferida. eu quase me senti arrependida quando vi a cara dela de decepção, mas no fundo eu ainda tava me sentindo muito feliz por ter conseguido distrair o professor de geografia a ponto do menino escapar da nossa classe sem impedimentos.

a professora de português perguntou quem mais tinha participado do episódio das mochilas, porque ela também não comprou a ideia de que só dois meninos fossem os responsáveis. só eu e mais duas ou três pessoas levantamos a mão. todos os outros trinta alunos, que haviam cedido as suas mochilas e se divertiram tanto quanto nós, fingiram que não sabiam de nada. a professora perguntou de novo, mas ninguém mais se manifestou. ela disse que tinha certeza absoluta que todo mundo que tava ali tinha participado, que seria impossível alguém não ter visto o que aconteceu numa sala daquele tamanho, e deu a entender que admirava nossa coragem por ter admitido. o sorriso de triunfo apareceu instantaneamente no meu rosto, mesmo sabendo que algum tipo de punição ainda estava por vir.

quando o castigo chegou, eu mal acreditei. provavelmente a coordenação deve ter sugerido algo mais rígido, mas a professora de português teve uma outra ideia (ela foi quem se sentiu pessoalmente atingida pela nossa ~traquinagem~, enquanto o professor de geografia NUNCA se manifestou a respeito). a professora pediu pra cada um daqueles que levantaram a mão escrever uma redação (!) contando como se sentiu (!) ao fazer o que nós tínhamos feito. nossa pena por ter soterrado o menino da outra sala por cinquenta minutos foi fazer um textinho sobre os nossos sentimentos. ESSE FOI O CASTIGO MAIS DE BUENAS DA MINHA VIDA TODA. pra resumir a minha redação, eu disse que tinha consciência de que foi uma atitude errada, mas que não estava arrependida, porque ninguém tinha se machucado e a gente tava só brincando. também disse que me senti feliz enquanto a coisa acontecia e que depois me senti brava pra cacete, porque o menino tava tirando o corpo fora e querendo jogar a culpa toda pra cima dos outros, como se ele não tivesse sido o centro da coisa toda.

quanto à punição do próprio menino das mochilas, ele teve que dar a aula de português que ele perdeu HAHAHAHA a professora juntou as duas classes e o coitado foi lá na frente explicar pra nós o conteúdo que ele não teve, porque infelizmente inventou de ficar escondido na sala da frente. foi apenas maravilhoso.

eu já não era muito fã desse ser humano antes do tal acontecido, mas depois disso eu peguei uma antipatia tão grande pelo rapaz que eu desviava o meu caminho só pra não precisar cruzar com ele. caso o menino não tivesse tentado ~incriminar~ os meus amigos, ele poderia finalmente ter sido incluído no nosso grupinho de uma vez por todas. como ele foi cuzão, eu nunca fui capaz de parar de sentir vontade de socar a cara dele.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

a famigerada história das mochilas - parte 1

quando eu tava escrevendo esse post aqui, fiquei lembrando do turbilhão de acontecimentos da época da escola e me deu vontade de contar uma outra história, que é absolutamente absurda e que provavelmente é uma das minhas preferidas da vida, daquelas que eu guardo com muito carinho na memória e no fundo do coração. dá um pouquinho de vergonha também, mas preciso admitir que o sentimento que prevalece é a saudade desse momento maravilhoso (sem falar do orgulho que eu ainda sinto dessa nossa imbecilidade juvenil bem sucedida).

na oitava série (que eu infelizmente já era obrigada a chamar de nono ano, pro meu desgosto), lá nos longínquos anos de 2009, eu tava 100% focada em dar risada com os meus amigos, matar aulas, fazer guerrinha de papel e comer uns salgadinhos no intervalo. prestar atenção nas aulas, estudar pras provas e tirar nota eram as menores das minhas preocupações. no caso, eu não me preocupava com essas coisas de jeito nenhum. sabia que dava pra continuar passando de ano tranquilamente, com várias notas azuis no boletim, mesmo sem realmente me esforçar pra isso. foi o ano em que eu mais fiz bobagem, o ano em que eu mais me diverti.

o dia mais emocionante foi, de longe, o dia das mochilas. o mais estapafúrdio, também, porque até hoje eu me pergunto como é que nosso plano funcionou - ou quase.

tudo começou no intervalo das aulas. meus amigos e eu estávamos sentados numa mesa na cantina, como num dia qualquer. até que tocou o sinal, indicando que tava na hora de voltar pra sala, e alguém disse que não queria ir pra aula, que queria continuar por ali. tinha um menino de outra classe que às vezes andava com a gente, mas ninguém gostava muito do cara. quando ele disse que também mataria aula, nós desistimos. numa vibe bem "se ele vai ficar, eu não quero. prefiro ver aula de geografia" (nós tínhamos 14 anos, era todo mundo meio escroto).

mesmo que a gente já tivesse se decidido a subir pra aula, mesmo que ninguém tivesse dado bola pra ele, o menino insistiu bastante, provavelmente porque queria dar uma de transgressor. pra ver se o bendito parava de encher o saco, alguém sugeriu que ele matasse aula sozinho mesmo. o menino se animou, mas pediu ajuda pra escolher um lugar pra onde ir. algum ser abençoado (talvez eu mesma, vai saber?) sugeriu que ele ficasse escondido na nossa classe (lembrando que ele era da outra) durante essa aula, porque já tinha passado um pouquinho do horário e seria difícil ele conseguir escapar dos inspetores. por incrível que pareça, ele achou que era uma boa ideia.

aí nós tínhamos um grande problema em mãos: onde esconder um menino que era de outra de outra classe? ele não podia simplesmente sentar ali no meio da gente, qualquer professor perceberia instantaneamente. não consigo lembrar quem foi o ser iluminado que surgiu com a solução, mas é uma pessoa que sinceramente merece palmas. alguém sugeriu que o menino sentasse no chão atrás de uma das carteiras e que a gente colocasse todas as nossas mochilas em cima dele, pra esconder o rapaz. E ELE ACEITOU SE SUBMETER A ISSO. não sei se a imagem ficou muito clara, mas vou tentar explicar melhor: o menino sentou no chão no vão entre duas carteiras e se encolheu ao máximo. então a gente colocou uma cacetada de mochila em cima dele, tipo umas vinte (ou mais, provavelmente) e fez tipo uma barricada, porém com ele escondido ali embaixo. era tipo isso, só que com mochilas no lugar dos sacos:

(vamos ignorar o contexto da imagem da cima e qualquer outra coisa nela que não seja a barricada em si, fazendo o favor!)

a aula tinha duração de CINQUENTA MINUTOS. e o menino ficou lá embaixo soterrado esse tempo todo. eu nunca entendi se ele realmente tava de boa, se ele tava com medo demais de sair de lá antes da hora certa e ferrar tudo, ou se ele só não queria ser o estraga prazeres da vez. de qualquer forma, o coitado ficou lá sem reclamar, sentadinho, soterrado. e às vezes dava pra ver uns fiozinhos de cabelo escapando pelo meio das mochilas, dava pra ver a barricada subindo e descendo conforme ele respirava. eu tava tão nervosa com essa situação toda que não conseguia parar de rir. mas não era uma risada gostosa, natural, de quem tá se divertindo. era aquela risada de quem tá absurdada demais com a situação pra conseguir ter outra reação, foi uma das coisas mais surreais que eu já vi na vida. 

