quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

sobre aquilo que sp não pode me dar

faz quatro anos que, pelo menos uma vez por ano, eu viajo pra uma cidade no paraná que é muito, muito, mas muito do interior. tipo muito mesmo. é uma cidade tão pequena e tão do interior que ela tem a mesma quantidade de habitantes que o condomínio em que o meu namorado mora aqui em sp, pra vocês terem uma noção. normalmente viajo pra lá pra passar o natal, é bem rolezin de família mesmo.

falando nisso, posso dizer que uma parte da minha família mora lá - ainda que a gente não tenha nenhum laço sanguíneo. na verdade, eles são a família da esposa do meu irmão, mas como a relação da gente aqui de casa com o resto dos parentes não é lá das melhores, nós adotamos a família da minha cunhada. e, ainda bem, também fomos adotados por eles ♡ naquela casa, com aquelas pessoas, eu me sinto muito mais acolhida e muito mais à vontade do que com gente que divide o sangue comigo. acontece, né? já diria o ditado: parente não é família. definitivamente não.

além dessa cidade me proporcionar essa relação familiar, ela também consegue me deixar feliz de um jeito que eu não pensei que fosse possível: tem uma sorveteria que vende sorvete caseiro super gostoso e tão barato que nem parece verdade! o sorvete de palito feito com água é 50 centavos. CINQUENTA CENTAVOS! se for feito com leite é 80 - o picolé mais caro não chega a um real!!! duas bolas de sorvete de massa no copinho sai por dois reais. o milkshake de 400ml é quatro reais. SABE??? fui lá com o meu namorado e nós compramos uns 20 picolés + 1 sorvete no copinho + 1 sorvete de casquinha e deu R$ 17,50. NÃO DEU 20 REAIS MEU DEUS!! hasghagshg dias antes nós estávamos na praia, meu pai comprou 3 sorvetes de palito da kibon e pagou 19 reais (nunca me senti tão assaltada na vida, nem quando roubaram meu celular)........... pra coroar, lá vende o meu sabor de sorvete de massa preferido: sorvete de nata. aqui em sp a gente não encontra isso em lugar nenhum, então quando eu vou pra lá eu como até sair pelos olhos :)

o ápice dessa última viagem foi um dia incrível, cheio de coisa gostosa pra fazer: fomos na casa de uma tia da família, passar o dia na piscina. ficar na água num sol de 40º já seria maravilhoso por si só, mas como tudo que é bom ainda pode melhorar a dona da casa e as irmãs dela são daquele tipo de gente que gosta de encher a barriga das pessoas, sabe? bem tia do interior mesmo que faz um monte de comida boa e faz questão de ver todo mundo comendo até dizer chega. ou seja: nadei como se fosse uma sereia e comi como se não houvesse amanhã :) depois de passar o dia lá, fomos pra um bar numa cidadezinha ao lado, menor ainda do que essa que eu tava. e aí nós comemos mais um pouco, porque na minha família ninguém tem noção da hora de parar quando o assunto é comida ¯\_(ツ)_/¯

e pra fechar a noite com a chave mais de ouro possível nós fomos pra um lugar isolado, no meio da estrada, praticamente sem nenhuma iluminação em volta e vimos uma cacetada de estrelas. o céu tava tão, mas tão estrelado que parecia de mentira. eu nunca vi uma coisa igual! foi lindo, foi emocionante, foi surreal. e, como se já não bastasse, teve até estrela cadente ♡ tava tipo isso aqui:


peguei uma foto qualquer do google pra ilustrar, mas eu juro que o céu tava bem assim mesmo. o negócio foi tão bonito que num dá nem pra explicar 💖

eu sempre morro de tédio quando viajo pra lá e reclamo o tempo todo do calor e da falta do que fazer numa cidade tão minúscula (num tem nem semáforo e nem mcdonalds, gente, ceis tem noção disso????), mas me dá até um quentinho no coração quando eu paro pra pensar na quantidade de coisa bonita que esse lugar tem pra me oferecer. amo são paulo, mas minha cidade infelizmente não é capaz de me presentear com todo esse amor familiar, nem com sorvete delicioso e absurdamente barato e muito menos com esse monte de estrela maravilhosa. aqui a gente é obrigado a se contentar com pouco e ficar feliz por enxergar um mísero pontinho brilhante no céu :( num mundo ideal, eu teria tudo isso junto no mesmo lugar. como não é possível, eu fico aqui suspirando de saudade...

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

15. best teacher ever

preciso começar esse post com uma confissão: quando eu fui escrever, me deu o maior branco do mundo e eu esqueci nome do homem. daí entrei em desespero por conta disso e o meu cérebro ficou tão ocupado se preocupando com esse esquecimento que travou de vez e eu não conseguia lembrar de jeito nenhum!!! sabe aquele episódio do bob esponja em que a memória dele é apagada por completo, daí mostra os bob esponjas trabalhando dentro do cérebro dele (?) e vira tudo um caos porque eles não conseguem achar nos arquivos qual é o nome do próprio bob esponja? pois então:


provavelmente foi bem assim que as coisas aconteceram aqui dentro da minha mente. e no final dessa cena o cérebro do bob esponja ainda se parte ao meio, pra ficar mais parecido ainda com a minha situação. (esse desenho é tão maravilhoso!!!!!!!! <3)

