quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

é cada uma que eu tenho que ouvir...

meu namorado é ciclista. 

já faz cinco anos que a gente tá junto e faz mais ou menos isso também que ele pedala. a bike é um pedaço tão grande da vida dele que, consequentemente, acabou entrando na minha. foi ele quem me ensinou a pedalar, inclusive (aham, eu já tinha 19 anos ^^). 

eu sou daquelas namoradas bem babonas mesmo, morro de orgulho de ver tudo que esse menino é capaz de fazer quando tá em cima de uma bicicleta. e não é pra menos, já que ele é a única pessoa que eu conheço que pode falar que já pedalou 500km em apenas 4 dias. SABE? é esse o nível do atleta.

mas como ninguém nasce expert, ele precisa treinar bastante pra fazer tudo o que faz. e isso significa que a nossa rotina enquanto casal foi obviamente afetada pela rotina dele enquanto ciclista. nós nunca dormimos juntos de sexta feira, porque aos sábados ele sai de casa as 6 da manhã pra pedalar (e eu não consigo continuar dormindo depois que ele acorda, tenho sono leve e blabla). nós raramente almoçamos juntos de sábado, porque os treinos dele são longos e ele demora pra voltar pra casa. se ele tem uma noite livre durante a semana, ele não vai ocupar esse buraco saindo comigo: ele vai usar pra pedalar. é claro que no começo isso me incomodava, mas depois de cinco anos eu já tô mais do que acostumada, né? e aprendi que a melhor forma de lidar com isso é me adaptar a essa realidade. por exemplo, tudo que eu preciso fazer, eu dou um jeito de enfiar nesse período de tempo em que ele tá treinando, assim a gente consegue aproveitar o resto do fim de semana. 

por mais que às vezes eu sinta falta de passar o sábado com ele (tem dia que a gente só consegue se ver de noite), tá bom desse jeitinho. se ele treina, ele fica feliz. se ele fica feliz, eu fico feliz. e assim a gente segue, juntinhos, fazendo as adaptações necessárias sempre que for preciso.

toda vez que eu falo pra alguém que meu namorado é ciclista e começo a contar as peripécias desse homem, as pessoas tem uma dessas duas reações:
1) ou elas ficam perplexas e falam coisas como "meu deus como ele consegue pedalar tanto assim, só de pensar eu já morri"
2) ou elas automaticamente falam do perigo que é andar de bicicleta em são paulo (ainda mais em tempos de prefeito que quer acelerar a cidade...)

mas esses dias, pela primeira vez, eu me deparei com um comentário que fugiu dessas duas respostas já esperadas. a coisa foi tão absurda que eu duvidei que tava ouvindo aquilo. no começo eu tava respondendo, mas depois eu desisti. já parei de bater palma pra maluco dançar.

a seguir, uma representação desse bendito diálogo:

eu: tem dia que o leonardo sai de casa as 6 pra pedalar e volta só de tarde
a pessoa: e você não tem ciúmes?
eu: na verdade, não (daí eu já comecei a desconfiar que a conversa ia degringolar, né...)
a pessoa: eu duvido que você não tenha ciúmes! é impossível não ter!
eu: mas não tem razão pra isso... 
a pessoa: mas não tem ninguém que pedale com ele que você desconfia? (aí eu já tava querendo me enfiar num buraco né, tava sentindo até vergonha)
eu: gente, que isso, imagina, ele só pedala com homem (sei lá, tava respondendo qualquer coisa só pra ver se o assunto acabava)
a pessoa: mas como você pode ter certeza que ele sai mesmo pra pedalar? olha bem hein, nunca se sabe. é de se estranhar um cara que sai de casa todo sábado de manhã e só volta depois do almoço...

nesse ponto eu virei pro lado e continuei conversando com outra pessoa, que me perguntou coisas coerentes com o assunto (por exemplo, "mas ele pedala em estrada também ou só na cidade?").

gente, pelo amor de deus.

QUAL A NECESSIDADE? a pessoa tem que ser muito amarga pra sugerir uma coisa dessa sem razão. foi um despropósito tão grande! imagina se eu fico desconfiada e arrumo encrenca com o menino? imagina se sugerir traição é gatilho pra mim e isso me deixa com a autoestima abalada de graça? pra que soltar um comentário maldoso desse? deus me livre e guarde.

uma das coisas que eu aprendi nessa vida e que eu faço questão de colocar em prática é: se você não tem nada de bom pra acrescentar, fica quieto. pena que nem todo mundo consegue exercitar o bom sensinho. a nossa convivência com o próximo seria tão mais fácil se as pessoas fossem capazes de colocar a mão na consciência por um minutinho...