bom, passados os infinitos cinquenta minutos, a aula acabou. aí a gente precisou dar um jeito de tirar o menino dali sem o professor perceber, o que me parecia completamente impossível, porque a sala não era tão grande assim e o professor obviamente ia ver uma pessoa saindo de dentro de uma montanha de mochilas. eu sou bem cara de pau, então fui a escolhida pra ir conversar com o professor e tentar prender a atenção do cara enquanto o coitado fugia de fininho. fui lá com a minha apostila tirar alguma dúvida qualquer, que eu inventei na hora mesmo, e o homem ficou tão feliz com o meu suposto interesse na matéria que o plano funcionou. MANO, o menino conseguiu sair da sala e correr pro banheiro sem o professor perceber absolutamente nada! eu ainda não consigo acreditar que o cara não percebeu, continuo achando que ele simplesmente preferiu evitar a fadiga de lidar com essa situação e deixou a bomba estourar na mão de outra pessoa.

o menino finalmente saiu da sala e correu na direção do banheiro, tudo conforme o plano. o problema é que a professora que estava dando aula na sala dele sabia que ele tava sumido. a mulher fez a chamada e, quando perguntou por ele e não obteve resposta, as pessoas contaram que ele não tinha voltado do intervalo. foi aí que a coisa descambou...


* como essa história é longa e esse post já tá enorme e eu preciso facilitar o meu próprio lado nesse bendito desafio de 01 texto por dia, deixo a continuação pro post de amanhã. ;)

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

fotos antigas, liberdade e amor

aqui em casa tem uma caixa enorme repleta de álbuns antigos, com fotos desde a época em que meus pais eram novinhos até a minha infância. uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida é ver essas fotos. por mais que eu já tenha praticamente decorado até a ordem em que elas aparecem dentro dos álbuns, a sensação é sempre maravilhosa. me transporto pra dentro das imagens, revivo lembranças há muito esquecidas, invento histórias pros momentos que eu não vivi... me dá um calorzinho no peito, fico transbordando de sentimentos bons.

da última vez que eu olhei essas fotos, fiz isso com um carinho ainda maior: separei as mais especiais. com o meu celular, tirei fotos das minhas escolhidas. sendo assim, agora elas estão sempre comigo, ao alcance da minha mão. quando eu quiser matar as saudades, independente de onde eu estiver, mesmo que seja muito longe da caixa, elas estão pertinho de mim.

analisando esse monte de foto antiga, deu pra concluir algumas coisas a respeito da minha família: meus pais tiveram péssimos cortes de cabelo, meu pai usava umas roupas muito estilosas, minha mãe era absolutamente linda, meu irmão foi uma criança muito fofa e eu, em alguns momentos, parecia um menininho.

gente, sério, olha isso:


parece muito um rapaz, mas eu juro que sou eu. por muitos anos eu olhei pra essa foto e fiquei seriamente na dúvida. precisei da confirmação da minha mãe pra finalmente conseguir aceitar que essa criança com cara de sono e cabelo bagunçado era euzinha mesmo e não algum primo, ou outro alguém simplesmente muito parecido comigo.



aparentemente meus pais não eram desses que só podiam vestir a filha menina com roupas cor de rosa, lacinho no cabelo e vestidinho com estampa de flor. por mais que minha mãe gostasse sim dessa história de me vestir igual bonequinha (eu tinha uma chupeta de cada cor pra combinar com os meus mais variados looks ^^), meus pais tinham plena consciência de que, antes de qualquer coisa, eu era uma criança. usava boné em vez de chapéu com babadinho, ficava sem camiseta em vez de usar a parte de cima do biquíni (até porque não há a menor necessidade de uma criança de 2 anos cobrir os peitinho, né? sem contar que deve incomodar pra cacete) etc etc etc. 



daí eu cresci e quis usar um pijama comprido e listrado de azul marinho e branco, não uma camisola lilás com o desenho de alguma princesa (nada contra, inclusive gosto muito ainda hoje, só não era minha vibe na época). e eu também quis um patinete verde, mesmo que a moça da loja tenha falado que essa cor era ~de menino~, porque verde é uma das minhas cores preferidas. meu pai não tentou me convencer a comprar o vermelho cereja - o famigerado ~de menina~ - porque ele me respeitava como uma pessoinha que já podia tomar as próprias decisões sobre a cor dos brinquedos. além disso, ele sabia muito bem que uma coisa não tinha absolutamente nada a ver com a outra. se eu queria o verde, era esse que eu ia ganhar. dane-se a moça da loja e o patinete feminino.  

mesmo que eu já tenha escutado coisas como "você é menina, tem que ajudar sua mãe a arrumar a mesa", aqui em casa as coisas sempre foram bem equilibradas. meu irmão tinha que lavar a louça todo dia, não se safou dessa tarefa só porque era homem. apesar de tudo, cresci num ambiente em que sempre me senti muito a vontade pra falar, fazer e usar o tipo de roupa que eu quisesse. minha família tá longe de ser perfeita, mas seria absurdamente maravilhoso se mais pais por aí fossem iguais aos meus. vendo essas fotos antigas eu percebi o quanto eu sou privilegiada por sempre ter sido tão amada e respeitada por esses dois, que sempre me deram toda a liberdade possível pra ser quem eu sou. por mais clichê que isso seja, não dá pra negar que eu devo a eles tudo o que eu sou hoje. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

algazarra

parada sozinha dentro do elevador, encarando o espelho sem realmente enxergar o que eu deveria estar vendo, percebi que era hora de desacelerar. não o corpo, mas a cabeça. minha mente trabalha tanto que muitas vezes eu mal consigo acompanhar. ela é incansável, é imparável, tá sempre ligada no 220. e isso cansa, cansa muito. decidi que precisava arrumar um jeito de aquietar esses pensamentos incessantes, que se interpolam, que se sobrepõem, que não param de chegar. sei que meditação é incrível, já tive algumas experiências positivas com essa técnica e achei que era uma boa tentativa, mesmo que eu não estivesse muito confiante - tá realmente muito difícil de aquietar o cérebro nesses últimos tempos.

"tá bom, vou tentar, quem sabe hoje eu consigo, né? é só sentar, deixar a coluna reta, fechar os olhos e respirar. tudo isso é simples, coisa que a gente faz o tempo todo sem nem precisar pensar, eu consigo com certeza. tá, agora vem a segunda parte, aquela em não pode pensar em nada. tudo bem, esvaziar a mente. não, calma, tá ruim essa posição. deixa eu abrir os olhos também, tô um pouco incomodada, preciso me ajeitar melhor antes de continuar. agora acho que vai, acho que dá. tá bom, vamos de novo." 