o único nome que me vinha na cabeça era kevin, mas eu tinha certeza absoluta de que não era esse. eu também sabia que era algo parecido: um nome curtinho, duas sílabas, com o mesmo som do fonema /k/ etc. pra piorar, o bonitão do professor não tem facebook (ele disse que não gostava dessas coisas), então tive que entrar no perfil de outra professora, procurar fotos em que ele aparecia e torcer pra alguém ter comentado algo com o bendito nome dele. e num é que dei sorte? :D quando eu li o nome do professor me deu um misto de alívio e daquela sensação de "como é que eu pude esquecer uma coisa óbvia dessa meu deussss!!!" hahaha fiquei com vergonha real por ter esquecido, mas fazer o quê, né? ¯\_(ツ)_/¯ AH, é colin o nome dele ^^

***

o colin provavelmente foi a minha pessoa preferida no intercâmbio. cheguei na sala de aula apavorada, morrendo de vergonha dos colegas que eu não conhecia e morrendo de receio de falar alguma coisa errada e ser motivo de chacota (olha só a louca da baixa autoestima!). mas fui me acalmando aos poucos quando percebi que o professor era incrível. 

fazia piada o tempo todo, deixava todo mundo descontraído e super à vontade, sabia fazer a turma interagir e gostava de ver todo mundo se divertindo junto dentro da sala. afinal de contas, quando você tá num intercâmbio você quer ter a melhor experiência possível, né? ele tinha consciência disso e não poupava esforços pra arrumar atividades diferentes pra turma. assistíamos a um filme por semana, jogávamos algo diferente todo dia (de sexta feira era só jogo :D), aprendíamos um zilhão de expressões novas e de bobagens que você nunca vai encontrar nos livros das escolas de inglês por aqui... era legal de verdade ir pra aula desse cara.

daí teve um dia em que ele resolveu ser mais diferentão ainda: o professor cismou que "a sala não tava no clima pra aula" e levou todo mundo pro bar HAHAHAHA parece fanfic, eu sei, mas eu juro que é real! o esquema lá na escola era assim: a gente tinha aula com o mesmo professor a manhã inteira (as turmas eram separadas por nível) e o aluno podia ou não incluir aulas optativas no período da tarde, provavelmente com outro professor. a gente tinha um intervalo curtinho durante a manhã pra tomar café, depois tinha a pausa pro almoço que era um pouco mais longa e aí eu tinha mais duas aulas depois disso (uma ainda com o colin e então tinha a optativa - a minha era pra melhorar pronuncia, aprendi bastante coisa legal).

nessa aula pós almoço o colin normalmente passava algum jogo pra gente (foi aí que eu conheci cards against humanity, inclusive recomendo!), então era bem descontraído. daí que teve um dia que a gente voltou pra sala e ficamos lá conversando esperando todo mundo chegar - normalmente alguém se atrasava - até que todo mundo voltou e o professor não retomou a aula. em vez de dizer qual seria a nossa atividade, ele disse "hoje tá meio sem clima pra aula né, gente? e se a gente for no bar aqui do lado?" HAHAHAH meu deus, que homem!!!!

não lembro direito agora qual foi a reação dos alunos, mas sei que eu fiquei meio incrédula. dei risada, achei engraçadinho, mas não pensei que ele estivesse falando sério. até que o maluco do professor veio com um plano pra sala toda conseguir sair da escola sem que a coordenadora visse, porque ele precisaria avisar caso quisesse levar a turma pra uma excursão e digamos que ir ao bar não era exatamente o tipo de atividade que a escola estava acostumada a realizar durante o período das aulas (mas de noite sim hahahahaha).

o bar (que era tipo um restaurantezinho, na verdade) era vizinho da escola, tipo lado a lado mesmo. saímos todos (mais ou menos uns 10 alunos) de fininho, tentando não fazer barulho, dando um jeito de não chamar a atenção de ninguém etc e sentamos todos juntos numa mesa ao ar livre. pra ficar tudo ainda mais incrível, o colin ainda pagou uma bebida pra cada um <3 hahahahaha como eu sou uma pessoa muito cagona dentro da lei e ainda não tinha atingido a maioridade lá no canadá (eu tinha 18, lá é 19), acabei pedindo um suquinho de boas mesmo, mas obviamente teria sido muito mais divertido ingerir bebida alcoólica às custas do meu professor hahaha




essa foto é do dia da minha "formatura" no intercâmbio (olha o certificado ali na mão dele!). a gente tava rindo por um motivo específico, mas dar risada ao lado dele era algo muito natural. com ele eu me sentia confortável, era uma convivência muito boa, dava uma sensação de segurança mesmo ter alguém tão "amigável" (por falta de palavra melhor) ali comigo. sinto saudade de verdade desse cara pirado que me fez levantar, ir até o meio da classe e mostrar minha tatuagem pra sala toda só porque ele achou muito bonitinha quando viu :') hahaha

sábado, 14 de janeiro de 2017

o melhor do brasil é o brasileiro

esses dias eu tava pensando que 2016 foi um ano horrível no geral, mas que foi bom pras pessoas individualmente. então eu tentei fazer uma listinha mental das coisas felizes que me aconteceram e acabei lembrando de um acontecimento tão maluco e inusitado que acabou sendo um dos momentos mais legais do meu ano. senta que lá vem história! :)

bom, minha faculdade entrou em greve no ano passado e, por mais que a gente já esteja bem acostumado com isso, acaba atrapalhando todo o esquema do semestre, né? tanto é que meu último trabalho foi entregue no dia 20 de dezembro....

