sábado, 7 de outubro de 2017

mais cansada que luciana gimenez

ontem cheguei em casa tão esgotada com as pessoas do meu trabalho que eu tava com a impressão de ter ficado naquele ambiente por 48h. ultrapassei os meus limites mesmo, foi horrível. parecia que eu tinha entrado num universo paralelo em que o tempo passa de um jeito diferente, porque fiquei com aquelas pessoas por 9 horas mas me cansei como se tivesse sido uma semana.  

só de pensar em voltar pra lá na segunda feira já me dá uma taquicardia. 



* * *

todos os dias eu enfrento dificuldades ao lidar com seres humanos. faz 22 anos que eu interajo com pessoas, todas elas, pensando que eu preferida estar evitando aquele contato. homem, mulher, criança, idoso... não importa. é sempre um momento complicado esse da interação. 

às vezes eu encontro umas almas abençoadas pelo caminho que me dão até vontade de realmente manter contato, mas no geral eu preferia evitar. pena que simplesmente não é possível, uma vez que a gente vive em sociedade. então eu tento me reeducar pra conseguir encarar esses momentos com mais naturalidade, sem ficar pensando "socorro alguém me salva" o tempo todo. mas é muito difícil, porque as pessoas costumam ser completamente tóxicas. ninguém se ajuda, ninguém fala nada positivo, ninguém se preocupa em tornar o clima melhor. tá todo mundo muito autocentrado procurando só o próprio benefício, sem se importar se quem tá em volta tá sendo prejudicado ou não. eu fico doida com essas coisas.

daí quando eu penso que já fiz algum progresso, as pessoas vão lá e tornam tudo muito mais complicado. como se fosse um jogo de video game mesmo. eu demoro 1 semana pra conseguir avançar na fase, pra entender como ela funciona, pra ir me adequando às dificuldades dela e ir driblando os obstáculos. só que quando eu acho que tô preparada pra passar pra próxima eu descubro que o chefão é um bicho 18x mais complicado de vencer do que o da fase anterior. 

pena que na vida real a gente não pode se irritar com o jogo, desistir e tirar o video game da tomada, a gente precisa continuar tentando até o final.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

livrinhos de 2017 - parte III

pra ver o que veio antes, é só clicar: parte I e parte II 😊

* * *

antes de mais nada, queria explicar uma coisa: eu tava com um ~projetinho~ de leitura pra esse trimestre. me inspirei na maratona literária de inverno, do geek freak, pra escolher meus livros. vou resumir a maratona e como eu adaptei isso pra minha realidade, mas quem quiser saber direitinho sobre ela dá uma assistida nesse vídeo aqui que o victor explica bonitinho ;) enfim. o projeto dele é ler o máximo de livros possíveis (de 3 a 9, dependendo do nível do desafio) dentro de um determinado período de tempo (2 semanas), "obedecendo" a certas categorias propostas por ele. pra mim seria absolutamente IMPOSSÍVEL encaixar um negócio desse na minha rotina, porque eu não tenho nem tempo e nem disposição pra isso, mas ficaria me cobrando pra conseguir e no fim das contas ia me frustrar. então surrupiei o projeto do rapaz e utilizei toda a minha licença poética pra expandir o período de duas semanas para três fucking meses. assim todo mundo (eu, no caso) sai feliz 😋

as categorias são: 1) ler um livro com a capa azul 2) ler um livro com menos de 200 páginas 3) ler um livro que você comprou pela capa 4) ler um livro escrito por uma mulher 5) ler um livro sem saber a sinopse, ou do que se trata 6) ler um livro nacional 7) ler um livro que se passe em um período histórico importante 8) ler um livro com pontuação no título 9) ler um livro que é muito criticado ou que alguém não gostou

esclarecido isso, vamos ao que interessa:

JULHO (4 livros)