"inspira, expira, inspira, expira. uuum, dooois, uuum, dooois. nossa, acho que essa posição tá ruim de novo, não é possível, talvez eu precise parar. tá, vou tentar mais um pouquinho, é só parar de prestar atenção que tudo se ajeita. ué, que isso? será que foi barulho de criança gritando? eita, deve ter acontecido alguma coisa na rua, melhor eu ir dar uma olhada. ah que mané dar uma olhada o quê, isso é tudo desculpa pra sair dessa pose desconfortável. ok, o barulho passou, agora vai! nossa, o vizinho de cima também tá barulhento hoje né, que coisa, será que nunca vou conseguir um minutinho em paz pra finalmente aquietar minha mente? acho que na verdade eu queria continuar lendo meu livro, tô quase acabando, talvez fosse melhor me concentrar na leitura do que ficar aqui perdendo tempo. não, calma, só mais uma vez vai, pode ser que agora eu consiga, é só respirar direitinho. inspira, expira, inspira. meu deus como é horrível estar consciente da própria respiração, que esquisito prestar atenção em algo que a gente faz naturalmente, o corpo humano é bem bizarro. aff, bizarro mesmo é o cara do livro que eu tô lendo, eu é que não queria conhecer uma pessoa dessas na vida real, é muita esquisitice. ah mas a capa do livro é linda né, só por isso que eu tô lendo mesmo. ai, queria comprar aqueles livros bonitos que vi na livraria semana passada, mas livro no brasil é muito caro, puta merda, o mercado editorial também não facilita a vida da população né. nossa, imagina que delícia trabalhar nessas editoras grandes e pegar uns livros de graça, sem precisar baixar ebook ilegal na internet, deve ser muito bom. meu deus do céu olha o tanto que eu tô divagando, a intenção era ficar aqui sem pensar em nada, não acredito que tô desperdiçando esse tempo. vou tentar uma última vez, pelo menos dez segundos, eu preciso conseguir alguma coisa, não é possível que eu não seja capaz de acalmar meu cérebro por dez segundinhos. inspira, expira. vou me concentrar nos números, pode ser que ajude. inspira, uum, doois, expira, trêes, quaatro, inspira, cinco, ai meu deus respirei mais rápido do que devia, ai meu deus agora tô consciente demais da minha respiração de novo, que horror! ai que saco, essa pose tá péssima mesmo, não aguento mais. aff, acho que já faz um tempo considerável que eu tô aqui, tá bom demais já, acho que deu. é, já chega, vou pegar meu livro mesmo."

foi como se esse momento tivesse durado toda uma eternidade, mas na verdade passaram-se só uns cinco minutos, no máximo. por fora a expressão até podia ser serena, de quem supostamente tá dando o seu melhor pra esvaziar a própria mente, mas por dentro o turbilhão de pensamentos era enlouquecedor.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

quero pegar o primeiro avião com destino à felicidade

ontem finalmente começou o segundo semestre letivo na minha faculdade, depois de uma greve de mais de dois meses e de duas semanas de uma reposição de aulas tão fajuta que quase nem existiu (eu mesma só fui em uns três dias, no máximo).

me matriculei numa matéria de literatura africana de língua portuguesa, que vai tratar especificamente de cabo verde. eu não sei porra nenhuma sobre esse país, não sabia nem que era formado por tantas ilhas tamanha a minha ignorância em relação à geografia africana, mas talvez eu já esteja me apaixonando por esse lugar. assim mesmo, logo de cara, logo na primeira aula desse curso. sei que provavelmente é um erro declarar amor tão rápido, sem praticamente nenhum tempinho de convivência, mas acho que foi aquela coisa da primeira vista. cabo verde me fisgou.

a aula de ontem foi bem introdutória, ainda não conheço quase nada, mas o pouco que a professora disse já foi o suficiente pra me fazer perceber que conhecer essas dez ilhas de perto deve ser uma experiência de tirar o fôlego. inclusive coloquei cabo verde na minha lista de "lugares que eu gostaria muito de visitar um dia caso haja a oportunidade não posso perder a esperança etc" :)

confesso que fiquei empolgada com o país - e, consequentemente, com essa matéria - por causa da professora, que estuda sobre isso há singelos 40 aninhos e fala sobre o lugar com um amor impressionante. aliás, gosto muito de ter aula com quem realmente gosta do que faz e se dedica de verdade ao assunto, me envolvo com a matéria mesmo que eu nem me interesse tanto assim. não posso garantir que eu realmente vá morrer de amores pelo curso, porque a chance de eu mudar de opinião já na aula que vem é imensa, mas a primeira impressão foi muito positiva.

por mais que eu sempre quebre a cara e me decepcione nessa faculdade, dessa vez o coração tá batendo forte e eu acho que vai dar pra ser feliz até o final. e se em algum momento as coisas ficarem muito ruins, é só eu procurar umas fotos de cabo verde na internet e pensar que estudar a literatura e a cultura de lá é o meu primeiro passo rumo à minha futura viagem!

caso algum dia eu tenha mesmo essa chance doida de ir pra lá, vou fazer de tudo pra conhecer o maior número possível de ilhas. meu objetivo principal atualmente é visitar a ilha da boa vista, por motivos de praia de santa monica. segundo a professora, é um lugar absolutamente lindo e quase não tem pessoa nenhuma. ou seja, MELHOR TIPO <3


(essa é uma foto qualquer de cabo verde que eu achei no google, talvez nem seja da praia que eu falei, mas olha só que coisa linda!!!)

tem dias que eu fico bem frustrada com o curso que eu escolhi, não só pelo curso em si mas principalmente por causa da faculdade em que eu estudo (a relação de amor e ódio tá virando só preguiça e vontade de pegar esse diploma logo de uma vez), mas eu preciso admitir que eu provavelmente não estudaria esse tipo de coisa em nenhum outro curso, nem mesmo em nenhuma outra universidade. às vezes a letras usp me dá vontade de morrer, mas às vezes também me deixa com os olhinhos brilhando. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

continue a nadar

eu sou uma pessoa que larga tudo pela metade. não concluo as coisas, não tenho determinação pra encarar a maioria dos desafios de frente e também não me importo de chegar só até certo ponto do caminho, sem atingir o destino final. se não deu, não deu. não fico lamentando, porque não me importo muito em deixar as coisas inacabadas. mas sei que isso é uma coisa chata, é uma característica que não vai me ajudar a chegar tão longe assim (afinal de contas, ainda tem muita estrada pra percorrer na outra metade do caminho), então de uns tempos pra cá eu decidi que vou me esforçar mais. vou insistir, vou tentar não parar na primeira dificuldade.

e é só por isso que eu ainda não larguei mão desse beda. ano passado foi hard, mas eu tava mais motivada. fiz planilha, organizei minhas ideias pra futuros posts, separei tudo em diferentes temas... tava tão bonitinho que dava até orgulho. dava até vontade de postar. dessa vez eu tô escrevendo com mais dificuldade, com menos empolgação. tem dias que a inspiração bate na porta e o texto flui, aí fico com aquela sensação de alívio, de dever cumprido. mas tem dias que eu começo a escrever umas dezenove coisas diferentes e nada vai pra frente, nada passa do primeiro parágrafo mal escrito. nesses casos a sensação é desesperadora, porque me propus a continuar tentando mesmo com vontade de jogar tudo pro alto. 

tirei uns cinco minutinhos do meu dia pra refletir se valia mesmo a pena eu vir aqui hoje pra postar qualquer bobagem, só pra não furar o desafio, só pra concluir o beda e poder dormir em paz sem sentir que fracassei (imagina que morte o gostinho desse fracasso duplo: o de não conseguir postar 31 dias seguidos e o de não insistir numa coisa tão simples, que supostamente me dá prazer). decidi que valia a pena o post, mas que nenhuma das bobagens que eu tinha começado a escrever tava boa o suficiente. 

desisti daqueles textos infrutíferos, porque mesmo que eu esteja sendo mais persistente eu ainda sei quando é realmente melhor deixar uma ideia ruim pra lá, e preferi vir aqui só pra abrir o coração, na esperança de que essa sombra escura da obrigação largue do meu pé e me deixe terminar o desafio em paz. falta tão pouco, menos de duas semaninhas, eu sei que dou conta. já fiz isso antes, quero fazer isso de novo. e vou.

termino o post de hoje, o número 22 (já cheguei tão longe!), com uma frase motivacional dessa personagem incrível que é pra ver se eu fico mais animadinha pra voltar aqui amanhã. stay tuned!