aliás, dezembro foi um mês meio esquisito. tive aulas até a metade do mês, mas algumas vezes fui pra faculdade só pra entregar trabalho, por exemplo (não gosto nem de lembrar que eu acordava cedo, gastava passagem e atravessava a cidade de transporte público só pra entregar um negócio que eu poderia muito bem mandar por email!!!).

daí teve esse dia que eu fui só pra entregar meu trabalho de literatura brasileira e não ia ter nenhuma aula. pra não rolar esse sentimento horrível de "saí de casa as 6h e fiz tudo isso pra NADA", eu e uma amiga maravilhosa (beijo, letícia, melhor pessoa do mundo!) combinamos de passar um tempo juntas, comendo alguma coisa gostosinha em algum lugar qualquer daquele campus enorme e conversando pra matar o tempo. o plano era entregar o trabalho às 08h e pouco e pegar o ônibus das 10h30 pra irmos embora (ou seja, ficar na faculdade durante o tempo de uma aula, pelo menos).

como a gente fala sem parar e não tem muita noção do tempo, não prestamos muita atenção nos horários e acabamos perdemos o ônibus das 10h30. essa linha que a gente pega é absolutamente horrorosa, então tivemos que esperar até as 11h pra conseguir pegar o próximo. e isso foi apenas a melhor coisa que a gente podia ter feito nesse dia :D

entramos no ônibus, sentamos uma do lado da outra e continuamos conversando normalmente. até que eu ouço a cobradora falando "moço, seu ponto é o próximo, tá? moço. moço!!" e absolutamente ninguém tava respondendo. por um momento cogitei pensar que a mulher tava doida, mas resolvi fazer como todas as outras pessoas dentro do ônibus e comecei a olhar pra todos os lados, procurando o indivíduo que deveria descer no próximo ponto porém estava obviamente cagando pra essa informação. até que eu avistei um cara dormindo. como todas as outras pessoas (TODAS MESMO) estavam cientes da situação, só podia ser ele o bendito.

quando chegamos no tal ponto, a cobradora pediu pra alguém acordar o cara. ele ficou tão assustado que deu um pulo no banco e desceu correndo, só deu tempo de agradecer mesmo. o problema é que ele largou uma CAIXA ENORME dentro do ônibus. por um segundo também cogitei pensar que ele tivesse deixado uma bomba ali dentro e que eu ia morrer num atentado terrorista, mas abandonei rápido essa ideia pra evitar uma crise de ansiedade sem fundamento algum. além disso, a caixa tinha desenhos natalinos. era obviamente uma cesta de fim de ano.

como o brasileiro é um povo muito amigável quando quer, assim que as pessoas perceberam que o homem desceu do ônibus claramente atordoado de sono e esqueceu mesmo o pacote lá dentro, elas começaram a gritar pra ele. metade do ônibus gritava "MOÇO CÊ ESQUECEU SUA CAIXA!!!" e a outra gritava "MOTORISTA PARA O ÔNIBUS!!!", porque a gente já tava andando de novo. e o homem da caixa tava correndo pela calçada e balançando os braços, tentando alcançar o bus. e eu tava achando a situação tão com cara de zorra total que não consegui nem processar tudo a tempo de falar também, só fiquei quietinha e incrédula olhando aquele momento de empatia geral.

daí o motorista percebeu a comoção dos passageiros e parou mesmo. ele abriu a porta traseira do ônibus, o cara entrou, pegou a caixa, deu uma risadinha meio sem graça, disse "acho que eu tô com sono ainda. brigado, pessoal!" e desceu dando tchauzinho com a mão. E ME DEU UMA CRISE DE RISO TÃO ABSURDA QUE EU CHOREI E FIQUEI COM DOR NO DIAFRAGMA.

que momento, meus amigos. fiquei feliz pelo resto do dia de tão maravilhoso que foi isso. é por essas coisas que eu ando de transporte público! (e também porque não tenho carro e, mesmo se tivesse, eu não dirijo. mas prefiro pensar que é pra poder presenciar esse tipo de situação absurda mesmo ^^) 

sábado, 7 de janeiro de 2017

balanço das leituras de 2016

2016 foi um ano louco e cheio de coisa! cursei um montão de matéria na faculdade, fiz estágio até outubro, viajei algumas vezes, ajudei a cuidar da minha vó uma vez por mês, saí com os amigos sempre que possível, vivi agarrada no meu namorado e ainda assim consegui enfiar 55 livros aí no meio disso tudo :) nem todos esses foram lidos até o fim, mas digamos que eu tenha lido uma média de 1 livrinho por semana durante o ano. não sei vocês, mas esse número me deixa feliz pra caramba!