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

livrinhos de janeiro

olha nois aqui entrando no terceiro ano dessa loucurinha de registrar todos os livrinhos que eu pegar pra ler! pra ver o balanço dos anos anteriores, é só clicar: 2016 e 2017 :)

◇ ◇ ◇

antes de mais nada, resolvi testar um modelo diferente. o plano é soltar um post por mês em vez de deixar acumular durante todo o trimestre. se eu achar uma péssima ideia, depois eu mudo de novo ^^

pois bem. vocês lembram que ano passado, no terceiro trimestre do ano, eu "participei" da maratona literária de inverno? então, vou me dar mais uma licença poética pra adaptar a maratona de verão e, novamente, fazer em três meses o que deveria ser feito em bem menos tempo. dessa vez o victor se empolgou na loucura e eu é que não vou explicar tudo que o menino inventou, quem tiver curioso pra saber melhor pode ver nos vídeos, só vou deixar aqui quais as categorias que a pessoa deveria seguir: 

1) ler um livro de um autor popular; 2) ler um livro comprado em uma promoção; 3) ler um livro que, aparentemente, só você conhece; 4) ler um livro que você sempre teve medo de ler; 5) ler um livro que era pra você ter lido em 2017; 6) ler um livro com um hype antigo; 7) ler um livro nacional da atualidade (publicado nos últimos 5 anos); 8) ler um livro de um autor que você nunca leu antes; 9) ler um livro com uma protagonista feminina; 10) ler um livro de um autor que não seja nem americano, nem brasileiro; 11) ler um conto; 12) ler um livro por indicação de um booktuber.

eu me dei ao luxo de cumprir essas doze categorias do desafio entre os meses de janeiro, fevereiro e março. acho que é mais do que suficiente, né? :)


e os livrinhos de janeiro foram:


 Matilda - Roald Dahl (1988)



repeti o feito de 2017 e comecei o ano com literatura infanto-juvenil, que é sempre um sucesso. que delicinha de livro! o filme é absolutamente fiel, então se você gosta dessa história versão cinema, obviamente vai amar a versão livrinho também. as ilustrações foram a minha parte preferida, eu morri de amores pela matildinha desenhada <3
(categoria 8: ler um livro de um autor que você nunca leu antes )


 Maus: a história de um sobrevivente - Art Spiegelman (1986)


não sou muito fã de ler quadrinhos (turma da mônica é o meu único amor verdadeiro), então sempre que alguém me recomenda alguma história boa eu encaro o desafio. afinal de contas, preciso me reeducar pra aprender a gostar desse tipo de leitura! enfim. a história é bem pesada, fala sobre a vida de um judeu que sobreviveu ao holocausto, mas o livro tá cheio de metáfora e de metalinguagem, então fica tudo um pouco mais tranquilo. o autor intercala os episódios da vida do pai dele fugindo do nazismo com cenas de quando ele tava escrevendo, aí dá uma "equilibrada". se você gosta do gênero (e do tema, claro, porque holocausto não é pra todo mundo), fica aí a recomendação!


 O amor nos tempos do cólera - Gabriel García Marquez (1985)


acho que eu tenho algum problema com esse autor, só isso explica.. olha, no começo tava bem difícil, eu cheguei a pensar em abandonar a leitura, mas persisti e cheguei até o final. gente, o livro é muito arrastado!!! tem tanta informação desnecessária que dá preguicinha mesmo, eu lia pensando "tá, mas e daí?" hahah essa coisa de ficar contando muito mais do que a vida inteira das personagens em uma mesma história é meio demais pra mim. bom, se eu não me empolguei muito nem com "cem anos de solidão", imagina com esse então... sei lá, não digo que o livro seja ruim, porque não é mesmo, só não me agradou tanto assim. sem contar que teve várias coisas problemáticas na história, mas aí só vai descobrir quem ler também :D
(categoria 10: ler um livro de um autor que não seja nem americano, nem brasileiro )


 Tartarugas até lá embaixo - John Green (2017)



pra começo de conversa, queria dizer que ler john green quando você tem 17 anos (quando eu li "a culpa é das estrelas") é muito diferente de ler quando você tá mais perto dos 23 do que dos 22 (agora, no caso). a escrita dele é daquela que você SENTE que estaria aproveitando melhor caso você fosse uma menina de 15 anos, sabe? hahaha mas deixando isso de lado: é claro que eu gostei. a história tem coisas absurdas, tem umas "falhas", mas nada tão crítico a ponto de te fazer dispersar. o livro tem um mistériozinho, tem romancezinho, tem drama familiar. tudo que nois gosta num YA que se preze! sem contar que: quanto mais gente falando sobre doença mental pra conscientizar os jovens, melhor. <3 AH, já ia me esquecendo: eu apenas amei o começo. a primeira página inteira, achei BEM boa. :)
(categoria 1: ler um livro de um autor popular )