domingo, 21 de agosto de 2016

o melhor último dia de aulas da vida

estudei por 7 anos na mesma escola, na mesma classe, praticamente com as mesmas pessoas. alguns dos meus amigos do fundamental fizeram o colegial em outros lugares, algumas pessoas novas entraram no primeiro ano, mas a essência da classe e do meu grupinho de amigos era a mesma.

o terceiro colegial foi complicadíssimo. ninguém mais aguentava se ver, todo mundo acabou brigando por uma bobagem absurda e o clima ficou ridículo. sem contar que sempre existiu uma rixa entre minha classe e a outra, A x B, desde a quinta série. ao longo dos anos a coisa só foi piorando.

mas apesar desse clima meio bosta, esse foi um ano de confraternização. fazíamos aquelas sextas feiras temáticas (a do pijama obviamente foi a melhor de todas), então a gente juntava a sala inteira no intervalo das aulas pra tomar café da manhã e dar risada. mas mais do que isso, teve a viagem de formatura. minha escola participou de um programa de tv em que o colégio vencedor ganharia uma viagem, o espírito competitivo fez todo mundo se unir como se nossas vidas dependessem disso (rolou até abraço entre mim e a menina que me odiava, vejam só vocês). por incrível que pareça, nós ganhamos mesmo.

a viagem foi maravilhosa e parecia que todo mundo era amigo, que ninguém se odiava, que ninguém queria se matar durante o ano letivo. quando voltamos pras aulas, esse clima maravilhoso durou mais uma semana, no máximo. depois disso tudo voltou ao normal e as supostas amizades que surgiram na viagem morreram todas, foi como se isso nunca nem tivesse acontecido.

daí chegou o último dia de aula. minha sala era incrível, apesar de tudo. era todo mundo muito criativo e o pessoal era empolgado também, então a gente não podia simplesmente ir embora da escola e fim, sem deixar nossa marquinha especial por lá. aí alguém teve uma ideia linda, que tinha tudo pra dar errado, mas que funcionou perfeitamente: fazer uma guerra de bexiga d'agua no pátio externo da escola AHAHAHAHA

imagina um bando de adolescentes enchendo as bexigas disfarçadamente, pra nenhum inspetor perceber e dedurar a gente pra coordenação antes mesmo da guerra começar. o mais incrível é que, no fim das contas, todo mundo meio que acobertou a nossa bagunça. até a própria coordenadora achou engraçadinho e deixou a gente terminar a brincadeira, mas deu uma bronquinha só pra não deixar passar. depois disso a gente se reuniu e saiu cantando, gritando, batucando.. pela escola inteira. e em vez de levarmos bronca da diretora insuportável, como era o esperado, ainda rolou uma puta conversa bonitinha entre nós, os alunos que só causavam, e os professores, pra selar a despedida.

esse foi, definitivamente, o melhor último dia de aula possível! quase deu pra gente esquecer que, no fundo, ninguém mais se suportava e já não via a hora de sair correndo dali.

sábado, 20 de agosto de 2016

bomba de hormônio, quem curte?

comecei a tomar anticoncepcional em 2014, eu acho. não por realmente buscar um método contraceptivo, mas por ser minha última esperança contra as espinhas. minha pele é um absurdo de tão oleosa e nada que eu já tivesse tentado antes tinha surtido algum efeito. fui em zilhões de dermatologistas, usei infinitos sabonetes e cremes especiais, mas nada adiantava. como meu caso não era grave, só era absurdamente irritante e ferrava com a minha autoestima, eu não queria tomar roacutan. "o remédio é invasivo demais pra eu me submeter a ele sem necessidade", eu pensava. até que, conversando com a minha ginecologista, ela sugeriu tentar o anticoncepcional. depois de uns dois meses de uso, minha pele já tinha mudado quase completamente. minha autoestima melhorou tanto que eu ignorei que o anticoncepcional é tão invasivo quanto o roacutan.

eu fui viajar pra praia no fim do ano passado, então tomei duas cartelas seguidas do remédio pra não menstruar durante a viagem. deu tudo certo, os hormônios desempenharam certinho o seu papel e eu aproveitei a praia sem problemas. mas depois veio a famigerada crise de enxaqueca. o neurologista do pronto socorro não disse que a causa da crise era obrigatoriamente o anticoncepcional, mas disse que eu precisava fazer uma tomografia diferentona pra descartar trombose - aí sim por causa do anticoncepcional.

não quis tomar roacutan porque achava muito forte, mas aceitei tomar um remédio que fez com que o médico do pronto socorro convencesse o convênio a liberar o exame (que era muito caro), porque não podia me mandar pra casa sem descartar aquela possibilidade. sabe????

depois disso, decidi parar de tomar. quando a última cartela de anticoncepcional que eu tinha em casa acabou, eu não comprei mais. fiquei uns dois meses sem o remédio e nesse meio tempo as crises de baixa autoestima voltaram. a pele tava ruim, o cabelo tava ruim. eu não tava mais acostumada a me olhar no espelho e colocar tanto defeito, aquilo já não era mais problema meu. entrei num conflito interno desgraçado, porque não sabia se encarava de vez o fato de eu ter a pele oleosa ao extremo ou se voltava a tomar uma caralhada de hormônio. depois de me ver chorando porque meu cabelo já estava com aparência de sujo três horas depois de eu ter saído do banho, eu percebi que ainda falta muito pra eu conseguir aceitar essa parte de mim. voltei pro anticoncepcional.

cada vez que eu vejo alguma coisa sobre os malefícios da pílula, eu penso em largar. cada vez que eu me olho no espelho e vejo que minha pele tá linda, eu deixo essa ideia pra lá. cada vez que eu lembro da dor que eu senti com a enxaqueca, eu penso em largar. cada vez que eu fico um dia sem lavar o cabelo e ele continua bonitinho, eu deixo essa ideia pra lá.

é muito pesado pensar que tô ingerindo uma bomba de hormônio unicamente porque não consigo lidar com as características da minha pele. sempre que eu acho que eu já cheguei lá, naquele nível em que a gente se aceita por completo e se ama incondicionalmente, eu percebo que ainda tô muito longe disso.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

quem me dera poder escolher

é difícil sentir o estômago revirando e pegando fogo, como se houvesse ali um vulcão em erupção, só porque alguém se atrasou e te deixou esperando por pouco mais de uma hora. é difícil sentir o coração batendo descompassado, a respiração acelerada e o oxigênio quase não dando conta de encher o pulmão só porque você precisa fazer uma ligação pra alguém que não conhece. é difícil sentir vontade de vomitar de nervoso e ficar com o rosto quente e vermelho tal qual um pimentão só porque você levantou a mão durante a aula pra fazer uma pergunta pro professor. é difícil esperar pra almoçar só depois das 14h30, mesmo sentindo fome desde às 13h00, só porque dividir mesa com desconhecidos (ou semi-conhecidos) no refeitório do trabalho te deixa apavorado, então você espera até esvaziar.

pior ainda é explicar essas coisas pra quem não sente da mesma forma, quem não entende o que acontece com você, com a sua mente e com o seu corpo em situações normalmente consideradas corriqueiras e quem não faz nenhum esforço pra tentar compreender, pra tentar se colocar um tantinho no seu lugar, por cinco minutos que seja.

pior ainda é ter de falar que esse tipo de coisa é incontrolável, que não é intencional, que a crise chega quando quer chegar e que não é por opção sua, que não foi você quem quis assim.

nem eu que sou trouxa escolheria sofrer desse jeito por coisa pouca, caso houvesse a opção de ser diferente.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

amar e não ter a vergonha de ser feliz

já ouvi algumas vezes que casal feliz é aquele que não demonstra amor em público, que não posta foto junto, que ninguém nem sabe que é casal - como se uma declaração de amor na internet fosse sinal de que o relacionamento é de mentira, como se fosse unicamente pra mostrar pros outros que vocês estão juntos. também já ouvi mais vezes do que eu gostaria que quem demonstra que ama é fraco, que bom mesmo é você se manter frio, distante, como se não se importasse. pois eu acho que essas são as maiores bobagens que alguém já teve a capacidade de me dizer.