 A cor púrpura - Alice Walker (1982)
a princípio eu me incomodei MUITO com o livro, porque ele é contado por meio de cartas e quem escreve é uma personagem sem muito estudo, então isso fica marcado na forma como ela se comunica. o que obviamente não é um problema, mas pra mim ficou muito forçado. imagino que no original soe mais natural, mas achei meio ""ruim"" a tradução dos ""erros"" que a personagem comete. tirando isso, que história!!!! terminei o livro apaixonada pelas personagens e pelo desenvolvimento delas <3 não é o livro da minha vida, mas eu gostei bastante! (obrigada pelo presente, fefa!!! <3)

 AvóDezanove e o segredo do soviético - Ondjaki (2008)
ô gente, que delicinha esse livro! <3 é fácil de ler, a história é boa, o personagem principal é maravilhoso (não é nem a avó e nem o soviético, é uma criança!), tem várias referências à cultura de massa brasileira, tem uma coisinha de literatura fantástica, eu li em 2 dias... enfim, é um amorzinho! e é sempre bom lembrar que literatura africana de língua portuguesa é um troço maravilhoso de bom e se você não leu ainda, VAI FAZER ISSO AGORA ;)
(categoria 1 do desafio - um livro de capa azul ✔)

 Crônica de uma morte anunciada - Gabriel García Márquez (1981)
garcía márquez é incrível, simples assim. não que eu tenha me apaixonado pelo livro, inclusive nem me marcou tanto assim, mas ele vale a pena pela maneira como a história é contada. desde o titulo a gente já sabe que vai rolar uma morte, em poucas páginas a gente já sabe quem morreu, quem matou e por que isso aconteceu. mas a graça é descobrir o desenrolar dos fatos a partir dos relatos dispersos que o narrador foi coletando ao longo do tempo. e é curtinho também, só vejo vantagens :)
(categoria 2 do desafio - um livro com menos de 200 páginas ✔)

 O mistério da fábrica de livros - Pedro Bandeira (1988)
tive que ler esse livrinho no ensino fundamental, achei perdido por aqui e lembrei que eu tinha amado descobrir como funciona uma fábrica de livros, daí quis reler. não resisto a literatura infanto-juvenil :) lendo agora eu me espantei em como eu pude gostar de um livro chato desses, que relata o processo desde o corte das árvores até costura das páginas depois de impressas, mas na época eu achei incrível hahaha o livro tá meio desatualizado, já que nos anos 80 ainda se usava máquina de escrever, mas mesmo assim deve ser interessante pras crianças se sentirem mais próximas dos livrinhos, que foi o que aconteceu comigo no alto dos meus 11-12 anos..
(categoria 6 do desafio - um livro nacional ✔)



AGOSTO (5 livros)



 História do novo sobrenome - Elena Ferrante (2012)
olha nois aqui dando continuação à série napolitana da dona ferrante! achei esse livro mais arrastado que o primeiro, mas ainda assim continuei bem envolvida com a história. minha relação com as personagens principais é um misto de "amo você vamo ser migas" com "você é insuportável eu não ia querer você na minha vida jamais". eu fico tão impactada com tudo o que acontece com elas e com quem tá em volta que fico o dia inteiro remoendo os acontecimentos dessa história. não vejo a hora de ler o próximo! (ainda que o primeiro tenha terminado de um jeito bem mais impactante que o segundo, convenhamos)

 Hogwarts: um guia imperfeito e impreciso - J.K. Rowling (2016)
eu reclamo que a J.K. não consegue largar o osso e deixar harry potter terminar de vez, mas eu também não consigo deixar de ler essas coisas que a mulher publica hahaha mais um "livrinho" daqueles que o pottermore publicou com informações extras sobre alguns aspectos da série. esse fala de coisas como a sala comunal da lufa-lufa, o expresso de hogwarts, o mapa do maroto e a câmara secreta, por exemplo. os textos trazem coisas novas e interessantes? sim. eles são suficientes? com certeza não. mas não posso negar que amei estar dentro desse universo de novo :)
(categoria 8 do desafio - um livro com pontuação no título ✔)