os livros apareceram aqui no blog divididos por semestre. pra conferir cada post separado, é só clicar nos links:






como deu pra perceber pelas imagens acima, o primeiro semestre do ano foi o mais fraquinho, mas acho que deu pra compensar bem no terceiro semestre :) além de anotar quais os livros lidos, também fui anotando outras informações a respeito da leitura (ano de publicação, se a autoria era feminina ou masculina, se era literatura nacional ou não... essas coisas!). agora chegou a hora de conferir quais foram os resultados finais das leituras do ano inteiro ;)

já disse lá no comecinho do post, mas não custa repetir: admito que eu não concluí a leitura de todos os 55 livros que eu peguei pra ler em 2016. além disso, também não peguei pra ler só livros novos, já que eu sou bem fã de releituras e não abro mão de reler um livrinho ou outro sempre que possível. sendo assim, os números são:



eu não tenho nenhum pudor em abandonar livro quando eu acho que a leitura 1) não vai me acrescentar em nada 2) tá ruim demais mesmo e eu tô sofrendo à toa 3) não tô no momento certo da vida pra ler aquele livro e é melhor deixar pra tentar de novo depois. então até que só cinco livrinhos abandonados é um número bem pequeno, né? ainda mais se levarmos em conta que, desses cinco, vou dar outra chance pra pelo menos dois. também achei bom o número de releituras, deu pra conhecer bastante coisa nova em 2016. tomara que continue assim nos anos seguintes! 

em relação à autoria e ao suporte do livro eu já não fiquei tão feliz assim com os resultados...




é óbvio que ler no kindle é muito mais fácil (porque é super leve, dá pra levar pra cima e pra baixo na mochila sem pesar nas costas e cabe 837 livros no bichinho), mas é tão mais gostosinho e gratificante ler um livro físico :~ sem contar que eu tenho uma porrada de livro físico por ler aqui em casa, mas acabei passando os e-books na frente pela praticidade mesmo (já que o lugar em que eu mais consigo ler é no transporte público, então o kindle facilita muito a minha vida nesse quesito). quanto à questão da autoria eu não preciso nem falar, né? SHAME ON ME!!!!! em 2017 pretendo ler muito mais mulheres e conhecer várias autoras novas, porque eu comecei a fazer isso em 2016 e descobri muita mocinha maravilhosa escrevendo por aí! mas é sempre bom lembrar que dos cinco livros abandonados no ano só 01 deles foi escrito por uma mulher. fica aí a reflexão ;)

uma info que eu considero bem ~interessante~ é a datação dos livros que eu escolhi pra ler. já que eu curso letras, era de se esperar que eu me dedicasse mais às leituras antigas e renegasse um pouco os autores novos e não consagrados, já que a academia não faz nenhuma questão de abandonar as leituras canônicas em detrimento de coisas novas... mas digamos que, por mais que eu seja sim meio academicista em alguns aspectos dessa vida louca de beletrista (não consigo evitar, desculpa!), o cânon é algo que eu ignoro sem problema algum :D


olha que coisa linda essa quantidade enorme de livrinho escrito nos anos 2000, gente!!! eu sei que aqui eu nem preciso falar isso, mas fica um apelo pros meus colegas de classe - e pros professores, obviamente: DEEM UMA CHANCE PRA LITERATURA CONTEMPORÂNEA! tem muita coisa boa sendo escrita atualmente, é só a gente largar o preconceito pra lá e abrir a mente ;) ah, preciso dizer que me surpreendi ao descobrir que li mais livros escritos no século 19 do que livros escritos na primeira metade do século 20. vai entender... (antes que alguém me corrija, eu sei que o ano de 1900 ainda faz parte do século 19, tá? só tô simplificando as coisas, calma lá)

quanto à nacionalidade dos livros, eu também fiquei feliz (mas sei que ainda tenho muito a melhorar, é claro). gosto muito de literatura brasileira e acho sim que os nossos autores são subestimados, então também acho que faz parte do meu dever enquanto entusiasta ler a maior quantidade possível de livros escritos aqui na terrinha e, mais do que isso, sair indicando por aí essas leituras todas!!


olhando assim no gráfico os números não parecem muito positivos, né? mas se a gente abrir o número de leituras estrangeiras dá pra ver que, de longe, a literatura que eu mais li em 2016 foi a brasileira mesmo <3


quando eu disse que ainda podia melhorar nos números não era em relação aos livros nacionais, mas sim aos estrangeiros. li muita coisa escrita nos países de língua inglesa (não que eu pudesse evitar muito, já que faço faculdade de inglês né), mas não li nada escrito na ásia, por exemplo. pro ano que vem eu vou mudar isso. gosto muito de conhecer culturas novas e fazer isso por meio da literatura é o melhor jeito possível (obviamente que aqui estou desconsiderando viajar pra lugares novos e realmente imergir nessas culturas, porque não nasci milionária e nem ganhei na loteria). mas pra dizer que nem tudo foi perdido, fiquei feliz por ter lido literatura africana (não só de língua portuguesa, pra diversificar um tantinho mais) e por ter conhecido algo da literatura nórdica (que, por sinal, foi um dos melhores livros do ano! <3)

contando com os livrinhos abandonados pelo caminho, esse foi meu ritmo de leitura:


por mais que as pessoas aproveitem o tempo livre das férias pra ler mais, janeiro e dezembro foram os meus piores meses. mas setembro tá aí pra mostrar que, se eu tivesse me empenhado, dava pra eu ter aumentado esse número!