(não posso dizer pelos outros, então vou me basear unicamente na minha própria vivência pra refutar esses argumentos que, ao meu ver, são absolutamente sem pé nem cabeça.)

é verdade que não é só porque tá no facebook que aquilo reflete a realidade, então é óbvio que não é só porque o casal tem um perfil conjunto na rede social (inclusive tenho pavor) que o relacionamento deles é uma coisa linda de se ver. é verdade que postar foto sorrindo com legenda de música romântica é muito fácil, mas que é infinitas vezes mais difícil manter esse sorrisão no rosto na vida real, quando se divide uma vida com aquela pessoa que, assim como você, é cheia de defeitos. também é verdade que há quem poste esse tipo de coisa pra encobrir uma realidade que não é tão bonita assim.

mas é igualmente verdade que existem relacionamentos incríveis e sinceros, em que a pessoa posta foto com textão de amor porque aquilo ali é tudo real, porque o sentimento é tão bonito e tão grande que transborda o tempo inteiro, porque não dá pra conter. e eu nem quero conter. se não fosse ridículo, eu andaria por aí com uma placa escrito em letras garrafais que eu amo o meu namorado. o cara me faz feliz pra caramba, nosso relacionamento é uma das coisas mais gostosas que já aconteceram na minha vida... eu vou esconder isso pra quê? quero mais é que todo mundo saiba mesmo, não vejo o menor motivo pra manter segredo. 

se bem que também já me falaram que deixar claro que o relacionamento é feliz pode atrair inveja e mau-olhado, então era melhor não postar nada, pra evitar coisas ruins. poxa, a pessoa que é invejosa e não consegue se sentir bem com a felicidade alheia e a errada sou eu? me poupe.

demonstro amor sem pensar duas vezes, escrevo textão, posto foto junto, mando mensagem quando fico com saudade, elogio sempre que acho que a pessoa merece, conto que lembrei da pessoa quando vi/ouvi alguma coisa... só não faço tudo isso em maior quantidade porque o bom senso me impede, mas não tenho o menor problema em explicitar quando eu gosto de alguém. 

fico triste de ver que a nossa sociedade chegou num ponto tão esquisito que amar é sinônimo de fraqueza. o amor é essencial, é o que faz a gente ir mais longe. é uma pena que, em vez de se deixar guiar pelo coração, há quem prefira se esconder dentro de uma carapaça dura, espinhosa e desconvidativa. deus me livre de tomar esse tipo de atitude só pra não ser vista como frágil, eu quero mais é ser feliz.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

mea maxima culpa

venho por meio desta me desculpar com todo mundo que eu já ignorei em alguma rede social. peço desculpas por todas as conversas que pararam na metade, por todos os assuntos inacabados, por todas as vezes que eu deixei alguém sem resposta.

não me desculpo por demorar pra responder, porque aí já é demais. não me vejo na obrigação de responder na hora, inclusive tenho agonia de quem assim o faz. podem se passar três dias, mas se uma hora a sua resposta chega, esse pedido de desculpa não é pra você. é direcionado especialmente àqueles que eu negligenciei por tanto tempo que me senti envergonhada pela demora e, sendo assim, não tive coragem de voltar lá e responder alguma coisa, qualquer coisa, nem que fosse só um "me perdoa, por favor".

eu juro que não faço por mal, muitas vezes nem é de propósito. pode ser que eu abra a conversa em algum momento em que não posso digitar, aí eu respondo mentalmente e meu cérebro entende que a resposta foi enviada, então eu esqueço completamente de responder de verdade - e só lembro dez dias depois. ou pode ser que, na hora em que eu li, eu não saiba o que responder, aí eu decido que vou voltar depois, porque preciso pensar melhor, só que nunca volto. ainda tem uma terceira possibilidade, que é a pior de todas, mas infelizmente é a mais real: pode ser que eu simplesmente tenha perdido a vontade de conversar, porque não tô no clima pra small talk, então não consigo dar continuidade ao assunto. 

independente de qual seja a razão pra eu ter desaparecido e não ter te respondido nunca mais, me perdoa. não é você, sou eu. eu é que não sei manter uma conversa por muito tempo, eu é que me atrapalho toda nas relações interpessoais, eu é que preciso melhorar. não é pessoal (ou talvez até seja, mas na maioria esmagadora dos casos não é).

isso não quer dizer que a partir de hoje eu vou tentar parar de ignorar as pessoas, isso só quer dizer que eu tenho consciência de que não é legal e assumo minha falha. pode ser que um dia eu crie vergonha na cara e pare com esse negócio, mas infelizmente ainda não é o dia. 

já peço desculpas de antemão pra quem eu for ignorar num futuro próximo. como eu disse: não é você, sou eu. mesmo que você seja muito legal e que eu goste de você, tem vezes que simplesmente não dá, não rola, não consigo. foi mal. 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

cê acha que é bonito ser babaca?

vocês viram o post da menina falando que não ajudou o gringo pedindo informação? aquele que virou meme, o "agora em botafogo"? esse aqui de baixo, ó: 


pois então... como não dá pra acreditar em tudo o que tá na internet, não posso afirmar que a história é 100% verídica (e convenhamos que tá com carinha de fanfic!). mas independente de realmente ter acontecido ou de ser só fantasia de quem postou, eu achei o cúmulo da babaquice essa aí de se recusar a explicar pra pessoa onde fica o bendito do metrô. sem contar o fato de expor pro facebook inteiro essa postura, o que significa que a pessoa se achou incrível por supostamente se recusar a ajudar alguém ^^ 

não entrei no perfil da moça que postou pra ver se ela disse algo além a respeito do assunto, mas vi uma galera endossando essa atitude e um dos argumentos era "mas americano é super grosso com quem não fala inglês direito, francês é conhecido por tratar os outros mal, em tal lugar você também não vai ser bem tratado" etc etc. como se o "erro" do outro justificasse esse. como se a pessoa se tornasse menos prepotente porque ela não foi a única a fazer esse tipo de coisa. 

considerando que essa história seja verdadeira, se coloca no lugar do tal do gringo. cê tá num país diferente, que você não conhece, onde as placas são todas num idioma que você não entende. aí você encontra uma pessoa na rua, resolve pedir ajuda e usa o idioma conhecido por ser universal, aquele que supostamente vai te levar pra qualquer lugar do mundo. daí a pessoa que você escolheu pra te ajudar infelizmente se acha boa demais pra isso e se recusa a explicar onde fica o metrô. porra, era só falar uns "go straight and turn right", sabe? ou se não quer se dar ao trabalho mete o "sorry, i dont speak english", não precisa pagar de ser superior que não pode passar uma informação na rua.

digo por experiência própria que é bem desconfortável você perguntar uma coisa pra alguém e a pessoa se recusar a colaborar. quando eu tinha uns 15 anos, fui pros estados unidos com meus pais. lá eu entrei numa loja e um vendedor muito do sem vontade veio me atender. meu inglês não era dos mais fluentes, mas eu me virava muito que bem. o cara falou tão rápido e tão cagando pra minha existência que eu me senti um lixo, como se não fosse merecedora da tentativa dele. fechei a cara, virei as costas, saí da loja e entrei na do lado, que vendia a mesmíssima coisa. fui atendida por um cara tão simpático e educado que eu quase pedi um abraço, pra compensar a frustração de antes. 

há quem ache que tá tudo bem você ser escroto com as pessoas de graça, eu particularmente acho uma bosta. caso isso aí tenha realmente acontecido, espero de verdade que, assim como aconteceu comigo na história aí de cima, o gringo tenha encontrado alguém mais legal pra finalmente conseguir a informação simples que ele precisava.