 O papel de parede amarelo - Charlotte Perkins Gilman (1892)
eu não peguei pra ler porque esse é "um clássico da literatura feminista", porque na real eu nem sabia disso. eu quis ler porque vi em algum lugar que era um terrorzinho psicológico e tinha bastante gente falando sobre.. esse foi um livro que me exigiu reflexão, digamos assim. a princípio eu não gostei muito do texto, alguma coisa ali tava me incomodando, mas depois de pensar sobre ele, sobre o que ele significava e sobre a construção da narrativa eu passei a enxergar de um jeito diferente. só de saber que foi escrito no século XIX e já retratava tão bem essa questão da mulher silenciada em um relacionamento abusivo já dá pra entender o peso que a história tem!
(categoria 4 do desafio - um livro escrito por uma mulher ) ((eu podia ter escolhido qualquer outro, mas esse teve a vantagem de ser considerado literatura feminista))

 Aventura em Bagdá - Agatha Christie (1951)
eu tinha uma quantidade x de dinheiro pra gastar com um presente de aniversário pra mim, daí escolhi um livro que eu realmente queria e me sobraram alguns dinheirinhos. dentro daquele orçamento, escolhi o que eu achei mais bonito pra complementar a minha estante :P dos quatro livros da agatha que eu li, esse foi o que eu menos gostei. o ritmo dele é bem diferente do que eu tava acostumada, porque não fica focado em descobrir quem foi o assassino da vez, mas mistura um zilhão de personagens diferentes e histórias paralelas que no final se juntam e viram tudo uma coisa só. é bem confuso, às vezes é meio absurdo até demais.. mas pelo lado positivo eu gostei de ler um livro ambientado no oriente, foi o que deu charme ao texto :)
(categoria 3 do desafio - um livro que você comprou pela capa ✔)

 Disgrace - J. M. Coetzee (1999)
gente do céu eu nunca vi um nome tão apropriado pra um livro. acontece tanta desgraça nessa história que eu fiquei sem palavras quando terminei, é pedrada atrás de pedrada do começo ao fim!!! é um livro bom, discute um monte de assunto complicado (tipo relacionamento entre um professor de 50+ anos e uma aluna de 20) e te faz pensar em vez de te dar só a resposta pronta. apesar de ter lido por obrigação e não por vontade própria - é pra uma matéria da faculdade -, foi uma experiência boa. ah, esse eu li em inglês, então o título vai assim também. ;)
(categoria 5 do desafio - um livro sem saber a sinopse, ou do que se trata ✔)


SETEMBRO (5 livros e meio)



 Caetés - Graciliano Ramos (1947)
eu tentei, mas não tive condições de terminar essa leitura. que livro chato da porra! eu dou um desconto pro autor (que eu amo) porque sei que nem todo mundo é abençoado a ponto de já arrasar logo no primeiro romance né, mas não deu pra chegar no final. o livro é arrastado e tem um zilhão de personagens que eu mal consegui decorar o nome de tão aleatórios.. passei da metade e NADA tinha acontecido ainda, daí desisti mesmo porque não sou obrigada hahah

 Sonho de uma noite de verão - William Shakespeare (circa 1590)
aaaa eu nunca pensei que fosse gostar tanto de ler shakespeare! (só um parêntese: sim, gente, tô no quarto ano do curso de letras português/inglês e não tinha lido o homem ainda. e não li no original não porque não sou obrigada!!! bjs) eu já conhecia o enredo, já tinha visto uma peça dessas bem despretensiosas encenando essa história e tal, mas achei tão divertidinho! as coisas que acontecem são um absurdo tão grande que dá até vontade de ler mais, vê se pode? hahaha :D

 Os papéis de Lucas: pequeno inventário de um adolescente - Júlio Emílio Braz (2005)
já tinha lido antes, quando tava na escola, mas já não lembrava mais sobre o que era o livrinho. resolvi reler e foi uma surpresa muito boa, porque por incrível que pareça eu tava num momento bem difícil e algumas passagens do livro acalmaram o meu coraçãozinho ^^ é bem daqueles livrinhos feitos pra ensinar O Jovem a não fazer merda na vida, tipo "não use drogas, não seja escroto, acredite em deus" etc. então não é nenhuma leitura maravilhosa que todo mundo precise ler, mas por ~motivos pessoais~ (hahaha) é um livrinho que eu sei que vou precisar reler no futuro, quando eu precisar colocar minha cabeça no lugar...

