terça-feira, 23 de agosto de 2016

quero pegar o primeiro avião com destino à felicidade

ontem finalmente começou o segundo semestre letivo na minha faculdade, depois de uma greve de mais de dois meses e de duas semanas de uma reposição de aulas tão fajuta que quase nem existiu (eu mesma só fui em uns três dias, no máximo).

me matriculei numa matéria de literatura africana de língua portuguesa, que vai tratar especificamente de cabo verde. eu não sei porra nenhuma sobre esse país, não sabia nem que era formado por tantas ilhas tamanha a minha ignorância em relação à geografia africana, mas talvez eu já esteja me apaixonando por esse lugar. assim mesmo, logo de cara, logo na primeira aula desse curso. sei que provavelmente é um erro declarar amor tão rápido, sem praticamente nenhum tempinho de convivência, mas acho que foi aquela coisa da primeira vista. cabo verde me fisgou.

a aula de ontem foi bem introdutória, ainda não conheço quase nada, mas o pouco que a professora disse já foi o suficiente pra me fazer perceber que conhecer essas dez ilhas de perto deve ser uma experiência de tirar o fôlego. inclusive coloquei cabo verde na minha lista de "lugares que eu gostaria muito de visitar um dia caso haja a oportunidade não posso perder a esperança etc" :)

confesso que fiquei empolgada com o país - e, consequentemente, com essa matéria - por causa da professora, que estuda sobre isso há singelos 40 aninhos e fala sobre o lugar com um amor impressionante. aliás, gosto muito de ter aula com quem realmente gosta do que faz e se dedica de verdade ao assunto, me envolvo com a matéria mesmo que eu nem me interesse tanto assim. não posso garantir que eu realmente vá morrer de amores pelo curso, porque a chance de eu mudar de opinião já na aula que vem é imensa, mas a primeira impressão foi muito positiva.

por mais que eu sempre quebre a cara e me decepcione nessa faculdade, dessa vez o coração tá batendo forte e eu acho que vai dar pra ser feliz até o final. e se em algum momento as coisas ficarem muito ruins, é só eu procurar umas fotos de cabo verde na internet e pensar que estudar a literatura e a cultura de lá é o meu primeiro passo rumo à minha futura viagem!

caso algum dia eu tenha mesmo essa chance doida de ir pra lá, vou fazer de tudo pra conhecer o maior número possível de ilhas. meu objetivo principal atualmente é visitar a ilha da boa vista, por motivos de praia de santa monica. segundo a professora, é um lugar absolutamente lindo e quase não tem pessoa nenhuma. ou seja, MELHOR TIPO <3


(essa é uma foto qualquer de cabo verde que eu achei no google, talvez nem seja da praia que eu falei, mas olha só que coisa linda!!!)

tem dias que eu fico bem frustrada com o curso que eu escolhi, não só pelo curso em si mas principalmente por causa da faculdade em que eu estudo (a relação de amor e ódio tá virando só preguiça e vontade de pegar esse diploma logo de uma vez), mas eu preciso admitir que eu provavelmente não estudaria esse tipo de coisa em nenhum outro curso, nem mesmo em nenhuma outra universidade. às vezes a letras usp me dá vontade de morrer, mas às vezes também me deixa com os olhinhos brilhando. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

continue a nadar

eu sou uma pessoa que larga tudo pela metade. não concluo as coisas, não tenho determinação pra encarar a maioria dos desafios de frente e também não me importo de chegar só até certo ponto do caminho, sem atingir o destino final. se não deu, não deu. não fico lamentando, porque não me importo muito em deixar as coisas inacabadas. mas sei que isso é uma coisa chata, é uma característica que não vai me ajudar a chegar tão longe assim (afinal de contas, ainda tem muita estrada pra percorrer na outra metade do caminho), então de uns tempos pra cá eu decidi que vou me esforçar mais. vou insistir, vou tentar não parar na primeira dificuldade.

e é só por isso que eu ainda não larguei mão desse beda. ano passado foi hard, mas eu tava mais motivada. fiz planilha, organizei minhas ideias pra futuros posts, separei tudo em diferentes temas... tava tão bonitinho que dava até orgulho. dava até vontade de postar. dessa vez eu tô escrevendo com mais dificuldade, com menos empolgação. tem dias que a inspiração bate na porta e o texto flui, aí fico com aquela sensação de alívio, de dever cumprido. mas tem dias que eu começo a escrever umas dezenove coisas diferentes e nada vai pra frente, nada passa do primeiro parágrafo mal escrito. nesses casos a sensação é desesperadora, porque me propus a continuar tentando mesmo com vontade de jogar tudo pro alto. 