 As meninas - Lygia Fagundes Telles (1973)



✩ favorito do mês! ✩
primeiro livro de literatura brasileira do ano completado com sucesso! fechei janeiro com a leitura que eu mais gostei no mês, olha só que coisa boa :) a melhor parte do livro, pra mim, foi o jogo de narradores. a história por si é até bem simples, 2 diazinhos da vida dessas tais meninas, mas contada dessa forma ficou absolutamente interessante de ler. sem contar o pano de fundo social e político da época em que o livro foi escrito, que dá toda uma profundidade maior pra história.. pra quem gosta e/ou quer ter um contato maior com a literatura nacional, não é só pra pensar em machado de assis ou em romance contemporâneo dos anos 2000. tem que ler a lygia também, tá? não perde tempo não, vai ler essa mulher!!!
(categoria 9: ler um livro com uma protagonista feminina )


◇ ◇ ◇

em números, resumão do mês:

→ livros terminados 5 x 0 livros abandonados

→ literatura brasileira x literatura estrangeira (1 da suécia, 1 da inglaterra, 1 da colômbia e 1 dos eua)

→ livros lidos no kindle x livros físicos

→ autoras mulheres x autores homens

→ releituras x livros novos

no final de fevereiro eu volto! :D 

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

we're here because we're here because we're here

vocês já leram tartarugas até lá embaixo, do john green?

(nem eu acredito que tô falando sobre um livro desse homem em pleno 2018, no alto dos meus quase 23 anos de idade. mas na verdade nem é sobre o livro em si que eu quero falar, é sobre uma personagem específica. é que pra entender o que eu tô dizendo tem que ter lido o livro, né. e se você não leu o livro mas pretende ler, acho que seria interessante deixar esse post pra depois. vai que eu falo alguma coisa aqui sobre a personagem que pode estragar a sua experiência de leitura? bom, é por sua conta e risco. depois não diz que eu não avisei.)

* * *

aza holmes.


me identifiquei com ela em alguns níveis. não tanto a ponto de ser algo assustador, mas ainda assim teve momentos em que eu quis entrar no livro, pegar na mãozinha dela e falar "miga, vamos juntas". dava agonia de ler.

as crises de ansiedade, os pensamentos em espiral, as travas pra fazer coisas simples que todo mundo faz, mas você simplesmente não consegue...

ela começa o livro deixando claro que sente como se não fosse real. tem momentos em que eu preciso me convencer de que eu realmente existo, de que eu estou aqui, de que isso tudo não é fruto da minha imaginação ou de sei lá de que força superior (ou de uma programação, vai saber). ((bom, ela é uma personagem literária, então ela não é real mesmo, mas naquele universo ela existe. vocês entenderam.))

a aza tem problemas com bactérias, tipo não conseguir ficar tranquila ao beijar o menino que ela gosta porque não consegue parar de pensar que as bactérias da boca do rapaz vão entrar no corpo dela e mudar toda a sua microbiota. eu não me importo muito com as bactérias, na maioria do tempo nem lembro que elas existem e que ocupam um pedaço absurdamente grande do meu corpo, mas eu também tenho certas minhocas na cabeça que me impedem de ficar em paz. nada que me atrapalhe no mesmo grau, mas que existe uma voz martelando coisas na minha mente pra estragar o momento, ah existe.

a aza também tem um machucado no dedo que ela não consegue deixar curar. ela vive remexendo na ferida. principalmente quando a ansiedade ataca. quando eu me sinto ansiosa, preciso apertar alguma parte do meu corpo. normalmente a nuca ou os braços, depende do que for menos esquisito na hora (se eu tiver no meio das pessoas, não vou sair apertando o pescoço senão vão pensar que eu sou maluca, né? ^^). é quase a mesma coisa. eu me aperto pra voltar pra realidade, pro momento presente. sabe aquela velha história de "me belisca pra ver que eu não tô sonhando"? é tipo isso. digamos que ela reabra a ferida mais ou menos pela mesma razão.

sempre que eu me identifico com a personagem que precisa de ajuda psicológica, eu fico me perguntando por que raios eu ainda não fui atrás de um psicólogo também. é claro que a pergunta é retórica, porque eu sei bem as minhas razões. mas o plano é algum dia conseguir realmente conversar com alguém sobre tudo o que me atrapalha. enquanto eu não faço isso, continuo usando esse espaço aqui como forma de me livrar de uns fantasminhas. recomendo que todo mundo faça o mesmo. (ou que arrume alguma outra maneira tão eficaz quanto essa. escrever é o que funciona pra mim, se pra você o que dá certo é correr 15km por dia: vai que é tua! o importante é se cuidar. <3)

sábado, 6 de janeiro de 2018

laranja, amarelo e azul

2018 começou do jeito que eu menos gosto, mas que eu mais preciso: me lembrando que a vida é um troço maluco, incontrolável e sem explicação. levei um choque de realidade e, infelizmente, a bolha em volta de mim estourou. aquela bolha que me dava uma sensação falsa de segurança, que me colocava numa posição diferenciada, especial. percebi que eu não tenho nada de diferente, nada que me dê uma garantia extra. tô aqui como qualquer outro, suscetível a tudo como qualquer outro. e isso me deixa doida.