 Mayombe - Pepetela (1980)
que livrasso! só pra situar você que tá lendo, o livro conta a história de uns guerrilheiros que lutavam pela independência de angola. só imagina quanta pedrada a gente num leva ao acompanhar a rotina e a realidade desses caras! (e o autor realmente vivenciou isso, veja bem). eu AMEI as personagens, gostei muito das reflexões que elas trouxeram, li sem parar até o final. só fiquei me perguntando se, no mundo real, aquelas pessoas seriam realmente tão cultas e teriam uns diálogos tão com cara de textão do facebook hahaha mas tirando isso só tenho elogios a fazer :) 
(categoria 7 do desafio - um livro que se passe em um período histórico importante ✔)

 Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres - Clarice Lispector (1969)
toda  vez que eu leio clarice é a mesmíssima história: não gosto, mas tem alguma coisa ali que me prende. e esse livro particularmente me encantou um pouco mais, porque me reconheci em diversos aspectos da personagem principal - e eu não me orgulho disso, já que ela é cheia das dificuldades de viver. tirando o conto "a menor mulher do mundo" (que é meu texto preferido dela) e o livro "a hora da estrela", que eu aprendi a amar na faculdade, esse foi a obra que eu mais gostei. 

 O guia do mochileiro das galáxias - Douglas Adams (1979)
genteeee, preciso começar dizendo que: melhor livrinho pra eu fechar o trimestre!! <3 eu já tinha tentado ler uma vez e tinha ODIADO, sério, desisti real porque tava achando uma verdadeira porcaria ^^ mas eu sentia que precisava tentar de novo, todo dia ele me olhava lá da estante e me chamava... até que eu resolvi dar uma segunda chance ao livro e eu ameeei!! acho que antes eu não tava na vibe, só isso explica. achei os personagens absolutamente incríveis, a história é genial e é contada de um jeito muito bom! tá no meu top 3 ficções científicas da vida :D
(categoria 9 do desafio - um livro que é muito criticado ou que alguém não gostou ✔) ((nesse eu meio que roubei porque a pessoa que não gostou no caso fui eu mesma HAHAHAHA))


e os resultados parciais desse trimestre são:

 livros terminados 14 x 1 livro abandonado

 literatura brasileira 4 x 11 literatura estrangeira  (2 dos estados unidos, 2 de angola, 1 da colômbia, 1 da itália, 4 da inglaterra e 1 da áfrica do sul)

 livros lidos no kindle 6 x 9 livros físicos

 autoras mulheres 6 x 9 autores homens

 releituras 3 x 12 livros novos

sábado, 23 de setembro de 2017

aos alunos do colegial: um apelo

já falei em outros posts aqui que eu não era boa em matemática e física (só era esperta o suficiente pra passar com nota satisfatória). mas pra mim é importante ir bem nas aulas, porque estudar é algo que eu gosto e que eu consigo fazer direito. então, pra compensar a falha nas matérias de exatas, eu me agarrei às matérias de língua como se não houvesse o amanhã. já que eu não conseguia entender os conceitos físicos de jeito nenhum, eu me contive em ser a melhor aluna possível em português, inglês e espanhol (apesar de meus conhecimentos em língua espanhola serem graças às músicas do rbd e não exatamente às aulas em si).

isso significa que eu levava as aulas de português a sério – literatura nem tanto, mas gramática e redação eram as minhas matérias do amor. eu estudava, fazia as lições, tirava todas as minhas dúvidas. e obviamente conseguia sempre notas altas, porque eu me dedicava. e assim eu realmente aprendi aquele monte de regra chata.

eis que hoje em dia, no meu quarto ano da faculdade de letras, eu já ganhei alguns dinheiros revisando texto alheio. e por mais que eu precise de gente que escreve mal pra garantir o meu sustento (afinal de contas se você escreve direito cê num vai contratar um revisor), eu imploro: gente, PRESTA ATENÇÃO NAS AULAS!!!!!

