sexta-feira, 18 de novembro de 2016

nem só de livros clássicos se faz a letras

título alternativo: da vez em que eu li um romance best-seller escrito em portugal nos anos 2000 pra uma das minhas matérias do terceiro ano de graduação no curso de letras da usp <3


logo no primeiro semestre do curso nós somos recebidos pelos professores de introdução aos estudos clássicos com uma voadora bem no meio do peito e estudamos, entre outras coisas, a ilíada, a odisseia e a eneida - três poemas épicos assustadoramente grandes datados lá da antiguidade clássica - que é pra gente já perceber logo de cara que gostar de ler harry potter e afins não é e nem nunca será suficiente pra você ser feliz cursando letras. a maioria dos professores realmente tem a mente fechada pra toda e qualquer literatura que não faça parte do cânone, o que significa que a gente tá fadado a estudar eternamente os mesmos livros, os mesmos autores, os mesmos poemas etc. só o que é consagrado pela crítica, só o que é considerado "literatura de alto padrão". inclusive uma professora minha bem da pretensiosa fez questão de dizer em aula que "sequer se esforçou pra decorar o nome de uma autora brasileira aí que escreve uns livros pra meninas adolescentes porque não vale a pena gastar memória com esse tipo de livrinho". será que com doze anos essa professora já lia guimarães rosa e virginia woolf por um acaso? -_-

mas como nem tudo está perdido, a gente também encontra uns professores menos escrotos que trabalham com autores e obras diferentes pra dar uma diversificada no curso. por exemplo, os escritores contemporâneos (dos anos 70 pra cá), tipo o saramago, são o tema das aulas de literatura portuguesa desse semestre :) a proposta do trabalho final pra essa matéria é: a professora separou 13 livros escritos nesse período e nós temos que escolher um deles e fazer uma análise. ela não vai trabalhar nenhum desses livros em aula, então a escolha é totalmente subjetiva. primeiro eu decidi que queria algum de autoria feminina, mas comecei a pesquisar e vi que seria ou impossível ou muito caro pra conseguir comprar um daqueles livros. quando desisti de ler uma mulher, decidi que queria algum livro escrito nos anos 2000, pra compensar a quantidade de leitura antiga que a gente faz naquele curso hahaha eu não conhecia nenhum dos autores, então o que me fez escolher finalmente o meu livro foi a capa HAGSHDAGH

quem tá acompanhando meus posts de leituras por aqui já sabe que eu realmente sou ridícula assim mesmo e me deixo conquistar por uma capa bonita né, não adianta eu tentar enganar ninguém. mas olha só que coisa mais bonita do mundo, gente, não dava pra resistir mesmo:

eu comprei o livro no sebo e, infelizmente, a capa da minha edição não é tão legal assim..


preciso admitir que eu tava tão desesperada pra escolher logo (porque afinal de contas o tempo tava passando e eu precisava ler o livro) que só fui atrás de ler a sinopse DEPOIS de comprar hahahaha sim, eu sei, esse é um erro de principiante, mas eu não consigo parar de errar!!! :~ quase chorei quando li que a história se passa em 1905 e que o personagem principal é convidado pelo rei de portugal a governar as ilhas de são tomé e príncipe. depois descobri que esse era o primeiro romance desse escritor, que na verdade é jornalista. e, pra fechar com chave de ouro, o livro tem mais de quinhentas páginas. eu tava quase desmaiando de desespero, pensando no quão equivocada tinha sido essa escolha, até que eu li o livro e: GOSTEI PRA CARAMBA!!! :D

foi uma surpresa muito feliz, de verdade. um livro tão grande e com essa trama política (e que eu deveria ler até o final obrigatoriamente) tinha absolutamente tudo pra dar errado, mas no fim das contas esse foi um dos livros que eu mais gostei de ler pra faculdade até hoje :) a história é bem envolvente, acontece uma cacetada de coisa que você fica "AI MEU DEUS E AGORA" e não consegue parar de ler, o final me deixou 100% impactada, enfim. se você se interessa por história e gosta de ler romances que reescrevam os fatos históricos, esse livro é sucesso! fala sobre o colonialismo português, sobre o regime escravagista que continuou mesmo após a abolição, sobre os interesses dos grandes proprietários e tal. eu recomendo bastante! mas deixo aqui um aviso, porque fui pega de surpresa: caso você seja assim absolutamente pudico, se prepara porque tem umas cenas de sexo com umas descrições bem explícitas aí no meio. eu achei ótimo, mas pode ser que alguém não ache tão legal assim né, vai saber.. hahahaha

o livro foi lançado em 2003 e foi um marco na literatura portuguesa do século 21, em uma década o cara vendeu 400 mil exemplares. porra, isso é muita coisa!!! olha, nunca pensei que eu fosse ler um best-seller num curso de literatura na faculdade de letras, mas ainda bem que esse dia chegou. :)

terça-feira, 25 de outubro de 2016

100% exausta

nunca é exatamente uma delícia andar de ônibus por essa cidade cinza, mas hoje realmente a coisa se superou - negativamente falando, é claro.