tirei uns cinco minutinhos do meu dia pra refletir se valia mesmo a pena eu vir aqui hoje pra postar qualquer bobagem, só pra não furar o desafio, só pra concluir o beda e poder dormir em paz sem sentir que fracassei (imagina que morte o gostinho desse fracasso duplo: o de não conseguir postar 31 dias seguidos e o de não insistir numa coisa tão simples, que supostamente me dá prazer). decidi que valia a pena o post, mas que nenhuma das bobagens que eu tinha começado a escrever tava boa o suficiente. 

desisti daqueles textos infrutíferos, porque mesmo que eu esteja sendo mais persistente eu ainda sei quando é realmente melhor deixar uma ideia ruim pra lá, e preferi vir aqui só pra abrir o coração, na esperança de que essa sombra escura da obrigação largue do meu pé e me deixe terminar o desafio em paz. falta tão pouco, menos de duas semaninhas, eu sei que dou conta. já fiz isso antes, quero fazer isso de novo. e vou.

termino o post de hoje, o número 22 (já cheguei tão longe!), com uma frase motivacional dessa personagem incrível que é pra ver se eu fico mais animadinha pra voltar aqui amanhã. stay tuned!

domingo, 21 de agosto de 2016

o melhor último dia de aulas da vida

estudei por 7 anos na mesma escola, na mesma classe, praticamente com as mesmas pessoas. alguns dos meus amigos do fundamental fizeram o colegial em outros lugares, algumas pessoas novas entraram no primeiro ano, mas a essência da classe e do meu grupinho de amigos era a mesma.

o terceiro colegial foi complicadíssimo. ninguém mais aguentava se ver, todo mundo acabou brigando por uma bobagem absurda e o clima ficou ridículo. sem contar que sempre existiu uma rixa entre minha classe e a outra, A x B, desde a quinta série. ao longo dos anos a coisa só foi piorando.

mas apesar desse clima meio bosta, esse foi um ano de confraternização. fazíamos aquelas sextas feiras temáticas (a do pijama obviamente foi a melhor de todas), então a gente juntava a sala inteira no intervalo das aulas pra tomar café da manhã e dar risada. mas mais do que isso, teve a viagem de formatura. minha escola participou de um programa de tv em que o colégio vencedor ganharia uma viagem, o espírito competitivo fez todo mundo se unir como se nossas vidas dependessem disso (rolou até abraço entre mim e a menina que me odiava, vejam só vocês). por incrível que pareça, nós ganhamos mesmo.

a viagem foi maravilhosa e parecia que todo mundo era amigo, que ninguém se odiava, que ninguém queria se matar durante o ano letivo. quando voltamos pras aulas, esse clima maravilhoso durou mais uma semana, no máximo. depois disso tudo voltou ao normal e as supostas amizades que surgiram na viagem morreram todas, foi como se isso nunca nem tivesse acontecido.

daí chegou o último dia de aula. minha sala era incrível, apesar de tudo. era todo mundo muito criativo e o pessoal era empolgado também, então a gente não podia simplesmente ir embora da escola e fim, sem deixar nossa marquinha especial por lá. aí alguém teve uma ideia linda, que tinha tudo pra dar errado, mas que funcionou perfeitamente: fazer uma guerra de bexiga d'agua no pátio externo da escola AHAHAHAHA

imagina um bando de adolescentes enchendo as bexigas disfarçadamente, pra nenhum inspetor perceber e dedurar a gente pra coordenação antes mesmo da guerra começar. o mais incrível é que, no fim das contas, todo mundo meio que acobertou a nossa bagunça. até a própria coordenadora achou engraçadinho e deixou a gente terminar a brincadeira, mas deu uma bronquinha só pra não deixar passar. depois disso a gente se reuniu e saiu cantando, gritando, batucando.. pela escola inteira. e em vez de levarmos bronca da diretora insuportável, como era o esperado, ainda rolou uma puta conversa bonitinha entre nós, os alunos que só causavam, e os professores, pra selar a despedida.

esse foi, definitivamente, o melhor último dia de aula possível! quase deu pra gente esquecer que, no fundo, ninguém mais se suportava e já não via a hora de sair correndo dali.

sábado, 20 de agosto de 2016

bomba de hormônio, quem curte?

comecei a tomar anticoncepcional em 2014, eu acho. não por realmente buscar um método contraceptivo, mas por ser minha última esperança contra as espinhas. minha pele é um absurdo de tão oleosa e nada que eu já tivesse tentado antes tinha surtido algum efeito. fui em zilhões de dermatologistas, usei infinitos sabonetes e cremes especiais, mas nada adiantava. como meu caso não era grave, só era absurdamente irritante e ferrava com a minha autoestima, eu não queria tomar roacutan. "o remédio é invasivo demais pra eu me submeter a ele sem necessidade", eu pensava. até que, conversando com a minha ginecologista, ela sugeriu tentar o anticoncepcional. depois de uns dois meses de uso, minha pele já tinha mudado quase completamente. minha autoestima melhorou tanto que eu ignorei que o anticoncepcional é tão invasivo quanto o roacutan.