eu sei que é chato mesmo e que parece sem sentido estudar a nossa própria língua, mas o nível de conhecimento dos alunos universitários é surreal de tão baixo. e eu não tô falando dos alunos ingressantes, aqueles que acabaram de sair do ensino médio. tô falando dos belezinhas que tão entregando TCC pra se formar no ensino superior mesmo. ou pior, tô falando de quem tá no mestrado e não consegue escrever uma sentença coerente. EM PORTUGUÊS! (não vou nem entrar no mérito do inglês aqui, talvez outra hora eu fale sobre essa questão...)

cara, isso é TÃO sério. é o nosso idioma, é algo que a gente começa a aprender desde antes de nascer (segundo minha professora de psicolinguística, tem estudos que comprovam que o nenê escuta e, mesmo não entendendo o que tá sendo dito, fica habituado ao ritmo da língua que tá escutando <3)! já que a gente já sabe se comunicar, as aulas deveriam servir só pra nos ensinar a aprimorar nossas habilidades, certo? pra gente conseguir organizar as nossas ideias de um jeito mais “bonito”, digamos assim. não era pra ser algo que ninguém entende, que ninguém se importa.

revisar trabalho acadêmico e não conseguir identificar sobre o que a pessoa tá falando é um negócio muito ruim. eu sei o tema do texto, sei o que foi falado antes (afinal de contas eu li tudo o que foi escrito até aquele ponto) e não consigo entender qual é o sujeito de uma oração. simplesmente não dá pra saber sobre quem/o que a pessoa tá falando. o negócio é tão mal escrito, tão mal articulado, que fica absolutamente sem sentido algum. as frases ficam soltas, não tem coesão entre um parágrafo e outro. fica difícil até de corrigir, porque não tem como saber o que era pra estar escrito. bate até um desespero...

então se tem uma coisa que eu deixo de “dica” pra quem tá no ensino médio é LEVA AS AULAS DE PORTUGUÊS A SÉRIO! a redação tem um peso absurdo no vestibular, não adianta nada saber equação do segundo grau se seu texto vai ser tão ruim que cê vai perder sua vaga, né? -_-

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

memória olfativa e seus mistérios

as adversidades da vida acabaram me afastando da minha madrinha, já faz muitos anos que a gente não tem contato uma com a outra. as lembranças que me restam da época em que passamos juntas são bem pontuais, já me esqueci de muita coisa (por exemplo, lembro de estar passando a novela o cravo e a rosa em um dia em que eu estava na casa dela, mas já não sei mais o que fizemos além de ver tv). eu não consigo mais lembrar de quase nada. nem do som da voz dela, nem de como ela estava vestida da última vez em que a gente se viu. nada.

até que esses dias a memória dela voltou nítida pra mim. sem mais nem menos, a imagem da minha madrinha brotou na minha mente assim que uma aluna sentou do meu lado. a princípio eu não entendi. elas não se parecem fisicamente, não têm o mesmo nome, a mulher nem falou nada que pudesse ser relacionado à minha madrinha. mas ainda assim a lembrança dela me atingiu em cheio.

a única coisa que eu consegui pensar foi que o cheiro de cigarro que a aluna exalava devia ser o mesmo da minha madrinha. e eu nem sabia que ela fumava (minha mãe confirmou que sim).

as bifurcações pelo caminho nos fizeram andar pra lugares diferentes (não a culpo por ter se distanciado e nem me culpo por ter aceitado isso tão bem), mas pelo visto ela continua comigo. fiquei feliz de constatar que ainda guardo um pedacinho dela tão presente dentro de mim - mesmo que ele esteja relacionado ao cheiro do cigarro, algo que eu não suporto.

madinha: onde quer que você esteja, espero que esteja bem. <3

quarta-feira, 26 de julho de 2017

eu caí no golpe do instagram

convenhamos que já faz muito tempo que eu tô na internet né, gente (não que fosse tudo mato quando eu cheguei, mas ainda era um lugar relativamente em construção). então me custa um pouco admitir que eu caí no golpe mais ridiculamente detectável de todos os que existem nessa famigerada rede mundial de computadores: o da vida perfeitamente feliz.