li as obras de 47 autores diferentes nesse ano. desse total, 38 foram autores novos, que eu nunca tinha lido antes :) li mais de um livro de 6 desses autores, sendo que quem apareceu mais vezes por aqui foi machado de assis - foram 4 romances do cara, isso sem falar dos contos aleatórios que eu li no segundo semestre. numa situação normal isso não teria acontecido, mas cursar uma matéria sobre ele na faculdade me obrigou a fazer essa loucura hahaha

já disse várias vezes aqui que abandonei 5 livros, mas percebi que não disse quais hahaha pra ninguém precisar ir caçar essa informação nos posts separados, eu digo aqui. foram eles, em ordem cronológica de ~abandono:

* Moll Flanders - Daniel Defoe (li 1/5 do livro)
* Gabriela, cravo e canela - Jorge Amado (menos de 20 páginas)
* Viva o povo brasileiro - João Ubaldo Ribeiro (1/5 do livro)
* Non-stop: crônicas do cotidiano - Martha Medeiros (só algumas crônicas)
* O Rei de Amarelo - Robert W. Chambers (li 4 dos 10 contos)

deixando esses de lado e focando nos 50 livros que eu concluí, vou listar os preferidos e os que eu menos gostei - também em número de 5, pra facilitar minha vida e deixar tudo padronizado. começando pelos piores menos amados do ano (também em ordem cronológica, de acordo com a sequência das minhas leituras):

* O Alquimista - Paulo Coelho
* O que a vida me ensinou - Mário Sérgio Cortella
* Transpondo barreiras - Sérgio H. Boudakian
* Pai rico, pai pobre - Robert Kiyosaki
* Memorial de Aires - Machado de Assis

e agora vem a cereja do bolo: os melhores livrinhos do ano!!! :D deixei de lado as releituras e escolhi esses aqui dentre os livros novos de 2016. novamente, estão aqui listados em ordem de leitura. vem aí o meu top five, que eu recomendo muito do fundo do coração porque são livros maravilhosos:

* Por lugares incríveis - Jennifer Niven <3
* Hibisco roxo - Chimamanda Ngozi Adichie <3 
* O outro pé da sereia - Mia Couto <3
* Eu, robô - Isaac Asimov <3
* Memória da água - Emmi Itäranta <3

e é isso! :) gostei bastante de dar uma de book blogger (?) e finalmente prestar atenção no que eu tô lendo, é um jeito muito bom de diversificar as leituras e de se forçar a conhecer coisa nova também. espero que eu continue no pique pra ler bastante em 2017, porque a pilha dos livrinhos não lidos aqui em casa não para nunca de crescer! ;)

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

livrinhos de 2016 - parte IV

PRIMEIRO POST DE 2017 AINDA É CONTINUAÇÃO DE 2016 (sou dessas, sorry) MAS LOGO MENOS EU VOLTO AQUI COM COISA ~NOVA~ ;)

* * *

acredito que a essa altura do campeonato todo mundo já deve saber do que se trata esse post, mas pra você que chegou aqui por agora e não tá entendendo nada, eu explico: esse ano (2016, no caso) eu resolvi anotar os livros que eu li e compartilhar aqui no blog. pra conferir as minhas leituras de janeiro até setembro, clica nos links aqui de baixo:

parte I, parte II e parte III :)


OUTUBRO (5 livros e 1 tentativa)
 O Quinze - Rachel de Queiroz (1930)
como eu li um número muito alto de autores homens no trimestre passado, nada mais justo - e necessário - do que começar a quarta e última parte das leituras desse ano com uma autora mulher e, melhor ainda, brasileira. eu não conhecia a rachel, mas um professor de literatura disse pra gente que ela era ótima e eu resolvi dar uma chance. achei o livro uma delícia de ler! a história é pesada, fala sobre seca, sobre fome, sobre morte... mas eu gostei bastante. não é nada que mereça um nobel da literatura né, mas acho que essa autora merecia mais reconhecimento! 💕

 Wuthering Heights - Emily Brontë (1847)
ganhei uma edição bilíngue desse livro de uma amiga maravilhosa (fefa, te amo!) e comecei a ler em português mesmo, mas lá pra 20ª página eu senti que, já que eu tinha o texto original em mãos, eu tava obviamente fazendo uma escolha péssima ao ler a tradução e decidi recomeçar. demorei um pouco pra terminar, porque peguei um bodezinho da história quando tava faltando mais ou menos um terço das páginas pro livro acabar, mas até a metade da leitura eu tava apaixonadíssima e querendo engolir esse livrinho hahah meu problema foi com as personagens, que me irritaram num nível absurdo e, consequentemente, me deixaram cansada da história, mas do livro em si eu gostei! ah, eu realmente achei muito melhor ter lido em inglês mesmo, mas preciso confessar que tive uma dificuldade imensa em ler o sotaque de algumas personagens - era pior do que ler o hagrid no original! hahah

 Esaú e Jacó - Machado de Assis (1904)
esse livro também faz parte da lista de livros do machado pedidos pelo professor de literatura brasileira. antes de eu começar, perguntei pra uns amigos da faculdade se eles tavam gostando e, pra minha tristeza, todo mundo odiou a leitura (alguns inclusive desistiram no meio). comecei a ler cheia de receios e fiquei bem surpresa, porque eu tava gostando até que bastante da narrativa. aí cheguei num ponto em que eu entendi todas as críticas e inclusive passei a concordar com elas. no começo eu lia com prazer, da metade pro final eu tava lendo só pra terminar mesmo, não tava aproveitando exatamente a leitura. de qualquer forma, continuo achando que machado é um escritor absurdo de bom e sinto vontade de casar com todos os narradores que esse cara foi capaz de criar! (mas não recomendo a leitura não, foca em memórias póstumas e em dom casmurro que é muito mais sucesso!)