eu fui viajar pra praia no fim do ano passado, então tomei duas cartelas seguidas do remédio pra não menstruar durante a viagem. deu tudo certo, os hormônios desempenharam certinho o seu papel e eu aproveitei a praia sem problemas. mas depois veio a famigerada crise de enxaqueca. o neurologista do pronto socorro não disse que a causa da crise era obrigatoriamente o anticoncepcional, mas disse que eu precisava fazer uma tomografia diferentona pra descartar trombose - aí sim por causa do anticoncepcional.

não quis tomar roacutan porque achava muito forte, mas aceitei tomar um remédio que fez com que o médico do pronto socorro convencesse o convênio a liberar o exame (que era muito caro), porque não podia me mandar pra casa sem descartar aquela possibilidade. sabe????

depois disso, decidi parar de tomar. quando a última cartela de anticoncepcional que eu tinha em casa acabou, eu não comprei mais. fiquei uns dois meses sem o remédio e nesse meio tempo as crises de baixa autoestima voltaram. a pele tava ruim, o cabelo tava ruim. eu não tava mais acostumada a me olhar no espelho e colocar tanto defeito, aquilo já não era mais problema meu. entrei num conflito interno desgraçado, porque não sabia se encarava de vez o fato de eu ter a pele oleosa ao extremo ou se voltava a tomar uma caralhada de hormônio. depois de me ver chorando porque meu cabelo já estava com aparência de sujo três horas depois de eu ter saído do banho, eu percebi que ainda falta muito pra eu conseguir aceitar essa parte de mim. voltei pro anticoncepcional.

cada vez que eu vejo alguma coisa sobre os malefícios da pílula, eu penso em largar. cada vez que eu me olho no espelho e vejo que minha pele tá linda, eu deixo essa ideia pra lá. cada vez que eu lembro da dor que eu senti com a enxaqueca, eu penso em largar. cada vez que eu fico um dia sem lavar o cabelo e ele continua bonitinho, eu deixo essa ideia pra lá.

é muito pesado pensar que tô ingerindo uma bomba de hormônio unicamente porque não consigo lidar com as características da minha pele. sempre que eu acho que eu já cheguei lá, naquele nível em que a gente se aceita por completo e se ama incondicionalmente, eu percebo que ainda tô muito longe disso.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

quem me dera poder escolher

é difícil sentir o estômago revirando e pegando fogo, como se houvesse ali um vulcão em erupção, só porque alguém se atrasou e te deixou esperando por pouco mais de uma hora. é difícil sentir o coração batendo descompassado, a respiração acelerada e o oxigênio quase não dando conta de encher o pulmão só porque você precisa fazer uma ligação pra alguém que não conhece. é difícil sentir vontade de vomitar de nervoso e ficar com o rosto quente e vermelho tal qual um pimentão só porque você levantou a mão durante a aula pra fazer uma pergunta pro professor. é difícil esperar pra almoçar só depois das 14h30, mesmo sentindo fome desde às 13h00, só porque dividir mesa com desconhecidos (ou semi-conhecidos) no refeitório do trabalho te deixa apavorado, então você espera até esvaziar.

pior ainda é explicar essas coisas pra quem não sente da mesma forma, quem não entende o que acontece com você, com a sua mente e com o seu corpo em situações normalmente consideradas corriqueiras e quem não faz nenhum esforço pra tentar compreender, pra tentar se colocar um tantinho no seu lugar, por cinco minutos que seja.

pior ainda é ter de falar que esse tipo de coisa é incontrolável, que não é intencional, que a crise chega quando quer chegar e que não é por opção sua, que não foi você quem quis assim.

nem eu que sou trouxa escolheria sofrer desse jeito por coisa pouca, caso houvesse a opção de ser diferente.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

amar e não ter a vergonha de ser feliz

já ouvi algumas vezes que casal feliz é aquele que não demonstra amor em público, que não posta foto junto, que ninguém nem sabe que é casal - como se uma declaração de amor na internet fosse sinal de que o relacionamento é de mentira, como se fosse unicamente pra mostrar pros outros que vocês estão juntos. também já ouvi mais vezes do que eu gostaria que quem demonstra que ama é fraco, que bom mesmo é você se manter frio, distante, como se não se importasse. pois eu acho que essas são as maiores bobagens que alguém já teve a capacidade de me dizer.

(não posso dizer pelos outros, então vou me basear unicamente na minha própria vivência pra refutar esses argumentos que, ao meu ver, são absolutamente sem pé nem cabeça.)

