sexta-feira, 21 de abril de 2017

"já que tá todo mundo fazendo..." ¯\_(ツ)_/¯

como eu sou meio contra esse tipo de coisa no meu* facebook, me recuso a postar isso lá. mas é aquela velha história, né: nois tem blog em pleno ano de 2017 pra passar vergonha mesmo, não tem outro jeito. então é óbvio que vai ter correntinha da  moda por aqui, né? 

* no seu cê faz o que cê quiser, inclusive postar corrente todo dia se isso te fizer feliz ;)

são 9 verdades e 3 mentirinhas, vamos lá:

1) ganhei meu primeiro celular com 8 anos

2) me perdi no beto carrero quando eu tinha 3 anos e fiquei 1 hora sumida pelo parque

3) expliquei pra uma canadense dentro do mercado que o brasil fica na américa do sul e não na europa

4) no ensino fundamental, quase rompi os ligamentos do dedão quando uma amiga sentou em cima da minha mãozinha

5) amo andar de chinelo na rua, acho super confortável

6) passei de primeira na prova prática da auto escola mas não dirijo nem por um decreto, tenho pavor de pegar no volante

7) já encarnei a pequena sereia e a princesa do conto de fadas da princesa e a ervilha em 2 feiras culturais diferentes

8) eu era ótima em geografia, sempre tirava notas boas sem muito esforço

9) sou tão medrosa que, quando pequena, assisti a um episódio específico do desenho do scooby doo e fiquei traumatizada por vários dias por causa do monstro

10) tirei os quatro dentes do siso de uma única vez e o processo todo não durou nem uma hora

11) já quis alargar a orelha, fechar os braços com tatuagem e colocar piercing no lábio

12) só consigo beber água na garrafinha, tenho agonia de beber no copo


talvez nem minha mãe acerte todas as mentiras, fica aí o desafio ^^ (e eu nem tô esperando que alguém comente com a resposta, pra ser bem sincera. tô só lançando a curiosidade no ar e soltando algumas infos sobre a minha pessoinha de forma misteriosa mesmo.)

quinta-feira, 13 de abril de 2017

é hora de jogar o lixo fora de uma vez por todas

vamos aproveitar o momento pra falar sobre relacionamento abusivo aqui nesse canal bloguinho, migas? ;)

pra começo de conversa, é sempre bom lembrar e deixar bem claro que violência contra a mulher não é só física. não é só soco na cara e estupro num beco escuro. você, boyzinho que compartilha nude com os brother sem o consentimento da menina, tem tanta culpa no cartório quanto qualquer outro. você que segura a menina pelo braço na balada quando ela fala que não tá afim de te beijar e só solta depois que ela ~prova que tem namorado~ também tá sendo violento. e você que fica falando por aí que a sua ex era louca, descontrolada e espalha um monte de bobagem sobre a menina? pois é, meu bem: violento também. e o marido que controla o cartão de crédito da esposa e joga na cara dela que quem coloca comida na mesa é ele, então ela não tem nem que opinar? desse aí eu não preciso nem falar, né? 


isso estando esclarecido, podemos seguir em frente.

* * *

o meu antigo relacionamento durou mais de dois anos e meio. nós eramos adolescentes, ainda estávamos na escola, então era muito diferente do que é agora. nenhum de nós tinha muita noção do que era a vida real, a gente ainda dependia dos nossos pais pra praticamente tudo... era um namorinho de escola, mas pra mim era a coisa mais essencial do mundo. na minha cabeça, ele era o que eu tinha de mais importante. e o verbo é esse mesmo, ter. a gente se achava dono um do outro, era sentimento de posse de verdade, uma coisa bem problemática.

como já dá pra perceber, o relacionamento era abusivo. mas não tinha nada de físico não. ele não era violento, não me xingava, não gritava comigo, não me forçava a nada... enfim, não tinha nada visível aos olhos dos outros - e nem aos meus, pra ser bem sincera. na época eu acreditava que aquilo era normal, que era a única forma possível pra um namoro acontecer. porque essa era a minha única realidade e eu não tinha uma referência pra me pautar, então pra mim era daquele jeito que as coisas eram e pronto. eu achava normal que a gente controlasse o que o outro fazia. eu achava normal que ele quisesse me impedir de ter certos amigos, porque tinha ciúmes. assim como eu achava normal falar pra ele que não era pra ele conversar com tal pessoa simplesmente porque eu não queria que ele fizesse aquilo. eu também achava normal que ele me pedisse permissão pra fazer algumas coisas, ou pelo menos me avisasse com uma semana de antecedência antes de ir em algum lugar, ou de cortar o cabelo, ou de comprar uma roupa. e, obviamente, pra mim também era normal fazer esse tipo de coisa. 