é aquela história: a gente realmente tem sim que valorizar a nossa língua e o nosso país, mas também tem que colocar a mãozinha na consciência e reavaliar se esse tipo de atitude é realmente bacana. pois eu achei bem de mau gosto. 

(sem contar que, porra, não há motivo nenhum pra alguém aprender português só pra vir passar meia dúzia de dia por aqui, né? saudades bom senso!)

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

irmão urso deveria ser mais valorizado

todo mundo sempre diz o quanto rei leão é incrível, o quanto frozen é legal, o quanto a bela e a fera é lindo... mas e irmão urso, gente? esse filme é um dos meus preferidos da vidaaa, fico triste de perceber que ninguém dá o valor que ele merece :~

caso alguém não saiba, o filme conta a história do kenai, um menino que só descobre o verdadeiro sentido do amor quando os espíritos o transformam em urso. OLHA ESSE ROTEIRO, tem como uma viagem dessa não ser maravilhosa? pois é, não tem! hahaha

esses alces = <3

o filme se passa na america do norte, lá na era glacial. o kenai é de uma tribo (ou qualquer coisa do tipo) em que as pessoas acreditam nos espíritos ancestrais e se deixam guiar por eles. quando se atinge uma certa idade, os espíritos designam um totem pras pessoas e elas tem que viver seguindo os preceitos que esse totem prega, assim elas ganham  o direito de marcar a palma da mão na parede da caverna. o filme é todo simbólico, é lindo d+ <3 a história começa com o kenai recebendo o totem dele: o urso do amor. ele não gosta, acha que não faz nenhum sentido que animais tão mortíferos sejam associados ao amor e acaba ignorando o ritual, largando o totem pra trás. ah, ele tem dois irmãos mais velhos, o sitka (que ganhou o totem da orientação) e o denahi (sabedoria).

por motivos que eu não vou contar, o sitka morre (mas continua orientando os irmãos mesmo assim <3) e o kenai decide que vai se vingar. é aí que ele acaba sendo transformado em urso, pelo próprio espírito do sitka que desce pra terra por meio da aurora boreal, pra ver se o kenai finalmente entende o verdadeiro valor do amor. já transformado, ele conhece o koda, um filhote de urso que é a coisa mais linda do universo inteiro. no começo ele não gosta muito do menino, mas o coração dele vai amolecendo e no fim das contas eles são como irmãos também.




o que eu acho mais incrível é que o filme consegue mostrar de forma divertida como o amor tem o poder de mudar a vida das pessoas e como a relação entre irmãos é importante. por mais que alguns momentos sejam tristes, inclusive sempre derrubo umas lagriminhas (filme da disney, né? normal), no geral o filme é bem leve e é muito gostosinho de assistir. a animação é linda, as cores são incríveis, as expressões dos personagens são muito boas, a paisagem é de tirar o fôlego (aurora boreal!!!), tem aquelas piadinhas que criança não entende mas adulto dá risada... sabe? aliás, o filme concorreu ao oscar de melhor animação em 2004 :)

como argumento final pra convencer vocês de que irmão urso é incrível e merece muito mais atenção do que ele normalmente recebe, deixo aqui uma cena maravilhosa, com a melhor música do filme (que tá no meu top 3 músicas preferidas da disney):

"o pé na estrada eu vou botar e o coração eu quero abrir..." <3

domingo, 14 de agosto de 2016

14. a velha história do lugar certo na hora errada

quando eu tinha uns 16 anos, por aí, esse cara apareceu na minha vida. a gente se conheceu numa situação bem específica, se não fosse aquele passeio os nossos caminhos provavelmente não teriam se cruzado, mas na hora isso não me pareceu importante. quando voltei pra casa naquele dia, ter conhecido o menino era um fato irrelevante. caso ele não estivesse no mesmo lugar que eu, não faria nenhuma diferença. 

mas depois a gente começou a conversar e rapidinho nós viramos amigos. o menino era uns anos mais velho que eu e era legal conversar com ele, porque era diferente. ele não fazia parte do meu convívio, então tudo que eu falava pra ele ou que ele falava pra mim era novidade. eu gostava de conversar com ele, de ter amizade com alguém "de fora", que não fosse parte do meu dia a dia. 

e era só isso mesmo, uma amizade bobinha de internet. a gente só se viu essa única vez, bem aleatoriamente. morávamos longe, não tínhamos quase nada em comum pra justificar um encontro, enfim, nossa relação consistia em falar bobagem e dar risada. até que ele começou a me tratar diferente, com aquele jeitinho de quem quer algo a mais. o problema é que eu namorava na época e não tinha nem um pingo de interesse nisso, pra mim a gente era só amigo e pronto. nessa dele querer ir além e receber um belo de um chega pra lá, a gente parou de conversar.

eu fiquei com uma sensação esquisita quando a gente parou de se falar. sentia falta dele, de conversar com ele. sabia que a melhor coisa era ficar longe mesmo, que não fazia sentido insistir nessa amizade que, afinal de contas, não fazia sentido por si só. mas depois ele reapareceu, a gente voltou a conversar e me deu um quentinho no coração. era bom ter ele ali, do outro lado da tela, pra ler as bobagens que eu falava.

aí eu terminei meu namoro e então, quando alguma coisa entre nós dois talvez pudesse acontecer, já não podia mais. quem tava namorando nessa época era ele. bom, não é como se eu tivesse pensado "agora vai!" e tivesse ficado na bad porque não dava pra ir, foi só um "poxa, talvez fosse legal se rolasse". nessa época a gente conversava ainda e rolou um diálogo que me marcou bastante, porque mexeu comigo de um jeito inesperado.

quando ele contou que, anos antes, ele queria algo a mais porque gostava mesmo de mim, eu fiquei sem reação. pensei que fosse simplesmente "a menina é legal, a gente dá umas risadas quando conversa, acho que seria bacana dar uns beijos". em momento algum me passou pela cabeça que tinha um sentimento por trás daquilo. hoje em dia eu nem lembro mais o que foi que eu respondi, provavelmente falei meia dúzia de coisas que não fossem comprometedoras pra encerrar o assunto de um jeito não tão ruim e aí a gente se afastou de vez. a quantidade de vezes que eu reli a mensagem dele me contando tudo aquilo é tão grande que chega a ser ridícula. o tanto que essa história mexeu comigo naquela época não tá escrito. o menino não saía mais da minha cabeça, eu não conseguia parar de pensar no quanto poderia ter dado certo caso a gente tivesse tido a change. até que isso passou e eu não pensei mais sobre o assunto.

tinha tudo pra ser, mas não foi. não era pra ter sido. 

sábado, 13 de agosto de 2016

as minhas meninas super poderosas

não sou muito boa cultivando amizades, também não sou daquelas que aceita qualquer convite pra qualquer role e, convenhamos, eu não sou das mais legais do mundo... mas eu tenho duas amigas que, se preciso fosse, por elas eu me reajustaria todos os dias pra nunca deixar nenhuma das duas ir embora. (ainda bem que eu não preciso e elas me aceitam assim mesmo, do jeitinho que eu sou.)