é verdade que não é só porque tá no facebook que aquilo reflete a realidade, então é óbvio que não é só porque o casal tem um perfil conjunto na rede social (inclusive tenho pavor) que o relacionamento deles é uma coisa linda de se ver. é verdade que postar foto sorrindo com legenda de música romântica é muito fácil, mas que é infinitas vezes mais difícil manter esse sorrisão no rosto na vida real, quando se divide uma vida com aquela pessoa que, assim como você, é cheia de defeitos. também é verdade que há quem poste esse tipo de coisa pra encobrir uma realidade que não é tão bonita assim.

mas é igualmente verdade que existem relacionamentos incríveis e sinceros, em que a pessoa posta foto com textão de amor porque aquilo ali é tudo real, porque o sentimento é tão bonito e tão grande que transborda o tempo inteiro, porque não dá pra conter. e eu nem quero conter. se não fosse ridículo, eu andaria por aí com uma placa escrito em letras garrafais que eu amo o meu namorado. o cara me faz feliz pra caramba, nosso relacionamento é uma das coisas mais gostosas que já aconteceram na minha vida... eu vou esconder isso pra quê? quero mais é que todo mundo saiba mesmo, não vejo o menor motivo pra manter segredo. 

se bem que também já me falaram que deixar claro que o relacionamento é feliz pode atrair inveja e mau-olhado, então era melhor não postar nada, pra evitar coisas ruins. poxa, a pessoa que é invejosa e não consegue se sentir bem com a felicidade alheia e a errada sou eu? me poupe.

demonstro amor sem pensar duas vezes, escrevo textão, posto foto junto, mando mensagem quando fico com saudade, elogio sempre que acho que a pessoa merece, conto que lembrei da pessoa quando vi/ouvi alguma coisa... só não faço tudo isso em maior quantidade porque o bom senso me impede, mas não tenho o menor problema em explicitar quando eu gosto de alguém. 

fico triste de ver que a nossa sociedade chegou num ponto tão esquisito que amar é sinônimo de fraqueza. o amor é essencial, é o que faz a gente ir mais longe. é uma pena que, em vez de se deixar guiar pelo coração, há quem prefira se esconder dentro de uma carapaça dura, espinhosa e desconvidativa. deus me livre de tomar esse tipo de atitude só pra não ser vista como frágil, eu quero mais é ser feliz.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

mea maxima culpa

venho por meio desta me desculpar com todo mundo que eu já ignorei em alguma rede social. peço desculpas por todas as conversas que pararam na metade, por todos os assuntos inacabados, por todas as vezes que eu deixei alguém sem resposta.

não me desculpo por demorar pra responder, porque aí já é demais. não me vejo na obrigação de responder na hora, inclusive tenho agonia de quem assim o faz. podem se passar três dias, mas se uma hora a sua resposta chega, esse pedido de desculpa não é pra você. é direcionado especialmente àqueles que eu negligenciei por tanto tempo que me senti envergonhada pela demora e, sendo assim, não tive coragem de voltar lá e responder alguma coisa, qualquer coisa, nem que fosse só um "me perdoa, por favor".

eu juro que não faço por mal, muitas vezes nem é de propósito. pode ser que eu abra a conversa em algum momento em que não posso digitar, aí eu respondo mentalmente e meu cérebro entende que a resposta foi enviada, então eu esqueço completamente de responder de verdade - e só lembro dez dias depois. ou pode ser que, na hora em que eu li, eu não saiba o que responder, aí eu decido que vou voltar depois, porque preciso pensar melhor, só que nunca volto. ainda tem uma terceira possibilidade, que é a pior de todas, mas infelizmente é a mais real: pode ser que eu simplesmente tenha perdido a vontade de conversar, porque não tô no clima pra small talk, então não consigo dar continuidade ao assunto. 

independente de qual seja a razão pra eu ter desaparecido e não ter te respondido nunca mais, me perdoa. não é você, sou eu. eu é que não sei manter uma conversa por muito tempo, eu é que me atrapalho toda nas relações interpessoais, eu é que preciso melhorar. não é pessoal (ou talvez até seja, mas na maioria esmagadora dos casos não é).

isso não quer dizer que a partir de hoje eu vou tentar parar de ignorar as pessoas, isso só quer dizer que eu tenho consciência de que não é legal e assumo minha falha. pode ser que um dia eu crie vergonha na cara e pare com esse negócio, mas infelizmente ainda não é o dia. 

já peço desculpas de antemão pra quem eu for ignorar num futuro próximo. como eu disse: não é você, sou eu. mesmo que você seja muito legal e que eu goste de você, tem vezes que simplesmente não dá, não rola, não consigo. foi mal.