pra começo de conversa, saí do conforto do meu lar nessa manhã fria e chuvosa e fui pra faculdade só pra fazer uma prova, na segunda aula. mesmo sem necessidade, fui no meu horário normal (ou seja, acordei 05h30 da manhã pra chegar na faculdade às 08h00...) porque quis usar esse tempo pra estudar. em casa eu me desconcentro muito fácil, porque tem muita coisa mais divertida pra fazer. mas sentada sozinha numa sala de estudos de outro prédio na faculdade, cercada unicamente pelo meu material, eu consigo estudar bonitinho. pois bem.

a prova começou às 10h00. como eu tinha estudado direito, li as questões e não tive problema em começar a responder quase de imediato. devolvi a prova pra professora inteiramente respondida às 10h40. o primeiro ônibus que eu pego pra voltar pra casa só passa uma vez na vida e outra na morte (ou de 30 em 30 minutos, como você preferir), então saí correndo pra chegar no ponto a tempo de pegar o ônibus das 11h. deu certo. sentei no banco, comi minhas bolachas, li meu livro (água viva - clarice lispector, caso alguém se interesse em saber) e cheguei no terminal às 11h30, o horário mais ideal possível. isso porque o horário previsto pro meu segundo ônibus sair do terminal e ir em direção à minha casinha era às 11h36. ideal, né? aí é que a gente se ilude...

essa linha de ônibus é tipo a pior do mundo inteiro, vive dando problema, mas como fazia muito tempo que eu não passava nenhum perrengue com ela, eu meio que esqueci desse detalhe e sequer cogitei a possibilidade de ficar parada no terminal por CINQUENTA MINUTOS esperando o ônibus aparecer e resolver, finalmente, me levar pra minha casa. sim, queridos, é isso mesmo que vocês leram: foram CINQUENTA MINUTOS de espera por uma porra de um ônibus em pleno terminal.

pra vocês terem uma noção, essa linha de ônibus não é uma qualquer, que passa por lugares aleatórios e, por isso, não precisa de muito carro rodando por aí. porra, os ônibus passam por um shopping, por um hospital público, por uma delegacia, por vários mercados, por pelo menos cinco escolas... sabe? e vai em direção a outro terminal, aliás. é uma puta linha importante! e é preciso dizer que o percurso entre esses dois terminais é, segundo o google maps, de uns 7 km. NÃO É LONGE, É PERTO PRA PORRA, NÃO TEM NADA QUE JUSTIFIQUE UMA HORA DE DIFERENÇA ENTRE A SAÍDA DE DOIS ÔNIBUS.

tinha uma porrada de idosos na fila do ônibus esperando essa caceta aparecer. em pé, porque o terminal não tem estrutura suficiente pra dar conta de 15 idosos sentados perto do ponto. também tinha uma porrada de gente que provavelmente se atrasou uma hora pra aparecer no trabalho, na escola, pra buscar o filho na creche, pra colar no pronto socorro do hospital, enfim. quem é que tem cinquenta minutos pra perder parado na porra de um terminal de ônibus hoje em dia? muita gente desistiu de esperar e foi atrás de outro ônibus, mesmo sem nem conseguir chegar diretamente no seu destino final, só pra não ficar plantado que nem um imbecil. eu continuei ali porque além daquele ser único ônibus que sai desse terminal e passa na avenida perto da minha casa, também tava chovendo. depois de ficar ali parada por trinta minutos, eu me recusei a fazer outro caminho e ainda tomar chuva na cara. preferi esperar até o final. 

o ônibus apareceu por volta de 12h15 e só saiu do terminal um pouquinho depois de 12h20. como tinha uma quantidade absurda de pessoas dentro dele e esperando por ele em quase todos os pontos por onde ele passa, o trajeto demorou um pouco mais que o normal e eu só cheguei em casa praticamente às 13h00.

também de acordo com o google maps, minha casa fica a mais ou menos uns 18 km de distância da minha faculdade. quando eu consigo pegar carona com o meu pai, a gente pega trânsito na marginal às 7 e pouco e, mesmo assim, demora só uns 45 minutos pra chegar. hoje eu demorei DUAS HORAS desde que entrei no ônibus depois da prova até a hora em que finalmente coloquei os pezinhos na sala de casa. AH, antes que eu me esqueça: como se não bastasse, pra coroar a história, ainda tinha uma barata dentro do ônibus. legal pra porra, né? ^^

depois os caras saem quebrando vidraça de banco, pixando patrimônio público e tacando fogo em ônibus e as pessoas insistem em dizer que não entendem os motivos pra tanto vandalismo. tem mais é que quebrar a porra toda, o bagulho já num funciona mesmo, que diferença faz? deixo aqui o meu mais sincero vai tomar no cu pra sptrans e pra essa porra de cidade mal administrada em que a gente vive. tá cada dia mais foda depender desse monte de serviço público lixo que a gente recebe. 