não é de hoje que a gente sabe que não dá pra confiar em tudo que a gente vê online, ainda mais no instagram. mas mesmo assim eu me deixei enganar. o twitter tá aí pra gente reclamar da vida, o facebook é um lixão a céu aberto, mas o instagram é uma desgraça!!! porque ali ninguém posta foto feia, ninguém coloca a parte ruim. é só comida gostosa, roupa bonita, role legal, viagem.. 

e que quantidade absurda de viagem, hein? eu fico com a impressão de que sou a única pessoa da história do brasil que tá em casa, absolutamente todas as outras tão viajando e se divertindo e conhecendo um monte de lugar lindo enquanto eu tô presa nessa rotina bosta de trabalho. 

só que a parte bizarra é que EU SEI que a vida de ninguém é assim tão maravilhosa. eu mesma só posto no instagram o que eu considero legal, não coloco foto minha em pé no ônibus às 20h30 chorando de fome. tem foto minha e do boy cheios de amor, tem selfie bonita de quando a autoestima tava alta, tem foto antiga de quando eu tava pagando de gatinha na praia. mas foto minha perdendo mais de uma hora no banco pra resolver um problema com o cartão é claro que não vai ter. a regra implícita do instagram é que ali a gente só expõe a parte boa.

e ainda assim, mesmo tendo plena consciência disso, eu fico mal vendo as fotos. mesmo que o meu próprio feed só tenha a parte bacana. parece que a vida de todo mundo é muito mais legal, muito mais interessante, muito mais divertida. a galera tá dando role na europa, tá conhecendo o brasil, tá indo pra restaurante caro. e eu tô na mesa do trabalho rolando as fotos e curtindo todas (todas mesmo, sou dessas que dá like indiscriminadamente) com aquele sentimento amargo de "não é possível que só eu tenha essa vidinha mais ou menos". 

já diria o ditado: todo mundo vê as pinga que eu bebo, mas não vê os tombo que eu levo. o problema é que, nesse momento, o que eu sinto é que só eu levo tombo. parece que a vida das pessoas só tem a parte da pinga. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

sobre o que realmente importa

eu sou 100% meninas que não conseguem viver o presente e ficam pensando incessantemente sobre o futuro (ansiedade né, que coisa boa), então é óbvio que eu já tenho um milhão de planos - e que eu não tenho necessariamente a pretensão de colocar todos eles em prática, porque sou ansiosa mas não sou tão trouxa assim e já me basta de decepção nessa vida. 

daí que eu separo esses planos em algumas categorias. tipo: "meta de vida", "seria muito legal mesmo se de repente isso acontecesse em algum momento", "farei quando terminar a faculdade", "quero antes dos 30", e coisa e tal.

um dos meus planos pra um futuro de preferência próximo (digamos que a categoria desse seja "o mais rápido possível mas tudo bem se for daqui a alguns anos a vida é assim mesmo") é pegar minha mochilinha, dar a mão pro boy e caçar um cantinho pra chamar de nosso em algum lugar longínquo desse mundão de meu deus. e na verdade nem precisa ser tão longínquo assim, ali no uruguai eu já me dou por satisfeita, mas o plano é que o nosso cantinho se encontre em terras estrangeiras. 

preciso fazer um adendo pra dizer que amo d+ a minha terrinha, então mesmo querendo muito ir morar fora (porque afinal de contas o mundo é muito grande e não tem a menor graça passar a vida inteira no mesmo lugarzinho sendo que tem tanta coisa incrível pra ver por aí) eu pretendo voltar obviamente pois brasilzão véio de guerra melhor país de todos apesar dos apesares etc etc etc.