anteontem, quando vi esse pôr do sol incrível de tão bonito, minha cabeça tava fervilhando de coisas. eu queria escrever, queria tirar de mim esse monte de dúvida que tava me cercando. hoje, muitas horas depois, já bem mais calma, eu perdi o pique. é que eu funciono melhor quando tô inflamada, ou pelo menos minhas ideias fluem melhor. porque eu racionalizo menos. se eu começo a pensar demais, parece que eu fico travada. o que pega mesmo é que eu tenho medo de tudo que eu não entendo, de tudo que tá além da minha capacidade de raciocinar. e isso afeta desde a minha produção escrita até todo o resto, pra ser bem sincera. então eu não vou mais falar sobre o que eu queria, não vou mais tentar passar pro papel o que eu tava sentindo e pensando. vou deixar tudo isso guardadinho aqui pra uma próxima oportunidade, talvez. e vou falar de outra coisa, algo mais fácil, que me exige menos esforço. 


pôr do sol é um dos fenômenos da natureza (ou sei lá como a gente chama esse tipo de coisa) que eu mais amo. enche os olhos, enche a alma. é lindo, encanta, dá vontade de fazer durar por uma eternidade no céu. sabe quando o pequeno príncipe fala que tava num planetinha tão pequeno que viu o sol se pondo quarenta e três vezes no mesmo dia? que delícia que deve ter sido isso. sempre que eu vejo essa mistura de cores, eu agradeço. por estar aqui por mais um dia, por tudo o que eu tenho, por tudo o que eu ainda vou ter. e o que eu acho mais incrível é que o pôr do sol me faz sentir em paz. normalmente a natureza me assusta, a imensidão do universo me assusta, a força de tudo o que vai além do ser humano me assusta. mas as cores no céu quando o sol tá indo embora me deixam mais calma, elas me mostram que tá tudo bem. é como se fosse um dos únicos momentos do dia em que eu me reconcilio com o fato de a vida ser indomável, eu acho. é meio forte falar isso, talvez eu esteja exagerando, mas é a sensação que me dá.  


não sei de onde eu vim, não sei pra onde eu vou, não sei quanto tempo eu ainda tenho aqui. a única coisa que eu sei é que, se eu pudesse, eu também contemplaria o sol se pondo mais de quarenta vezes no mesmo dia. 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

balanço das leituras de 2017

enquanto eu não pensar em nada melhor, vou continuar seguindo o esquema do ano passado. pra quem quiser ver o balanço de 2016, o post é esse aqui 😉

◇ ◇ ◇

como vocês puderam perceber, eu separei as leituras por trimestres. em algum momento do ano eu cogitei fazer posts mensais, mas isso ia acabar com o padrão que eu tava seguindo e aí eu desisti hahaha mas talvez pra 2018 eu mude o esquema, vai saber, fiquemos no aguardo dos próximos capítulos! pra ver cada trimestre separado, é só clicar nos links:






foram 56 livros no total, sendo que três eu abandonei. então, pra ser mais justa, foram 53 leituras completas no ano. é mais do que eu li no ano passado e, pra melhorar, dá mais do que um livro por semana :D (já que a gente tá trabalhando com números, segundo a calculadora, dá 1,019 ^^ hahaha)

anotei a quantidade de livros, o ano em que eles foram publicados, o país de origem dos autores, se a autoria era feminina ou masculina, se o livro era novo ou releitura, se li em papel ou no kindle e se terminei ou não a leitura. agora, vamos aos famigerados gráficos (porque eu sou uma pessoa visual e, sem eles, acho difícil de realmente enxergar a diferença entre as categorias):

 categoria 1: livros terminados x abandonados
vencedor: livrinhos que eu li até o fim, ainda bem!! :D

sendo que os livros que eu larguei mão foram, por ordem de leitura: Azeitona - Bruno Miranda, O Evangelho segundo Jesus Cristo - Saramago e Caetés - Graciliano Ramos. e seguindo o mesmo padrão do ano passado, apenas escritores homens me fizeram desistir das leituras. JUST SAYING.


categoria 2: livros novos x releituras
vencedor: livrinhos novos em folha!!!