e por aqui eu encerro esse relato cheio de fortes emoções. beijos, boa noite e até a próxima.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

estado de alerta nonsense

eu sempre acordo antes da hora, parece que meu cérebro não consegue relaxar e eu fico em eterno estado de alerta (enquanto durmo, não necessariamente enquanto estou acordada), então às vezes eu acordo do nada, desesperada, pensando que me atrasei pra alguma coisa. na verdade não é só às vezes, é praticamente todo dia. normalmente acordo uns vinte minutos antes do despertador tocar, só pra ficar naqueles segundos de dúvida entre voltar a dormir ou não. eu sempre fecho os olhos e tento cochilar, mas o estado de alerta me impede. e se eu dormir agora e não ouvir o despertador quando ele finalmente tocar? etc e tal. (mesmo que seja feriado e ele sequer esteja programado pra tocar em horário algum.)

daí teve esse dia durante o beda em que eu acordei apavorada por volta de oito e meia da manhã pensando que não tinha nada pra postar aquele dia, nenhum texto programado, e que isso ia acabar com o meu projeto. provavelmente em pleno domingo, deitada no conforto da minha cama, ao lado do meu namorado, enrolada nas cobertas e ainda um tanto perdida de sono, e esse foi o meu primeiro pensamento. loucura, né? e a pior parte é que em vez de fechar os olhos, virar de lado, me aconchegar melhor nos braços do boy e voltar a dormir, eu peguei o celular e comecei a escrever um texto. com o brilho da tela no mínimo possível, pra não acordar meu namorado, eu inventei um assunto qualquer e inclusive programei o post pra ir ao ar num determinado horário, pra não correr o risco de esquecer de publicar.

na hora isso parecia a coisa mais óbvia e natural a se fazer, mas depois fiquei pensando no tamanho do absurdo que foi isso. é assustador o quanto a gente se deixa consumir e contaminar por umas bobagens que não fazem o menor sentido, né? pelo amor da deusa, onde é que já se viu perder o sono por causa de post pro blog. pra esse blog, que não me traz nenhum tipo de lucro, que só me dá uma satisfaçãozinha pessoal. (e que é tão inha que realmente não justificaria acordar no meio da minha soneca pra resolver esse "problema".)

a paz de espírito, meus amigos, ela é realmente desejada por aqui. queria muito toda aquela vibe brega de calma na alma e afins, mas a cada dia que passa eu sinto que estou um passinho mais longe de alcançar essa caralha.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

nova óptica

depois de tantos anos usando aquelas lentes mágicas, quase milagrosas, ele podia finalmente se ver longe delas. ao tirar seus óculos e se olhar no espelho, um arrepio lhe percorreu a espinha. era a primeira vez em uma eternidade que ele se enxergava novamente, de verdade, sem precisar da ajuda de nenhum outro utensílio além de seus próprios olhos castanhos. agora, sem os seus óculos, ele precisava se reinventar. ou melhor, precisava se redescobrir. 

aquelas lentes estavam há tanto tempo atreladas ao seu corpo, ao seu ser, que ele estava apreensivo de se ver afastado delas. será que seus olhos dariam conta de enxergar sozinhos toda a loucura que os cercava? afinal, eles estavam desacostumados a lidar com tantas informações por conta própria. parado em frente ao espelho sujo do corredor, ele chegou a pensar se aquela era mesmo a sua imagem real, se ele sempre fora daquele jeito, ou se a não-necessidade das duas ex-lentes mágicas teria modificado a sua figura. 

essa desconfiança era motivada por uma percepção diferente da realidade, já que agora a sua perspectiva não estava mais emoldurada por uma armação arredondada. antes, além de melhorarem a sua visão, os seus óculos também serviam como escudo: eram uma barreira, ainda que quase imaginária, entre ele e o resto do mundo. sem eles, o rapaz sentia-se desprotegido, desamparado, quase nu. não poder se esconder atrás das suas lentes anti-reflexo eram uma experiência nova. ele, que sempre quis se ver livre da obrigatoriedade do uso dos óculos, percebeu que se apoiava neles e nos conceitos pré-fabricados que as outras pessoas traziam quando lidavam com alguém de óculos. era uma bobagem, sim, mas ele sabia que se aproveitava disso, bem lá no fundo. agora já não dava mais pra dizer pra colega de trabalho que ele não deu oi quando cruzou com ela no mercado porque não enxergava de longe, por exemplo. também não dava pra evitar a leitura de um texto, ou qualquer outra coisa desse tipo. não havia mais a possibilidade de se esconder atrás das lentes pra fugir de certas situações.

seus olhos não teriam mais folga nenhuma, agora eles precisariam funcionar sozinhos o tempo inteiro. ele sempre quis essa independência, mas agora que a tinha, ficou sem saber o que fazer com ela. 

terça-feira, 4 de outubro de 2016

can i get an amen?