eis que eu e o digníssimo senhor boy estávamos conversando sobre como seria a nossa vida morando em outro país e começamos a pensar em coisas sérias, tipo como a gente ia fazer pra pagar as contas, que tipo de visto a gente ia precisar pra entrar nesse tal outro país e ficar morando lá ("mas será que já dá pra entrar com visto de trabalho sem ter um trabalho antes???"), esse tipo de coisa. até que a gente se deparou com a maior das nossas agruras e já começamos a pensar em soluções pra superar esse transtorno, mas ainda não sabemos como driblar de vez esse obstáculo.

no momento a nossa maior preocupação é: E O PÃO FRANCÊS? COMO QUE A GENTE VAI VIVER SEM PÃO NA CHAPA DE MANHÃ MEU DEUS DO CÉU ISSO NÃO VAI SER NADA FÁCIL

porque convenhamos que não ter como se manter em outro país é um problema grave, mas não ter aquele pãozinho francês esperto pra matar a fome de manhã é um problema GRAVÍSSIMO!

sábado, 15 de julho de 2017

torta de climão

título alternativo: o dia em que três adultas não deram conta de convencer uma única criança de 5 anos

eu falei no post sobre a nina (melhor pessoinha que esse mundo já viu) que eu dou aula pra ela e pra giovanna, né? só que agora a nina já tá toda independente, não precisa mais de atenção exclusiva, ela senta junto com os outros alunos e eu faço meu trabalho normalmente, só fico do lado dela porque afinal de contas a menina tem 6 anos e ainda precisa de auxílio em alguns momentos.

mas a giovanna ainda tá um tantinho longe de atingir esse mesmo grau de independência. ela ainda senta separada e eu preciso ficar unicamente com ela, porque tem dias que nem no lápis a criança quer pegar direito. mas enfim, não entrarei em muitos detalhes sobre isso porque senão eu fico nervosa hahaha

o fato é que as duas tem aula de terça feira. a gi vem as 16h e a nina vem as 17h. as duas fazem inglês e matemática aqui na escola, mas elas não se encontram. enquanto uma tá no inglês, a outra tá na matemática. só que nessa ultima terça a nina precisou vir mais cedo e ninguém se deu ao trabalho de avisar essa mudança pra nós, professoras do inglês (organização mandou dois beijos!), então as duas chegaram ao mesmo tempo, as 16h.

pra facilitar a vida de todo mundo, falei com a coordenadora pra trocar o horário da matemática da giovanna - a nina já tinha feito, então não tinha como alterar nada dela. a coordenadora concordou e a professora da matemática foi comigo buscar a gi, mas a criança simplesmente se recusou a ir. não queria fazer matemática de jeito nenhum, tinha que ser o inglês primeiro. a mãe dela - que também faz aula - simplesmente se limitou a dizer “ah, ela é assim mesmo, bem sistemática”. e depois fez a pêssega, fingiu que a criança não era filha dela e fez a própria lição bem linda enquanto a menina causava um climão.

já que ela não queria fazer a matemática, a professora se ofereceu pra acompanhar a giovanna no inglês mesmo - assim eu conseguiria corrigir a lição dos outros alunos e a outra professora do inglês não ficaria sobrecarregada (tá difícil de entender como funciona a escola né, eu sei, às vezes nem eu entendo). pois a criança se recusou de novo. tinha que ser inglês primeiro e tinha que ser comigo, não aceitou fazer com a outra professora dela. pra vocês terem uma ideia, nem respondendo mais ela tava. parecia que a criança tinha travado, uma coisa meio piripaque do chaves e tal.

daí a coordenadora da escola tentou intervir conversando com a giovanna, mas não teve jeito de convencer a criança. no fim das contas a gente fez o que ela quis: primeiro a aula de inglês e comigo, sem ninguém pra atrapalhar. e, por incrível que pareça, esse foi o dia em que ela mais produziu. e ainda ganhei um abraço no final da aula. NÃO ENTENDI NADA.

é por causa dessas coisas que eu repenso umas milhões de vezes a minha vontade de ser mãe. se lidar com o filho dos outros já é difícil, imagina com a minha própria cria??? porque a criança alheia a gente devolve pros pais quando a coisa complica, mas a nossa não dá pra mandar embora, né? foda.