não é segredo pra ninguém que eu amo reler livros, mas conhecer coisa nova é melhor ainda :D os bonitinhos que eu escolhi reler esse ano foram, em ordem de leitura: O mistério da fábrica de livros - Pedro Bandeira, Os papéis de Lucas - Júlio Emílio Braz, O guia do mochileiro das galáxias - Douglas Adams (que é +- uma releitura, porque eu abandonei na metade), Clube dos leitores de histórias tristes - Lourenço Cazarré e Harry Potter and the philosopher's stone - J.K. Rowling. 


categoria 3: livros lidos no kindle x livros em papel
vencedor: kindlezinho que não ocupa espaço e nem pesa na mochila


categoria 4: autoria feminina x masculina
vencedor: LI MAIS MULHERES DO QUE HOMENS!!!!! 

essa foi a minha maior vitória pessoal, principalmente em comparação com o ano passado. mas o projeto é: aumentar e muito esse número. vou deixar a meta de ler mulheres em aberto e, quando eu atingir, eu vou dobrar. eu vim nessa vida pra enaltecer as autoras mulheres cada vez mais!


categoria 5: livros nacionais x estrangeiros
vencedor: livrinhos de outros países, de lavada...


gostaria de dizer que eu não me orgulho nem um pouco por ter diminuído tanto o número de livros brasileiros que eu li, mas ano passado foi muito mais fácil de ler coisa nacional porque as minhas matérias da faculdade exigiam isso. é claro que já era de se esperar que eu tivesse lido mais coisas de todos os outros lugares do mundo juntos, porém vacilei ao ponto de deixar a literatura brasileira em segundo lugar no ranking. assim como no ano passado, separei os livrinhos por países:


apesar do fracasso em relação à literatura nacional, aconteceu uma coisa boa aí no meio: cresceu bastante o número de países de origem dos autores que eu li!!! :D claro que, assim como no ano passado, inglaterra e estados unidos continuam no topo da lista porque, por mais que eu tente, é difícil pra caramba de fugir do que é hegemônico. mas teve literatura africana, asiática e latina! pro próximo ano eu pretendo ler mais coisas das américas do sul e central e, se eu criar coragem, ler alguma coisa de literatura russa!

quanto ao ano de lançamento dos livrinhos, novamente, arrasei e li muita coisa contemporânea! me dá um quentinho no coração quando eu leio livros escritos nos anos 2000, vocês não fazem ideia! hahaha e assim como aconteceu no ano passado, dessa vez eu também li mais livros escritos em 1800 e pouco do que entre 1900 e 1949. VAI ENTENDER.


agora, saindo dos gráficos de coluna, tem o acompanhamento da quantidade de livros lidos mês a mês. janeiro é sempre um fracasso, mas se levarmos em conta que em 2016 eu só li 01 livro no primeiro mês do ano, em 2017 eu até que arrasei hahaha (ah, nessa conta entram inclusive os livros abandonados, porque pelo menos alguns dias eu perdi com eles né...)


só pra comparar (porque eu acho muito legal essas duas linhas se sobrepondo hahaha), os livrinhos de 2017 e de 2016:


eu li 45 autores diferentes em 2017 e, desses todos, 28 foram novos. descobri muita gente incrível nessas minhas leituras e repeti alguns autores que eu já amava de outros carnavais. quem eu mais li esse ano foi a elena ferrante, por causa da tetralogia napolitana que se fez presente da metade do ano pra frente (li o primeiro livro da série em junho e o quarto ficou pra dezembro).

agora vem a parte da avaliação, né. ano passado eu fiz um top 5 porque quis deixar tudo padronizado (porque eu abandonei 5 livros e, portanto, achei legal falar os 5 que eu mais gostei e aqueles 5 que eu queria distância), mas nesse ano eu chutei o balde e mudei tudo. e isso aconteceu porque dessa vez foi mais difícil de escolher! mantive o número 5 pros preferidos (por mais que eu quisesse ter escolhido mais), mas elegi apenas 3 como os piores por serem livros que eu não recomendo de jeito maneira. a escolha ficou complicada porque teve muito livro +- no meio de tudo o que eu li em 2017... bom, vamos a eles:

os menos preferidos do ano foram (em ordem de leitura):

Harry Potter e a criança amaldiçoada - Jack Thorne 
 Vamos tentar! Buscando o potencial intelectual da criança - Toru Kumon
 Vá, coloque um vigia - Harper Lee

e os melhores do ano, aqueles que encheram o meu coração de amor e que eu recomendo sem pensar duas vezes (dessa vez não é por ordem de leitura, é por ordem de preferência mesmo - sendo que o primeiro é o que eu mais gostei e por aí vai):

 A guerra não tem rosto de mulher - Svetlana Alexijevich
 Dois irmãos - Milton Hatoum
 A amiga genial - Elena Ferrante
 Fangirl - Rainbow Rowell
 O guia do mochileiro das galáxias - Douglas Adams

(só um parênteses: como essas autoras já constam na lista dos preferidos, pre-ci-so recomendar a série inteira da elena ferrante e também o vozes de tchernóbil, da svetlana.)

e é isso, gente :D obrigada por terem me acompanhado por mais um ano e até a próxima!