 Mornas Eram as Noites - Dina Salústio (1994)
livrinho de contos/crônicas que eu conheci nas minhas aulas de literatura cabo-verdiana. é um livro bem curtinho e gostoso de ler, apesar de serem textos bem densos e bem pesados. a maioria fala sobre a realidade da mulher e sobre diferentes tipos de relacionamento (mãe e filho, marido abusivo, amigas..) e a ótica do livro é feminista. ou seja, foi puro amor! 💕

 Non-stop: crônicas do cotidiano - Martha Medeiros (2001)
eu gosto bastante de crônicas, então peguei esse livrinho emprestado na estante da minha mãe (inclusive ele tá todo marcado, cheio de asteriscos nos textos que ela gostou mais <3). por algum motivo eu não curti tanto assim e nem li todas as crônicas, abandonei o livrinho. fiquei meio entendiada, sei lá. não sei se eu captei muito bem qualé que é a da martha.. hahaha

 Água Viva - Clarice Lispector (1973)
eu tenho um probleminha com a clarice, num consigo entrar muito nessa vibe dela. quis largar o livro em diversos pontos, mas não consegui. li até o final, senti o maior desconforto do mundo, mas achei muito bonito. vai ver a intenção dela era realmente deixar o leitor desconfortável, né? ;) eu não gostei muito da leitura, mas só porque não é o meu tipo de livro. tenho certeza que muita gente por aí deve ter fascinação por essa narrativa maluca e profunda e confusa. então é aquela coisa né, se você gosta muito de fluxo de consciência e se não se importa em ler um livro sem enredo, vai que é sua :)


NOVEMBRO (6 livros)
 Equador - Miguel Sousa Tavares (2003)
livrinho do amor que eu li pra aula de literatura portuguesa desse semestre! fiz um post sobre ele, clica aqui caso você ainda não tenha visto o que eu disse sobre esse calhamaço em forma de romance histórico :D mas oh: vale a pena encarar essas 500 páginas, te garanto 💕

 Como Quebrar a Maldição de um Dragão - Cressida Cowell (2006)
eu já falei pra aqui em algum momento que eu gosto d+ dessa série? pois teje dito! :) esse é o quarto volume da coleção (são 12 no total hahaha) e eu já tinha lido antes, mas faz muito tempo. como eu só comprei os próximos agora, depois de +- umas 3 décadas, reli pra poder continuar a história. o livro é uma gracinha, mas é bem infantil né, então não é aquela leitura edificante que muda vidas, é só uma historinha bem legal sobre um menino viking que consegue superar todas as barreiras possíveis e imagináveis daquele mundo maluco cheio de dragões :D hahaha é o meu preferido da série até agora 💕

 Memorial de Aires - Machado de Assis (1908)
dói meu coração falar uma coisa dessas, mas sinceramente... que livro chato da porra!!! machado, meu amô, vamo conversar!! se por um acaso o senhor resolver voltar à vida por um único dia, ME PROCURA, pelo amor! eu pre-ci-so que você me explique qual a necessidade desse livro, o que cê tava pensando quando escreveu essa caceta... sabe? me ajuda a te entender, porque não tá dando pra defender não....... gente, foca em dom casmurro e em brás cubas mesmo, esse aqui deixa pra lá! -_-

 Harry Potter e o Enigma do Príncipe - J. K. Rowling (2005)
esse é meu livro preferido da saga, acontece tanta coisa pesada e importantíssima pro desenrolar da história - e pra esclarecer coisas passadas, é claro! - que eu fico até triste de perceber o quanto a adaptação pro cinema foi fraca (é divertido, eu sei, mas que adaptação mais ou menos, hein? -_-). demorei bastante pra terminar de ler, porque é um livro muito pesado pra ficar levando na mochila.. mas se eu tivesse hoje em dia o mesmo tempo livre que eu tive quando peguei o enigma do príncipe pela primeira vez, eu provavelmente teria terminado em menos de dois dias de novo 💕💕

 Memória da Água - Emmi Itäranta (2012)
não sei como eu descobri esse livro, não lembro se vi algum booktuber indicando, ou se simplesmente achei a capa bonita e quis descobrir o que era. talvez eu tenha me interessado porque achei o nome dessa autora muito bonito também, vai saber.. só sei que: MEU DEUS DO CÉU QUE LIVRÃO DA PORRA 💕💕 a história é linda, linda, linda! enquanto eu lia, eu senti um zilhão de emoções diferentes, é uma loucura. e dá muita vontade de terminar logo, pra saber o que raios vai acontecer com a personagem principal e com as pessoas que tão ao redor dela. ai, gente, sério.. é um dos meus preferidos do ano todinho! LEIAM, PELO AMOR <3

 Felizmente, o Leite - Neil Gaiman (2016)
livrinho infantil lido em uma única viagem de ônibus pra fechar o mês com um quentinho no coração maior ainda (não que precisasse, já que o livro anterior foi apenas maravilhoso!). a história é super divertida e as ilustrações são incríveis!!! fica a dica real pra quem tá querendo presentear alguma criança com um livro, mas não sabe qual comprar ;)