faz uns dias que eu falei aqui sobre o fim do meu estágio, né? e disse que voltaria no meio de outubro, ao final do meu contrato, pra contar um pouquinho mais dessa experiência. o fato é que eu tô antecipando em duas semanas esse post por motivos de: já não estou trabalhando mais!!! eu ainda tinha quinze dias de recesso pra tirar, então emendei essas mini férias com o final do estágio e TCHARAMMM, já tô lindamente deitada em berço esplêndido na minha casa enquanto escrevo isso daqui :)

olha, eu acho realmente que essa antecipação foi uma recompensa do universo por eu ter aguentado todo esse tempo sem cometer nenhum crime, sem ter xingado a minha chefe, sem ter tentado explodir a empresa. enfim, por sempre ter me comportado direitinho conforme o esperado apesar da vontade de sair chutando todos os baldes pelo caminho. ^^

eu fiz um ano de estágio na área de acessibilidade da tv cultura, redigindo e revisando os roteiros de audiodescrição da grade da emissora. mesmo depois de tanto tempo eu ainda não sei explicar o que é e como funciona exatamente a AD de uma forma adulta, então deixarei aqui a definição da wikipedia: "Audiodescrição é a uma faixa narrativa adicional para os cegos e deficientes visuais consumidores de meios de comunicação visual, onde se incluem a televisão e o cinema, a dança, a ópera e as artes visuais. Consiste num narrador que fala durante a apresentação, descrevendo o que está a acontecer no ecrã durante as pausas naturais do áudio e por vezes durante diálogos, quando considerado necessário". é um negócio muito legal, de verdade. caso alguém se interesse em saber mais, vale a pena dar uma pesquisadinha nas internets ;)

não entrarei em muitos detalhes aqui pra não correr o risco de me complicar futuramente, mas preciso dizer que, mesmo que esse estágio tivesse todo o potencial do mundo pra ser o maior sucesso possível, foi bem frustrante. primeiro porque não tinha nada a ver com o meu curso, então em vez de me ajudar a colocar os meus aprendizados em prática, só servia pra me tomar tempo e me impedir de estudar. segundo porque a carga de trabalho era ínfima, já que a empresa só tá preocupada em acessibilizar o mínimo de horas de programação exigido por lei, então se você coloca cinco (!) estagiários pra dar conta de meia dúzia de programas que costumam inclusive reprisar com uma frequência meio alta, é óbvio que essas pessoas vão passar muito, mas muito tempo mesmo sem ter absolutamente nenhum trabalho pra fazer. e terceiro porque o salário, meus amigos, ele era tão pequenininho que não parecia nem real.

mas não posso só falar mal, já que esperei meu contrato acabar porque quis, então algo de bom deve ter me motivado. né? então... a empresa é super pertinho da minha casa, o que é praticamente uma raridade, e isso foi uma das coisas que mais pesou pra mim. e como eu moro com meus pais e não tenho nenhuma conta fixa pra pagar, eu não preciso de um salário absurdo de alto (gostaria muito né, sinceramente, mas precisar eu num preciso não). isso sem contar o vale refeição e o vale transporte, que livraram d+ a minha cara. e a empresa é super tranquila, os horários eram tão flexíveis que se eu quisesse chegar às 10h da manhã na segunda e as 16h da tarde na terça ninguém ia se importar, se eu quisesse ir trabalhar de chinelo e pijama também não teria problema nenhum... então é assim: realmente não era o trabalho mais motivante do mundo (muito pelo contrário), mas tinha umas vantagens que eu simplesmente não podia deixar de levar em consideração.

cumpri meu contrato da melhor maneira possível, mas recusei estender por mais um ano porque eu simplesmente não podia me obrigar a continuar sofrendo dessa forma. foi com um alívio imenso que eu disse pra minha chefe que não tava interessada em renovar o contrato não, obrigada, valeu pela oportunidade mas eu realmente vou deixar passar etc. :)

fazendo um resuminho básico, o que eu aprendi com essa experiência foi:

1) um ano passa muito rápido - por mais que os (muitos) dias sem trabalho tivessem se arrastado, os meus doze meses na empresa voaram! meu contrato acabou mais rápido do que eu esperava, por mais que eu já estivesse frustrada e querendo ir embora desde o quarto mês hahaha

2) um chefe ruim pode acabar com a saúde dos funcionários - não que minha chefe fosse daquelas horríveis que a gente vê em filme, mas ela realmente não facilitava muito a nossa vida. tenho um monte de coisa pra elogiar nela também, mas a parte ruim era meio sufocante pra mim. tinha dias que eu contava os minutos pra ela ir embora, porque parece que ficava até mais fácil de respirar depois que ela ia. era todo dia uma dor de cabeça diferente, uma sensação bem ruim mesmo :(

3) muito trabalho é melhor do que trabalho nenhum - gente, sério, confia em mim quando eu digo isso!!! eu sei que provavelmente você tá lendo isso e tá achando que eu reclamo de barriga cheia, que ter tempo livre no trabalho é o sonho de qualquer um e coisa e tal. e eu até concordo com você, desde que isso aconteça esporadicamente e não todo santo dia por um mês. porra, imagina você passar seis horas do seu dia preso numa sala fechada, sentado na frente do computador, sem absolutamente nada pra fazer ali? desperdiçando 1/4 de dia, sendo inútil por todo esse tempo, quando você poderia estar em qualquer outro lugar do mundo que isso não faria a menor diferença... soma a frustração de se sentir desnecessário com a obrigação de estar ali mesmo assim por praticamente um ano e depois me fala se num é um negócio que desgraça a cabeça da gente!!