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

livrinhos de 2017 - parte IV

pra ver o que veio antes, é só clicar: parte I, parte II e parte III 😊

* * *

OUTUBRO (4 livros)



 A história de quem foge e de quem fica - Elena Ferrante (2013)
3º volume da tetralogia napolitana e só o que eu tenho a dizer é: quanto mais velhas a lila e a lenu ficam, mais eu quero bater nelas duas até que as bonitas coloquem a mão na consciência e parem de fazer bosta hahaha esse livro fala da fase adulta dessas personagens, então trabalha a questão do casamento, da maternidade e tem bastante discussão política, luta de classes e tal. é mais pesado do que os anteriores, acredito que por causa do tema mesmo. terminei curiosa pra saber qual vai ser o fim da história! (mas não tanto, o primeiro ainda é meu queridinho ^^)

 Strange Fruit - Caryl Phillips (1981)
comecei o último trimestre do ano com uma leitura muito doida, só pra variar um pouquinho haha li essa peça pra uma matéria da faculdade também, então é em inglês e o tema é bem específico: uma família de imigrantes caribenhos vivendo na inglaterra. fala sobre não pertencimento, sobre se iludir com um lugar idealizado, sobre racismo e violência. é pesado, eu garrei ódio do personagem principal, mas gostei bastante de ler. além de ser curtinho né, o que é sempre um ponto positivo haha

 Vamos tentar! Buscando o potencial intelectual da criança - Toru Kumon (2001)
HAHAHAHAHAHA ai, ai. digamos que eu tenha sido obrigada pelo meu coordenador no trabalho a ler esse livro e: chato pra porra. o título parece interessante, né? cê pensa que vai aprender umas coisas legais pra trabalhar melhor na educação infantil, porém....... não recomendo, tá? segue o baile.

 Quincas Borba - Machado de Assis (1891)
uma das minhas metas de vida é ler todos os romances do machado, mas ele me complica. porque os livros são incríveis, os narradores são uma coisa de louco de tão bons, mas é CHATO DEMAIS de ler. e olha que eu gosto do cara! hahah mas enfim, esse tá longe de ser um dos melhores livros dele, mas tem umas passagens bem legais. principalmente o começo, enquanto a gente ainda acompanha um dos quincas borbas (tem que ler pra entender, hein :P), mais pro final a leitura vai ficando cansativa. mas ler machado é sempre uma oportunidade bem boa de aprender um pouco mais sobre as pessoas e a política do país na época em que os livros se passam, já vale a pena só por isso!



NOVEMBRO (5 livros)



 A guerra não tem rosto de mulher - Svetlana Alexijevich (1985)
até o momento esse foi, com certeza, o melhor livro que eu li no ano. e um dos melhores que eu já li na vida também. o livro é uma coletânea de relatos de mulheres soviéticas que participaram da segunda guerra mundial, ocupando os mais diversos cargos (desde a lavadeira que perdia as unhas de tanto lavar as roupas cheias de sangue dos soldados, até aquela que tava na linha de frente atirando na cabeça do inimigo). é uma visão diferente da guerra, elas narram as batalhas de um jeito que um homem não faria. e é absolutamente incrível conhecer esse outro lado, dá vontade de chorar e de fazer justiça a todas essas mulheres. recomendo muito a leitura, de verdade!

 Clube dos leitores de histórias tristes - Lourenço Cazarré (2005)
minha professora do fundamental passava um livrinhos muito curiosos pra gente, né? olha esse nome!!!! hahah o livro conta a história de um clube de leitura formado por adolescentes de uma escola, mediado por uma mulher que escolhia quais seriam as tais histórias tristes que eles deveriam ler. tem bastante coisa legal nesse livro, mas o que eu acho mais incrível é que ele apresenta pras crianças (que são o público alvo, já que o livro é infanto-juvenil) uns escritores bem importantes, tipo o kafka, o ray bradbury e o gógol, por exemplo. é claro que num é um livro bom pra um adulto, mas vale bem a pena pra dar de presente pra um primo novinho que precisa aprender a valorizar mais a leitura ;)

 Como navegar em uma tempestade de dragão - Cressida Cowell (2008)
eu só vou me aquietar quando eu terminar de ler essa coleção (ainda faltam 6)! hahaha vou falar a mesmíssima coisa que eu falo em to-dos os livros desses: uma gracinha, super divertido, adorei, deem esses livros pras crianças de vocês! :) esse especificamente fala sobre os vikings chegando na america e é bem legal o desenvolvimento da história, os dragões são ótimossss hahaha