DEZEMBRO (1 livro e 1/2)
 Meu Pé de Laranja Lima - José Mauro de Vasconcelos (1968)
sempre ouvi falar desse livro e peguei pra ler com certa expectativa, o que me deixou meio decepcionada. eu não sabia o que esperar dele, mas como as pessoas falavam bem, eu esperava bastante. daí quanto mais eu lia, menos eu entendia como podiam achar esse livro tão maravilhoso. quando eu abri mão das expectativas, passei a gostar mais da leitura e, no fim das contas, achei a história legal - apesar de ser bem pesada. o livrinho é meio nota 6 né, sem nada de muito incrível arrebatador ladrão de corações, mas é ok!

 O Rei de Amarelo - Robert W. Chambers (1895)
esse livro é uma loucura????? hahahaha é uma coletânea de contos fantásticos de terror e a ideia no geral é muito boa! tem um livro fictício dentro desse livro que impulsiona pelo menos os quatro primeiros contos, parecia super promissor, eu tava até com medo de ler (pq sinceramente sou a pessoa menos corajosa que existe no planeta terra ^^) mas desisti da leitura depois do quarto conto... as histórias são boas, são bem escritas, cê fica ansioso querendo saber o que vai acontecer depois etc mas não me envolvi tanto, aí não quis continuar. mas fica a dica pra quem gosta desse tipo de conto, sei que tem muita gente por aí que acha esse livro incrível!




e os resultados parciais desse trimestre são:

livros terminados 12 x 2 livros abandonados
 literatura brasileira 6 x 8 literatura estrangeira (1 cabo-verdiano, 1 finlandês, 1 português, 1 americano e 4 ingleses)
 livros lidos no kindle 9 x 5 livros físicos
 autoras mulheres 8 x 6 autores homens
 releituras 2 x 12 livros novos

depois eu volto aqui com um resumão das leituras de 2016 e com os resultados finais, pra gente descobrir quais foram os vencedores de cada categoria ;)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

segue o baile

a vida é um troço muito louco, né? 

olha, sinceramente, eu bem podia parar ali naquela primeira frase mesmo e isso já seria mais do que suficiente... porque é isso aí né, a gente sabe que é tudo uma loucura e não precisa acrescentar mais nada. normalmente a gente até continua vivendo em paz sem sequer atinar no absurdo que é essa coisa de viver em paz em meio a tanto caos. parece que nós já estamos tão acostumados e enfrentar quinze leões por dia que um a mais ou um a menos não faz a menor diferença, é só continuar seguindo em frente. mas quando acontece um monte de coisa pesada ao mesmo tempo, é difícil continuar trabalhando no piloto automático e não tirar pelo menos uns minutinhos pra pensar a respeito da loucura que é isso aqui (e, consequentemente, dar uma surtadinha básica).

porra, que ano de merda que foi 2016. e ainda tem dia pra cacete até ele chegar no fim, hein? dá arrepio só de pensar na quantidade de coisa ruim que ainda pode acontecer até a gente finalmente dar as boas-vindas pra 2017. há quem tenha explicações pra isso (seja por algum alinhamento qualquer nos astros, ou porque jesus tá voltando, ou por qualquer outra possível razão)... eu particularmente não tenho nenhuma opinião formada a respeito dos motivos, só tenho plena consciência de que não tá sendo fácil pra ninguém. e também acho que é fácil demais culpar o ano e ignorar que a culpa de tudo o que acontece nesse planeta esquisito aqui é inteiramente nossa, da raça humana, essa raça absurda que só sabe se desgraçar cada vez mais. é muito ingênuo culpar o ano que passou e esperar que no próximo tudo seja diferente, mas continuar agindo 100% igual, né? e a gente ainda tem a capacidade de se surpreender quando percebe que tudo continua a mesma bosta, é impressionante.

não sei vocês, mas por aqui às vezes fica difícil de ver o lado bonito dessa loucura toda. requer um baita esforço conseguir parar e reparar nas coisas que fazem isso tudo valer a pena. aliás, parece até errado parar pra ver um arco-íris enfeitando o céu depois de um acidente triste desses tipo o da chapecoense. por mais que essa seja justamente a hora de desacelerar, olhar pras coisas boas e agradecer, parece pequeno demais pensar em pequenas felicidades pessoais diante de tanta coisa ruim acontecendo por aí. tá tudo muito errado mesmo, principalmente dentro da gente. é só depois de tragédia, depois de perceber que a gente não controla porra nenhuma, que a gente para pra valorizar tudo de bonito que a vida tem pra oferecer.

é triste que a vida seja assim tão curta, que tudo possa mudar em uma fração de segundo e que a gente não tenha como mudar isso de jeito nenhum. mas com certeza é mais triste ainda não dar o devido valor a tudo isso. a vida é uma loucura, disso todo mundo sabe. mas será que todo mundo sabe que dá pra gente tentar se melhorar um pouquinho mais a cada dia que passa, pra tentar fazer essa experiência maluca aqui na terra ser mais fácil pra nós mesmos? queria poder dizer que as coisas vão ficar mais leves no ano que vem, que essa confusão toda vai passar, que a gente vai sofrer um pouquinho menos... mas não tenho como afirmar uma coisa dessa. ninguém tem. a única coisa que a gente pode fazer agora é seguir em frente e esperar pra ver se 2017 vai ser tão duro de engolir quanto 2016.