4) faça amizade com as pessoas que trabalham com você - já que é pra ficar seis horas do lado dessas pessoas sem ter nada de útil pra fazer, então vire amigo delas pra tornar a coisa toda pelo menos um pouquinho mais divertida. e mais fácil de ser vivida, também!!

pra finalizar, dá pra dizer que apesar de ter sido uma bosta, também foi uma experiência boa! esse primeiro estágio vai ficar guardadinho num lugar especial, disso eu tenho certeza. :)

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

livrinhos de 2016 - parte III

aqui estou eu, três meses depois, pra contar quais foram as minhas leituras no terceiro trimestre do ano! se você não viu as partes anteriores, é só clicar aqui embaixo pra conferir tudinho:

* parte I e parte II :)


JULHO (5 livros)
 Ruth Rocha conta a Odisséia - Ruth Rocha (2006)
eu deveria ter lido a odisseia no primeiro ano da faculdade, pra aula de estudos clássicos. é mais do que óbvio que isso não aconteceu, convenhamos. por mais que eu goste muito de mitologia e tenha aproveitado bastante as aulas sobre a odisseia, que é um texto incrível, é impossível uma pessoa no primeiro semestre ter motivação e paciência o suficiente pra ler esse negócio... daí descobri essa versão infantil na minha casa (a estante de livros dos meus pais é d+!) e ~dei início aos trabalhos~ de leitura dess segundo semestre com ela! a edição é ilustrada, toda bonitona <3 sendo pra crianças, a história é contada de um jeito bem simples e superficial, mas sem deixar nenhum detalhe importante de fora. é bem legal pra quem quer conhecer mas não tem saco pro texto original :)

 Til - José de Alencar (1872)
mais um livro que eu deveria ter lido em algum momento da vida, mas só fui criar vergonha na cara pra fazer isso anos depois... esse era leitura obrigatória pra fuvest, né? bom, digamos que eu só tenha lido agora no meu terceiro ano de usp mesmo hahaha eu conhecia a história e achava muito legal, mas é livro do romantismo né, eu nunca tive muito saco pra esse período literário, então posterguei a leitura. até que chegamos em 2016 e eu senti necessidade de ler mais livros brasileiros, daí aproveitei que ele era curto e já tava na minha estante mesmo... bom, a história parecia mais legal antes de eu ler, mas ainda assim gostei bastante. é meio arrastado, tem descrições demais, algumas partes são meio duvidosas... mas no geral foi uma leitura boa sim!

 O conto da Ilha Desconhecida - José Saramago (1997)
esse livrinho tem umas 70 páginas no máximo e foi o meu primeiro contato com o saramago. no início eu não tava gostando muito, na real eu tava bem incomodada com a maneira como ele coloca os diálogos no texto (eles aparecem do nada, entre vírgulas e com letra maiúscula pra demarcar onde começa a frase. tipo: ela disse Você vai, Eu vou e você, Também, então eles foram. bem assim, solto no meio do texto e sem ponto de interrogação nas perguntas, uma loucura! ah, não aparece em itálico lá não, fui eu que coloquei aqui pra diferenciar o exemplo do resto hahaha). aí quando cheguei mais pro final do livro eu percebi que já tinha sido cativada pela leitura, apesar do incômodo inicial. não tem nada de muito impressionante, a história é bem bobinha até, mas achei a mensagem um amorzinho!

 Cândido, ou o Otimismo - Voltaire (1759)
outro título da já velha conhecida série "era obrigatório em algum momento da vida, porém só li depois" :) esse aí eu me recusei a ler por um motivo muito simples: quem pediu foi a professora de literatura portuguesa (que é uma matéria que eu nem gosto) mas o autor é francês. ou seja, não tinha nada a ver com o curso, não entendi até hoje qual a necessidade desse livro naquelas aulas (ok, entendi o motivo, mas não precisava...). eu achei essa história tão esquisita e surreal e divertidinha que não resisti quando encontrei esse exemplar sendo vendido por módicos 11 reais. agora vem a pergunta que não quer calar: mas valeu a pena a leitura? olha... não foi ruim, mas ouvir a história sendo contada por alguém é infinitas vezes melhor. se por um acaso você estiver afim de ler algo absurdo e cheio de bizarrices e queira ler voltaire algum dia na vida, vai que é sua!

 O Assassinato de Roger Ackroyd - Agatha Christie (1926)
essa foi a minha segunda vez lendo agatha christie e eu gostei mais do que antes (falei aqui do primeiro livro dela que eu li). gosto muito desse tipo de história, fico maluca tentando desvendar o mistério antes do fim e quero ler sem parar até que tudo seja esclarecido. não sei se esse livro era realmente muito óbvio ou se meu contato com tantas séries policiais me transformou em uma boa detetive, só sei que adivinhei quem era o assassino desde o princípio, mesmo não fazendo ideia de como aquilo poderia ter acontecido. gostei de ir descobrindo o desenrolar dos fatos aos poucos e gostei de ver como as diferentes coisas se entrelaçavam na mente do detetive que desvendou o caso. fica aí a recomendação de um livrinho divertido pra fazer a mente trabalhar :)