 Vá, coloque um vigia - Harper Lee (2015)
gente, olha... que livrinho meia boca, hein? convenhamos que sequer parece ter sido escrito pela mesma autora de "o sol é para todos" né, sinceramente. seria melhor que não tivesse sido publicado, na verdade. dava pra deixar o manuscrito na gaveta pra todo o sempre, de tão desnecessária que é a existência desse livro nos dias de hoje. talvez se ele tivesse sido lançado lá nos anos 60, junto com o outro, fizesse sentido. hoje não faz mais. a história é chata, o desenvolvimento das personagens de um livro pra outro é meio péssimo, eu peguei ranço de personagens que eu tinha gostado muito, ela aborda uns temas pesados - racismo e preconceito de classe - de um jeito que parece que ela tá dando razão pro racista... sabe? tá tudo errado. não recomendo jamé, mas "o sol é para todos" eu recomendo sim, finge que esse aqui nunca existiu e vai ler o outro porque vale a pena! 

 Harry Potter and the philosopher's stone - J.K. Rowling (1997)
só lendo o meu livro preferido da vida mesmo pra me ajudar a esquecer a decepção do livro anterior! esse que eu li é edição comemorativa de 20 anos, com temática da corvinal, então talvez seja o livrinho mais especial do mundo. ele é maravilhoso, todo azul, cheio de detalhes extras sobre a minha famigerada casa de hogwarts (ravenclaw pride! ♡)... sabe???? a cada página era uma lagriminha que queria escorrer. que delícia que é reler essa história e voltar pra esse universo de tempos em tempos, ainda mais no original! HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL EU TE VENEROOO!!


DEZEMBRO (4 livros)



 História da menina perdida - Elena Ferrante (2014)
aaaa eu não acredito que minha tetralogia acabou!!!! esse livro tá empatadinho com "a amiga genial" no posto de melhor da série. só não digo que esse é meu preferido porque a lenu sofrendo por macho me fez passar raiva d+ ^^ e porque eu esperava algo um pouco diferente no final, achei que faltou conclusão, mas entendi o propósito.. hahah essa tetralogia é incrível! <3 é uma história pesada, densa, cheia de conflito, com uns personagens MUITO reais. recomendo muito e peço a quem ler que venha conversar comigo depois porque eu precisooo falar sobre esses personagens!!!

 Contando histórias em versos: poesia e romanceiro popular no Brasil - Bráulio Tavares (2005)
livrinho teórico sobre poesia feito pra quem é leigo mesmo. é a transcrição de um curso dado pelo autor, então tem aquele tom bem "professoral", mas isso não deixa o livro ruim de ler. pra quem manja de poesia ele talvez seja até meio ridículo, mas eu tenho um conhecimento mínimo então até gostei do fato de ele ser super didático. minha parte preferida foi conhecer um pouco mais sobre o estilo de poema dos cordéis e ler alguns famosos que ele coloca no livro, tem cada coisa incrível por esse brasilzão!!! não sei se eu recomendo a leitura desse livrinho em si, mas deixo aqui uma dica séria: literatura nordestina é SEMPRE um sucesso, de romanção famoso a cordel, leiam o que vcs encontrarem!!!

 Dois irmãos - Milton Hatoum (2000)
que LIVRASSOOO! é por causa de livros assim que eu exalto a literatura brasileira, meus amigo!!! se você não tem saco pra machado de assis e guimarães rosa, mas tem vontade de conhecer melhor a literatura nacional, se joga nesse aqui que é 200% de certeza que vai ser sucesso! amei a história, a forma como ela é contada, os elementos culturais que ela apresenta e a escrita do milton é incrível! o livro tem quase 280 páginas e eu li EM UM ÚNICO DIA, vejam bem. já tô doida pra ler todos os outros desse cara!!! <3

 Eu sou Malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã - Malala Yousafzai e Christina Lamb (2013)
eu bem queria terminar o ano em grande estilo com o livro anterior, mas ainda faltavam 12 dias pra acabar 2017 então não rolou hahah daí que eu ganhei esse aqui de presente de natal do meu irmão e achei que seria justíssimo encerrar 2017 com essa história que, por sinal, é incrível! é claro que a escrita não é nada absurdamente maravilhosa, até porque o objetivo do livro nem é encantar por meio desse quesito, mas também é óbvio que eu gostei muito de conhecer essa história pela visão da própria malala. ceis acreditam que a bichinha já viveu tudo isso e é 2 anos mais nova do que eu? pois eu tenho dificuldades de lidar com esse fato.. preciso nem dizer que eu recomendo, né?