uma delas tá comigo desde 2006, a outra desde 2009, mas tudo ficou muito melhor quando a gente se juntou pra virar uma coisa só. nós três nos conhecemos na escola e nunca mais conseguimos nos largar, porque quando estamos juntas é tudo muito mais divertido.

mesmo que as nossas rotinas de faculdade e trabalho nos impeçam de estar sempre presentes no dia a dia uma da outra, a intimidade que eu tenho com elas duas e o carinho que eu sinto é maior do que qualquer outro, independente do tempo que a gente demore pra se encontrar pessoalmente. acho que o que me deixou tão apegada a essas duas foi o fato de termos crescido juntas. na época da escola as relações são uma coisa tão maluca e intensa que não dava pra ser diferente, nós vivíamos grudadas todos os dias.

passamos pelas aulas, trabalhos e intervalos na escola, pelas festinhas de 15 anos, pelas baladas cheias de bebida depois dos 18, por todas as nossas viagens juntas e agora já temos a nossa primeira graduada do grupo, que terminou o curso com uma nota 10 maravilhosa no tcc. passamos por muitas fases diferentes e, sinceramente, fica cada vez melhor. a confiança só aumenta, a vontade de continuar sempre seguindo lado a lado só aumenta e o amor, então, nem se fala. eu queria casar com elas duas.

nesses anos todos já acumulamos uma quantidade absurda de histórias pra contar e eu torço pra que esse número nunca pare de crescer. elas são definitivamente as melhores amigas que eu já tive e garanto que vai ser muito difícil, quase impossível, de desbancar essas duas do posto de preferidas da minha vida.

é com elas que eu me sinto em casa, independente de onde eu estiver.


ps: era pra esse post ter saído antes, mais pro começo do mês, mas eu não fazia ideia de que seria tão difícil colocar em palavras o quanto essas duas fazem a diferença na minha vida. logo eu, a rainha do textão, ficando sem palavras pra expressar a importância dessas duas irmãs que eu escolhi pra levar comigo até o fim dos dias. isso é o que acontece quando a gente ama tanto: não dá nem pra explicar.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

valeu cada centavo

antes de viajar, quando ainda estávamos pesquisando o que faríamos na nossa semana do amor em porto seguro, meu namorado e eu descobrimos a existência de um parque aquático numa cidade (ou seria distrito? não sei, sou ridícula em geografia) ali pertinho. é óbvio que a gente se empolgou muito pra ir e instantaneamente colocamos o parque na nossa lista de "coisas pra fazer na viagem". no fim das contas nós não seguimos o nosso roteiro à risca, mas o parque aquático rolou no dia certinho, tudo dentro do combinado, porque era a parte mais legal de todas.

olha o mar ali embaixo! :D

o nosso primeiro baque foi o ingresso. o negócio era caro, hein? tipo muito caro mesmo (100 golpinhos é golpe demais pra mim!), então a gente foi com a intenção de aproveitar ao máximo, aproveitar tudo o que tínhamos direito, pra fazer esse rombo no orçamento valer a pena.

o dia já começou atribulado, porque pra chegar no parque tinha que pegar uma balsa e atravessar o rio até chegar na cidade (ou distrito) do outro lado. nós sabíamos que a melhor coisa que podíamos fazer era acordar mais cedo, pra conseguir tomar café mais cedo, e sair do hotel com antecedência o suficiente pra chegar no parque perto da hora em que ele abria (10 da manhã). o problema é que dormir é muito bom e a gente obviamente se atrasou, então saímos mais tarde do que o combinado. daí demos umas voltas desnecessárias na cidade, porque nós já estávamos nos achando os nativos que não precisam de gps pra se orientar por ruas que nós sequer conhecíamos, então erramos o caminho algumas vezes até finalmente encontrar o final da fila da balsa, onde nós deveríamos entrar.

o desespero que eu senti dentro do carro até conseguirmos embarcar não tá escrito! eu tava louca pra sair do hotel cedo, então imagina só o meu estado de espírito quando eu me vi presa ali naquela fila interminável, sem ter como fugir. ficamos uma hora e meia embaixo do sol, sem ar condicionado, sem rádio e sem dignidade. quando finalmente pegamos a balsa, descobrimos que o traslado durava menos de dez minutos. uma hora e meia de fila pra menos de dez minutos de balsa. me dói só de lembrar!

a parte boa é que esse dog tava na balsa junto com a gente

assim que nós entramos no parque a vida já começou a melhorar, porque o sol tava brilhando loucamente, então esquentou o meu coraçãozinho e me deixou mais feliz. começamos o dia naquela piscina que parece um rio, que você fica tranquilão sentado na boia e deixa a correnteza da água te levar. depois fomos em dois toboáguas que sinceramente me deixaram chocadíssimas, porque eu não esperava tanta emoção assim hahaha eu via as criancinhas na fila como se fosse o brinquedo mais corriqueiro do mundo, então achei que seria uma coisa relativamente de boa. até que chegou na minha vez e, quando dei por mim, eu tava quase me afogando em alta velocidade. aparentemente as crianças eram muito mais corajosas do que eu (não que isso seja muito difícil de acontecer).

falando nisso, meu namorado realmente tem muito mais coragem do que euzinha pra encarar umas aventuras. então enquanto ele descia numa tirolesa imensa (que quase me fez chorar de medo enquanto eu estava do lado dele na fila), fiquei sentadinha esperando, com os pés dentro da piscina, pensando no quanto esse menino é maluco. ele teve que assinar um documento dizendo que se responsabilizava caso algo de ruim ocorresse com ele durante essa atividade radical, sabe? jamais que eu ia encarar uma coisa dessa, que pode me quebrar no meio e a culpa ainda vai ser minha hahaha mas não tem problema, eu me contento em curtir essas coisas de forma passiva: ele vai, ele faz, ele me conta e a gente comemora junto. ah, também tinha aqueles toboáguas com queda de +- 90º, que o corpo até descola do brinquedo na hora de descer. o bonitinho desceu nisso umas 837 vezes, sempre tão empolgado e com um sorriso tão grande no rosto que parecia que ele tava vivendo o melhor dia da vida inteira <3 eu obviamente fiquei ocupada aproveitando a piscina de ondas enquanto ele fazia isso. acho que esse é tipo um combo com o melhor dos dois mundos: é piscina, então não tem sal na água e nem tem bicho nadando perto de mim, mas tem umas ondas maravilhosas que deixam tudo muito mais legal. eu queria morar numa dessas :D

o nosso almoço dentro do parque foi espetinho de churrasco e um acarajé tão gostoso que eu podia ter comido um daquele todos os dias da viagem sem enjoar, inclusive saudades :~ e nossa vista enquanto comíamos era esse marzão maravilhoso da foto aqui embaixo. aliás, nós podíamos sair do parque, ir pra praia e depois voltar caso quiséssemos. não fizemos isso, porque estávamos ocupados com os brinquedos, mas fica aí o registro mesmo com essa cerquinha "atrapalhando" a paisagem.  