AGOSTO (6 livros)
 O Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman (2013)
eu nunca tinha lido neil gaiman, mas a mayra do all about that book vive recomendando o cara, então escolhi esse livro aleatoriamente porque achei a capa bonitinha hahaha e foi uma leitura muito feliz :) a história é tipo uma fábula, bem fantástica mesmo. você tem que se deixar entrar no universo do livro e abrir a cabeça pro que tá sendo narrado. não sei se é um livro que agradaria a todos, justamente por ter esse lado meio fantasioso, mas eu achei muito legal! senti vontade de ler no original, porque algumas coisas na forma como o texto foi construído não me agradaram tanto, mas acho que isso tem muito mais a ver com quem traduziu do que com o autor em si. de qualquer forma, gostei bastante e inclusive agarrei amor por uma das personagens, a lettie hempstock (falei um tiquinho sobre ela aqui)! 💕

 O Outro Pé da Sereia - Mia Couto (2006)
assim que eu comecei a ler já deu pra perceber que era amor. foi meu primeiro contato com esse autor e eu sinceramente só conseguia pensar "por que raios eu demorei tanto tempo pra ler algo do mia couto?" de tanto que eu gostei. o livro é incrível, tem umas cenas incríveis, os personagens são muito bons... e tem umas frases que eu queria tatuar na testa de tão absurdas! recomendo muito 💕💕

 Só Garotos - Patti Smith (2010)
peguei pra ler sem nem saber quem era a moça, pra ser bem sincera. achei a capa tão bonita que, quando minha amiga me perguntou qual livro eu ia querer de presente de aniversário, coloquei esse na lista. a princípio eu não tava curtindo, porque preciso admitir que tenho um total de 0 interesses nessa cena artística americana dos anos 60 (sorry not sorry), então eu lia com vontadinha de terminar logo pra me livrar da leitura. até que, quando eu percebi, me vi afeiçoada pelos personagens principais e acabei gostando de acompanhar a trajetória deles. aliás, por mais que eu não estivesse interessada at all em todas as informações que ela dava sobre os músicos/poetas/fotógrafos, imagino que essa seja justamente a parte legal pra maioria das pessoas que lê, né?

 O Auto da Compadecida - Ariano Suassuna (1955)
esse livro é a transcrição da peça de teatro e só não é mais amor porque eu não sou tão fã assim de ler peças, mas essa história é possivelmente uma das minhas preferidas do mundo e não tinha como não ser uma leitura absolutamente gostosa 💕💕 li em um dia, é super curtinho, recomendo bastante. mas sinceramente recomendo o filme ainda mais, por motivos de melhor filme da história do brasil ^^ 

 Anna e o Homem das Andorinhas - Gavriel Savit (2016)
escolhi aleatoriamente, também por causa da capa bonita (sou dessas sim, não nego) hahaha e foi uma surpresa muito feliz! a anna, gente, que menina mais incrível! 💕 a história é muito boa, você se envolve facilmente. mas a temática é bem pesada, apesar do nome fofinho. meu único problema com o livro foi em relação ao final, porque é daquele tipo de história que termina do nada, sem um fim propriamente dito - e eu raramente gosto disso. achei que o leitor merecia um final melhor, sabe? a menos que tenha uma continuação, aí sim aquilo seria justificável...

  Pai Rico, Pai Pobre - Robert Kiyosaki (1997)
infelizmente a gente não vive só de romance de ficção por aqui - gostaria muito! -, então um dos livros do tal projeto de leitura com o meu namorado foi esse aí (percebam que a última vez que falei desse projeto foi em abril e só voltamos agora.. hahah). mas gente, que desespero eu senti lendo esse livro. por mais que o autor realmente tenha passado alguns ensinamentos pertinentes em relação à inteligência financeira, eu quase joguei o livro longe umas 837 vezes. não sei o que eu tava esperando também né, mas não foi fácil lidar com o posicionamento desse autor que defende o capitalismo com unhas e dentes, que só faltou estampar a palavra "meritocracia" no alto de cada página.. pra não dizer que li só pra passar raiva, dá pra tirar 01 coisa de bom dessa leiturinha desgastante: a gente realmente fica mais consciente do que faz com o próprio dinheirinho, pelo menos....


SETEMBRO (6 livros e 1/5)
 Iaiá Garcia - Machado de Assis (1878)
livrinho da famigerada fase romântica do machado, antes de ele virar aquele escritor bom de vdd que a gente conhece. é super curtinho, li em uns 3 dias, mas sinceramente não me acrescentou em na-da. eita história sem graça! terminei de ler e a única coisa que eu conseguia pensar era "tá, mas qual foi o ponto desse livro???" asghdasash li pra matéria de literatura brasileira desse semestre, que é só sobre machado de assis - preparem-se pra ver muitos outros livros dele por aqui!

 Eu, Robô - Isaac Asimov (1950)
gostei tanto desse livro que não sei nem explicar!!! 💕💕 a princípio, cada capítulo foi publicado separadamente e depois um editor decidiu que seria uma boa ideia juntá-los em uma coisa só, daí o autor deu um jeitinho de ligar cada um deles e formar uma história una. eu gostei muito da escrita do asimov, gostei muito da temática do livro e achei incrível como as coisas se relacionam nessa história. o mais louco é pensar que isso foi escrito há tantos anos, quando a tecnologia tava longe de ser o que é hoje. dá até vontade de voltar no tempo só pra ser miga do autor e descobrir como foi o processo de criação desse universo hahah foi apenas um dos meus livrinhos preferidos do ano até agora :D ah, só pra constar: também é do projeto de leitura com o boy.