* * *

e os resultados parciais desse trimestre são:

 livros terminados 13 x 0 livros abandonados

 literatura brasileira 4 x 9 literatura estrangeira (2 da itália, 1 do caribe, 1 do japão, 1 da bielorrússia, 2 da inglaterra, 1 dos eua e 1 do paquistão)

 livros lidos no kindle 6 x 7 livros físicos

 autoras mulheres 7 x 6 autores homens

 releituras 2 x 11 livros novos

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

adeus ano velho

sai ano, entra ano, e toda vez a gente pode falar a mesma coisa sobre eles: esse foi um ano doido.

365 dias é um período muito longo, né? é surreal a quantidade de coisas que podem acontecer do primeiro ao último dia do ano. então é óbvio que do dia 1 de janeiro até hoje (ainda nem estamos no dia 31 de dezembro, hein) deu tempo de rir muito, de chorar um pouco, de passar raiva pra caramba, de acumular experiências novas, de repetir as coisas boas que eu já tinha vivido antes e de insistir em erros já antigos... assim como acontece em absolutamente todos os anos. o número é novo, mas o esquema é sempre igual. 

no geral, olhando por uma ótica bem otimista, eu acho que esse foi um ano bom.

mas como nem tudo são flores, 2017 também teve o seu lado ruim. esse ano eu passei por momentos de crise de ansiedade foda, daqueles de não conseguir pensar em nada além de “eu vou morrer a qualquer minuto alguém me salva pelo amor de jesus cristo”, de chorar por horas e só parar porque caí dormindo exausta e nem percebi, de sentir medo de absolutamente toda e qualquer coisa, de gritar falando que eu não consigo, de me sentir 400% culpada por coisas que não tem absolutamente nada a ver comigo, e por aí vai. foi o ano em que muita coisa pesada aconteceu na minha família e que eu vi meus pais passando por momentos meio desesperadores. também foi o ano em que eu confirmei que o meu problema é que eu quero controlar tudo ao meu redor e que, por isso mesmo, não entendo e não aceito que a gente foi feito pra morrer e não tem nada que eu possa fazer pra evitar que isso aconteça. em 2017 eu parei definitivamente de tomar hormônio pra controlar as minhas espinhas e vi minha pele voltando a ficar horrorosa, ao mesmo tempo em que eu ganhei peso e fiquei com o corpo inteiramente flácido, o que abalou ainda mais a minha auto estima já tão frágil. também me enchi de dúvidas sobre coisas que antes eram certezas absolutas e não conversei sobre isso com ninguém, porque tive receio de ser mal interpretada. em diversos momentos do ano eu fiquei com medo de pedir ajuda, mas por dentro eu tava implorando pra alguém me socorrer, pra me proteger da vida, do mundo, de mim. não sei, minha cabeça deu uma pirada em certos momentos.

mas eu disse que o ano foi bom, não disse?

depois dessa lista de coisa ruim nem dá pra acreditar que, colocando na balança, eu realmente tenha achado que as coisas boas venceram. ainda mais eu, que sou conhecida por ser uma pessoa negativa. mas eu juro que tô me esforçando pra começar a ver o lado positivo com mais frequência! enfim... por mais que tenha sido um ano pesado, foi bem bonito também. comecei a trabalhar efetivamente na ~minha área~, conheci a melhor criança do universo e ela realmente trouxe mais cor pra minha vida (nina, te amo!!!), tô a um passo de me formar na faculdade (só mais 3 matérias!) e finalmente me tornar a mais nova graduada do brasil, escrevi um conto em inglês que foi publicado pela revista da minha faculdade*, me senti amada em absolutamente todos os meus momentos de crise, li uma porrada de livro novo que me acrescentou muito enquanto leitora e enquanto pessoa, fiz viagens incríveis com a minha família e com o boy, tive mais um ano cheio de amor do lado desse homem que é a luz da minha vida e, apesar de eu ainda ter um caminho enorme pra percorrer nesse quesito, me tornei muito mais controlada em diversos aspectos que antes me tiravam do eixo e agora já não me causam mais tantos impactos negativos.

dessa vez a única promessa que eu faço pra 2018 é cuidar melhor de mim. esse já tá sendo o meu projeto há algum tempo, e provavelmente vou continuar com ele até o final da minha caminhada. acredito que estando bem comigo eu consigo ser melhor também pros outros. ou pelo menos assim espero!

____

* a yawp é a revista dos alunos de graduação da área de estudos linguísticos e literários em inglês da fflch-usp. a edição atual é a n.9, voltada pra escrita criativa, e tá disponível no site da revista. o meu conto, escrito em inglês, chama "bittersweet day" e tá na página 105. tem muita coisa boa publicada aí, recomendo a leitura! :)