um dos brinquedos do parque era um toboágua conhecido como "o da boia família", porque você ia em grupo. todo mundo entrava numa mesma boia imensa e descia juntinho pelo ~escorregador. como nossa família só tinha um total de 02 pessoas, num foi tão emocionante assim. imagino que quanto mais pesada a boia, maior a velocidade com que ela desce. mas a parte mais engraçadinha do dia ficou por conta da fila desse brinquedo: na nossa frente tinha um grupo de quatro pessoas, eram três mulheres e um senhor. elas estavam com chapéu de praia, canga e chinelo, cada uma segurando uma bolsa. já tava destoando do resto das pessoas, porque tava todo mundo de biquíni e sunga, mas nada se compara à roupa do senhorzinho. ele tava de bermuda, camiseta polo, chapéu panamá (ou qualquer coisa do tipo, sei lá o nome do negócio) e sandália. o homem desceu no toboágua todo vestido, inclusive de sapato! achei moderno, achei tendência.

esse homem ele é lindo d+

saímos do parque umas 17h e fomos pro centrinho da cidade, que é a coisa mais fofinha do universo. como nosso almoço não foi suficiente pra encher a barriga por muito tempo, achamos de bom tom jantar 18h30 da tarde, como se fossemos um casal de avós. fomos num restaurante que recomendaram pra gente e, quando pedimos um suco, o garçom disse meio sem graça que o barman (responsável inclusive pelos sucos?!?!) só chegava depois das 19h hahaha a gente chegou antes dos funcionários, eu nunca vi uma coisa dessa! essa janta também custou os olhos da cara, porque nos demos ao direito de pedir entrada, prato principal e uns bons drinks. teve nachos com muita guacamole e um bobó de camarão que eu poderia beijar caso fosse uma pessoa! o drink na verdade não era tão bom assim, mas valeu a intenção. e fora dali ainda teve sorvete de mousse de maracujá e de framboesa, na sorveteria que se tornou o novo amor da minha vida (mas que infelizmente mora muito longe de mim, em outro estado. ai, esses romances impossíveis...).


esse provavelmente foi o dia em que mais gastamos dinheiro, mas também foi o dia mais divertido de todos. teve até estrela cadente marcando presença no céu escuro quando pegamos a balsa pra voltar pro hotel. bahia, sua linda, já tô morrendo de saudades de você! <3

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

vocês conhecem o dulce delight?

não é novidade pra ninguém que eu sou a louca dos vídeos de culinária no youtube, né? consigo passar horas felizinha aprendendo um zilhão de receitas que eu talvez jamais faça em casa, com ingredientes que eu talvez nem goste, só pelo prazer de assistir mesmo. imaginem vocês então o quanto meu coração não ficou quentinho quando eu descobri o canal da raiza costa, o dulce delight.

meu primeiro contato com a raiza foi nesse vídeo aqui embaixo, por motivos óbvios de jout jout. eu não tinha nem terminado de assistir e já tava cantando que "a paixão me pegou, tentei escapar não consegui.." de tão maravilhosa que essa menina é.

marshmallows não são polêmicos feat. peitos e jout jout

daí eu fui procurar outros vídeos dela e descobri que ela tinha um canal em inglês (a bichinha mora em nova york e tem uma cacetada de fãs americanos) e um em português, mas o canal brasileiro tava meio abandonadinho. então assisti todos os vídeos em inglês e usei isso como desculpa pra treinar meu listening (porque talvez você não seja muito bem visto pelas pessoas ao seu redor se passar tipo 3 horas vendo vídeos seguidos de uma única pessoa). atualmente ela acabou deixando um pouquinho de lado o canal em inglês e tá se dedicando mais aos vídeos em português mesmo.

pra mim, tem três coisas específicas que diferenciam o canal de todos os outros e que me fazem gostar bastante dessa pessoinha: 1) o bom humor e a irreverência da raiza, que faz um monte de maluquice esquisita sem medo de ser feliz 2) o cuidado e o capricho na hora de montar os cenários, de escolher as cores, a decoração dos pratos etc 3) ela realmente sabe o que tá fazendo, tem técnica e ensina bonitinho, dando umas dicas boas.

dá pra perceber que cada vídeo que ela sobe demanda muito tempo pra pensar no que vai ser feito e/ou dito, pra preparar as cenas todas e pra organizar direitinho na hora da edição e eu acho incrível o quanto eles são visualmente bonitos, cheios de cor. gosto muito de assistir! esses aqui são alguns dos meus preferidos (não as receitas em si, os vídeos mesmo):

baked alaska | a mágica do sorvete assado

banana pudding do magnólia | o pavê de banana americano

a verdadeira bomba de chocolate francesa

ah, o dulce delight passou no gnt uma época, o programa tinha esse mesmo estilo do youtube. não sei se foi uma temporada única ou se daqui a pouco ela vai voltar a aparecer na tv, mas de qualquer forma ela continua postando vídeos novos toda semana e eu recomendo bem forte :)

ps: ela se chama de dulce em alguns vídeos, como se esse fosse o nome da personagem confeiteira em oposição a ela quanto pessoa "fora das telas", mas eu simplesmente não consigo chama-la dessa forma por motivos de associo imediatamente à dulce maria ¯\_(ツ)_/¯

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

a parte mais cor de rosa do meu mundo

eu nunca tive muito contato com crianças ao longo dessa minha vidinha. as pessoas do meu convívio ou eram mais ou menos da minha idade (tenho só uns 2 anos a mais que os meus primos mais novos), ou eram muito mais velhas do que eu. além disso, não tive muito contato com as crianças que nasceram quando eu já era grandinha. até então, meu relacionamento mais próximo com alguém com menos de 6 anos era esporádico, tipo duas vezes no ano. mas em 2016 as coisas mudaram e eu ganhei um presente que veio embalado num papel cor de rosa, com lacinho e tudo: minha sobrinha.

quer dizer, sobrinha do meu namorado né, ela é filha do irmão dele. a alice chegou por esse mundo no comecinho de março e desde o primeiro dia de vida ela já tava fazendo todo mundo muito mais feliz. só de ver aquela coisinha pequenininha ali com a gente o sorriso mais bobo possível aparecia no rosto de cada um, não tinha como evitar.

bicudinha com 03 dias de vida

hoje ela já tá enorme, com cinco meses (meu deus que nenê!!!), e continua fazendo a alegria da família inteira. agora ainda mais do que antes, porque ela interage com a gente, aprende um zilhão de coisas novas por dia e dá aquela risadinha maravilhosa típica dos bebês. essa criança é tão tranquila e feliz que ela ri até quando tá chorando, é impressionante.

também é impressionante o quanto meu namorado é o melhor tio do mundo. eu sempre soube que ele era incrível e tinha paciência com crianças, mas eu não sabia que seria desse jeito, tão lindo de se ver. a ponto de ele deixar a nenê babar no braço dele todinho só porque ela tá feliz. a ponto de ficar andando pela casa com ela no colo sem parar, mesmo com os braços cansados, só porque ela não gosta de ficar parada. a ponto de ficar quietinho, sem nem respirar direito, enquanto ela dorme no colo dele, só pra ela não acordar. a ponto de já ter comprado uma bicicleta pra ela mesmo que a nenê ainda esteja longe de conseguir usar, só porque ele sabe é um presente incrível. esses dois juntos é a coisa mais linda da minha vida inteira, eu queria guardar num potinho e ficar só apreciando e morrendo de amores.

baby padawan

não quero nem ver quando a alice tiver falando e andando, aí o coração do tio mais babão do mundo não vai aguentar. se hoje ele já fica todo todo porque ela curtiu o chaveiro de sabre de luz do star wars, imagina quando ela tiver idade o suficiente pra ver os filmes junto com ele? aí o tio desmaia. e eu também, porque se uma nenê dessa já é muito pro coração da tia postiça, imagina então a nenê e o tio juntinhos. <3