(despejei tudo pra fora sem me preocupar com coerência coesão e concordância. mas não acho que isso seja o mais importante agora né, convenhamos... bom, provavelmente eu só volte em 2017 mesmo. se você continuar por aqui até lá: é nois! brigada mesmo <3) 

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

nem só de livros clássicos se faz a letras

título alternativo: da vez em que eu li um romance best-seller escrito em portugal nos anos 2000 pra uma das minhas matérias do terceiro ano de graduação no curso de letras da usp <3


logo no primeiro semestre do curso nós somos recebidos pelos professores de introdução aos estudos clássicos com uma voadora bem no meio do peito e estudamos, entre outras coisas, a ilíada, a odisseia e a eneida - três poemas épicos assustadoramente grandes datados lá da antiguidade clássica - que é pra gente já perceber logo de cara que gostar de ler harry potter e afins não é e nem nunca será suficiente pra você ser feliz cursando letras. a maioria dos professores realmente tem a mente fechada pra toda e qualquer literatura que não faça parte do cânone, o que significa que a gente tá fadado a estudar eternamente os mesmos livros, os mesmos autores, os mesmos poemas etc. só o que é consagrado pela crítica, só o que é considerado "literatura de alto padrão". inclusive uma professora minha bem da pretensiosa fez questão de dizer em aula que "sequer se esforçou pra decorar o nome de uma autora brasileira aí que escreve uns livros pra meninas adolescentes porque não vale a pena gastar memória com esse tipo de livrinho". será que com doze anos essa professora já lia guimarães rosa e virginia woolf por um acaso? -_-

mas como nem tudo está perdido, a gente também encontra uns professores menos escrotos que trabalham com autores e obras diferentes pra dar uma diversificada no curso. por exemplo, os escritores contemporâneos (dos anos 70 pra cá), tipo o saramago, são o tema das aulas de literatura portuguesa desse semestre :) a proposta do trabalho final pra essa matéria é: a professora separou 13 livros escritos nesse período e nós temos que escolher um deles e fazer uma análise. ela não vai trabalhar nenhum desses livros em aula, então a escolha é totalmente subjetiva. primeiro eu decidi que queria algum de autoria feminina, mas comecei a pesquisar e vi que seria ou impossível ou muito caro pra conseguir comprar um daqueles livros. quando desisti de ler uma mulher, decidi que queria algum livro escrito nos anos 2000, pra compensar a quantidade de leitura antiga que a gente faz naquele curso hahaha eu não conhecia nenhum dos autores, então o que me fez escolher finalmente o meu livro foi a capa HAGSHDAGH

quem tá acompanhando meus posts de leituras por aqui já sabe que eu realmente sou ridícula assim mesmo e me deixo conquistar por uma capa bonita né, não adianta eu tentar enganar ninguém. mas olha só que coisa mais bonita do mundo, gente, não dava pra resistir mesmo:

eu comprei o livro no sebo e, infelizmente, a capa da minha edição não é tão legal assim..


preciso admitir que eu tava tão desesperada pra escolher logo (porque afinal de contas o tempo tava passando e eu precisava ler o livro) que só fui atrás de ler a sinopse DEPOIS de comprar hahahaha sim, eu sei, esse é um erro de principiante, mas eu não consigo parar de errar!!! :~ quase chorei quando li que a história se passa em 1905 e que o personagem principal é convidado pelo rei de portugal a governar as ilhas de são tomé e príncipe. depois descobri que esse era o primeiro romance desse escritor, que na verdade é jornalista. e, pra fechar com chave de ouro, o livro tem mais de quinhentas páginas. eu tava quase desmaiando de desespero, pensando no quão equivocada tinha sido essa escolha, até que eu li o livro e: GOSTEI PRA CARAMBA!!! :D

foi uma surpresa muito feliz, de verdade. um livro tão grande e com essa trama política (e que eu deveria ler até o final obrigatoriamente) tinha absolutamente tudo pra dar errado, mas no fim das contas esse foi um dos livros que eu mais gostei de ler pra faculdade até hoje :) a história é bem envolvente, acontece uma cacetada de coisa que você fica "AI MEU DEUS E AGORA" e não consegue parar de ler, o final me deixou 100% impactada, enfim. se você se interessa por história e gosta de ler romances que reescrevam os fatos históricos, esse livro é sucesso! fala sobre o colonialismo português, sobre o regime escravagista que continuou mesmo após a abolição, sobre os interesses dos grandes proprietários e tal. eu recomendo bastante! mas deixo aqui um aviso, porque fui pega de surpresa: caso você seja assim absolutamente pudico, se prepara porque tem umas cenas de sexo com umas descrições bem explícitas aí no meio. eu achei ótimo, mas pode ser que alguém não ache tão legal assim né, vai saber.. hahahaha

o livro foi lançado em 2003 e foi um marco na literatura portuguesa do século 21, em uma década o cara vendeu 400 mil exemplares. porra, isso é muita coisa!!! olha, nunca pensei que eu fosse ler um best-seller num curso de literatura na faculdade de letras, mas ainda bem que esse dia chegou. :)