 Viva o Povo Brasileiro - João Ubaldo Ribeiro (1984)
é com muita dor no coração que eu preciso confessar que abandonei esse livro por volta da página 150 (o que parece muita coisa, mas não é quase nada, porque minha edição tem 790 pagininhas..) 💔 :~ o mais triste é que eu SEI que o livro é bom, porque a escrita do joão ubaldo é maravilhosa! mas acho que não era o momento certo, não rolou. eu tentei me forçar a chegar na página 200, pra ver se o livro me conquistaria, mas quando eu percebi que tava lendo 1 linha e pulando umas 7 só pra atingir a meta e poder largar de vez, eu achei mais fácil desistir logo pra não ficar sofrendo a toa. algum dia da vida eu vou dar outra chance pra essa leitura, mas não foi dessa vez :(

 Clube da Luta - Chuck Palahniuk (1996)
a maior vantagem de não ter assistido à maioria dos filmes que todo mundo já viu é que eu pude ler esse livro sem saber absolutamente nada da história (além da famigerada primeira regra do clube da luta), então foi um negócio sensacional hahaha eu li com o meu namorado e ele obviamente já tinha visto o filme (pq ele é normal hehe) então nossas experiências foram opostas. ele tava super empolgado querendo saber em que parte do livro eu tava pra saber minha reação quando o ~segredo~ da história fosse revelado e tal, foi bem legal. essa história é um absurdo e é contada de um jeito muito louco, já deu vontade de reler pra conseguir perceber melhor certos detalhes que a gente só dá atenção depois de finalmente descobrir qualé que é. achei 10/10 💕 ALIÁS, fica aqui a dica pra quem só viu o filme e gostou pra caramba: O LIVRO É MELHOR! ;)

 O Diário de Bridget Jones - Helen Fielding (1998)
esse livrinho nem tava na minha lista de próximos a serem lidos, mas 1) eu percebi que tava lendo pouca coisa de autoras mulheres 2) eu queria uma história mais leve, que não me deixasse tão desgraçada da cabeça quanto os livros anteriores, então quando me deparei com esse diarinho não fui capaz de resistir! confesso que às vezes eu ficava meio entediada de ver a contagem de calorias ingeridas pela bridget ao longo dos dias, mas de resto foi só alegria :) não foi aqueeela leitura arrebatadora, que roubou meu coração e coisa e tal, mas foi um amorzinho!

 Fundação - Isaac Asimov (1951)
por ter gostado tanto de Eu, Robô pode ser que eu tenha vindo com muita sede a esse pote e me senti meio desiludida com essa leitura hahaha o asimov é foi um baita escritor, isso não dá pra negar nem que eu queira, mas o livro é muito confuso. a história é super legal, mas exige um grau de concentração além do que eu consigo atingir e, sendo assim, eu me perdi umas oitocentas vezes ao longo da leitura hahaha tem muito personagem, os anos passam muito rápido, acontece coisa d+.. e o leitor que não tem uma memória absurdamente boa pra decorar todas essas coisas fica tipo ~cego em tiroteio~ tentando entender como e quando tudo aquilo aconteceu hahaha bom, não é que eu tenha odiado, eu só não me empolguei. tanto é que nem vou ler os outros livros dessa série, só esse já tá muito bom pra mim ;~

 Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis (1881)
pra fechar o mês (e o trimestre e o post!) escolhi essa releitura do amor!! <3 li lá em 2012, quando tava na escola, e gostei muito. agora meu professor de literatura brasileira da faculdade vai trabalhar a obra do machado com a gente e eu não podia deixar de reler pra matar a saudade que eu tava desse narrador absurdo que é o brás cubas! não preciso nem dizer que eu recomendo, né? 💕




e os resultados parciais desse trimestre são:

 livros terminados 17 x 1 livros abandonados
 literatura brasileira 6 x 12 literatura estrangeira (1 portuguesa, 3 britânica, 1 francesa, 1 moçambicana, 6 americana)
 livros lidos no kindle 10 x 8 livros físicos
 autoras mulheres 4 x 14 autores homens :(
 releituras 1 x 17 livros novos

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

ela não queria ter dito sim

giovanna aceitou o convite por impulso, sem pensar muito a respeito. ou talvez tenha sido por vergonha de recusar, já que ela sempre aprendeu que não podia magoar os sentimentos dos rapazes - muito menos daqueles que se interessaram por ela. seria quase um sacrilégio dispensar um moço bonito, rico e que queria levá-la pra jantar num restaurante caro e badalado. mesmo que ela não tivesse o menor interesse de passar esse tempo com ele, o correto era dizer sim. e foi isso o que ela fez. o problema é que, por mais que uma voz chata e insistente não parasse de ressoar na sua cabeça afirmando que esse encontro era uma grande oportunidade, seu coração gritava o contrário. a cabeça dizia uma coisa, enquanto o coração entrava em colapso só de pensar em perder essa batalha. desesperado, ele batia a toda velocidade, pra ver se surtia algum efeito. e a cabeça de giovanna continuava com aquela mesma ideia torta. batendo descompassado e dificultando a respiração da menina, seu coração implorava por ser ouvido.

o convite de rafael era para dali a cinco dias. depois de dizer sim, para tentar acalmar seu coração, giovanna pensou que teria tempo suficiente pra amadurecer essa ideia e, por fim, se convencer de que era uma boa sair com esse cara. mesmo sem a menor vontade, mesmo sendo só porque todos julgavam correto ("você não pode dispensar um moço bonito, rico e que quer te levar pra jantar num restaurante caro e badalado", eles diziam).

durante os cinco dias, a menina viveu esse conflito. era uma luta árdua, já que nem cabeça e nem coração pareciam abrir mão de vencer. ambos se esforçavam ao máximo pra falar mais alto, deixando giovanna com seus nervos à flor da pele. e o rafael? você deve estar se perguntando. bom, ele continuou sua vida normalmente. sequer pensou no assunto por muito tempo, só avisou os amigos que não poderia sair com eles no sábado porque tinha marcado de jantar com "a gostosa da giovanna, aquela loira, amiga da carol". o rafael estava assim tão tranquilo porque isso, pra ele, não era nada demais. ele sempre saía com meninas bonitas, ficava com elas por um tempinho e, quando elas finalmente se envolviam, ele pulava fora. nada demais. 

tinha sido combinado que o rapaz buscaria giovanna na casa dela às 19h. no meio da tarde de sexta feira a menina estava à beira de uma sincope nervosa. por mais que a voz na sua cabeça fosse persistente e poderosa, seu coração pediu ajuda: agora seu estômago revirava e sua pele suava frio só de pensar em jantar com rafael. a comida não seria um problema, o lugar menos ainda. problema mesmo seria ficar frente a frente com aquele cara desinteressante, egocêntrico e babaca. tendo que rir das piadas dele, tendo que sorrir quando ele fizesse algum elogio a respeito da aparência dela, tendo que aguentar o encontro pelo tempo que ele quisesse, já que ela estaria de carona - e, portanto, presa ao cara até o fim da noite.

num momento de iluminação desesperada, ela mandou uma mensagem mudando ligeiramente os planos. rafael ficou um tanto desconcertado quando leu aquelas poucas palavras que chegaram do nada, sem nenhum aviso prévio, mas não foi capaz de interpretar os discretos sinais que a vida tentava lhe dar. depois de horas sem responder o que ele havia perguntado a respeito da roupa que ela usaria no encontro, giovanna simplesmente ignorou a insinuação maliciosa do rapaz e enviou a seguinte mensagem: "não precisa me buscar em casa amanhã, a gente se encontra por lá. às 19h mesmo, tá? beijos!". ela não sabia disso, mas seus dedos agora também faziam parte do time de apoio ao seu coração. quando eles perceberam o tamanho do buraco em que ela havia se enfiado, se uniram pra tentar derrotar a cabeça da menina e aquele pensamento que não era dela, mas sim das pessoas que estavam ao seu redor. 

giovanna não entendia os motivos daquele seu estado emocional. durante toda a sua vida ela ouviu que aquele era o cenário perfeito: um moço bonito, rico e que queria levá-la pra jantar num restaurante caro e badalado! mas ninguém nunca tinha falado pra ela que isso vinha acompanhado do resto. daquele jeito sem graça, daquelas piadas preconceituosas, daquela mania insuportável de arrumar o cabelo a cada dois minutos. giovanna conversava com rafael pelo celular porque, pra ela, não era nada demais. a qualquer minuto ela poderia simplesmente parar de responder, silenciar as mensagens do cara e continuar seu dia em paz. mas ela não teria essa mesma chance pessoalmente, teria?

sábado, 19h00, restaurante caro e badalado. rafael foi pontual, ele quis chegar cedo pra escolher a melhor mesa e já começar a decidir o que os dois comeriam - afinal de contas, quem melhor do que ele pra escolher qual a melhor opção daquele cardápio tão chique, cheio de comidas que quase ninguém sabia a maneira correta de pronunciar o nome? 

às 19h30, começando a se cansar daquela espera, rafael mandou uma mensagem pra giovanna, perguntando se ela ainda demoraria muito pra chegar. "o antepasto de atum selado com gergelim que eu escolhi pra gente vai esquentar se você não chegar logo", ele disse. sentada no sofá da sua casa, usando o seu pijama mais confortável, giovanna leu a mensagem e gargalhou. ela riu até chorar, colocando pra fora de seu peito toda a angústia vivida naqueles cinco dias. com a maior tranquilidade possível, ela respondeu que houve um imprevisto e que não não seria possível encontrar com ele no restaurante. depois de enviar, ela bloqueou o número do cara, voltou a prestar atenção no seu filme preferido e comeu toda a pipoca que encontrou pela frente.

sorte da giovanna que, depois de muito esforço, o coração venceu. e o rafael? você deve estar se perguntando. bom, pra não perder a viagem, ele escolheu o vinho mais caro da casa, comeu um daqueles pratos com nome que ninguém sabe pronunciar e mandou mensagem pra larissa, perguntando se podia passar na casa dela dali a duas horas. ela disse que sim.