a gente brigava tanto, mas tanto, que teve uma época que a gente praticamente só se falava pra arrumar confusão mesmo. eu lembro de um dia em específico que a gente tava brigando pelo telefone por causa de ciúmes e eu tava sentada na minha escrivaninha, chorando e falando um monte de coisa, até que eu me olhei no espelho e pensei "o que é que eu tô fazendo da minha vida?". aí eu comecei a perceber que devia ter algo errado no nosso relacionamento, não era possível que namorar era um troço tão sufocante daquele jeito. também não era possível que meu namorado ficasse ofendido e irritadíssimo se eu tirasse notas mais altas que ele. "o professor só te deu nota mais alta que a minha porque você é menina e ele quer te agradar", ele disse uma vez. e eu cheguei quase a concordar, mas fiquei com aquela pulga atrás da orelha. "ué, o que tem a ver uma coisa com a outra? tá ficando doido, rapaz? tirei nota alta porque acertei tudo, pronto e cabô". mas não comprei essa briga não, a gente já brigava demais por causa dos amigos que eu insistia em ter mesmo que ele falasse que não era pra eu falar com essas pessoas...

daí eu cheguei no meu limite e nosso namoro terminou. não brigamos na hora do término, nós dois sabíamos que aquela era a melhor das escolhas, mas mesmo assim não foi fácil. foi difícil pra caralho. a gente tava tão dependente um do outro que parecia um absurdo não estarmos mais juntos, não estarmos mais controlando os passos um do outro. tanto é que mesmo separados, mesmo que ele já estivesse com outra menina, ele ainda vinha dar pitaco na minha vida e reclamar de quem eu beijava ou deixava de beijar. olha, não tá escrito o tanto que eu me ofendi quando o rapaz veio falar "você disse que nunca ficaria com ele quando eu disse que tava com ciúmes e agora você ficou, eu não acredito que você fez isso, você tá muito mudada". a gente já tinha terminado há meses, ele tava em outro relacionamento e ainda se sentia no direito de opinar sobre coisas que não tinham nada a ver com ninguém além de mim. isso porque a gente passou muito tempo acreditando que tínhamos o controle sobre a vida um do outro. mas ali eu já sabia que a coisa não era bem assim. e que, por sinal, um relacionamento saudável devia ser bem diferente daquilo.

aí nós paramos de conversar de vez porque já não tinha mais como sustentar aquela relação esquisita. depois de um tempão, no ano seguinte, eu comecei a me relacionar com o meu namorado atual. e vocês não fazem ideia do quanto eu penei pra deixar pra trás todos os maus hábitos do relacionamento passado...

eu sofri muito até entender que a gente não era dono um do outro, que a gente só namorava. pra mim era um absurdo que ele saísse e só me avisasse depois, sem me contar com antecedência o que ia fazer e por que ia fazer. eu queria narrar todos os meus passos pra ele, mas ele não sentia necessidade de ficar me falando tudo que tava fazendo. aliás, outra coisa que eu fazia no começo era querer saber tudo que ele tava pensando, porque com o meu ex era assim. até que ele me disse "acho que não tem necessidade disso, né? o que tá dentro da nossa cabeça é problema nosso, não é de mais ninguém". aquilo foi um balde de água fria tão grande bem no meio da minha cara que me deu até vergonha. eu acreditava que meu namoro era saudável, e era mesmo, mas eu ainda tava toda contaminada com os erros de antes. e demorei muito pra conseguir me livrar de todo aquele lixo psicológico que tava impregnado em mim. sendo bem sincera, ainda hoje eu me pego tentada a fazer/falar certas coisas que tão longe de fazer parte de um namoro saudável. mas a gente segue firme e forte na caminhada rumo à desconstrução, ainda que ela seja bem dolorosa.

e eu disse tudo isso pra falar que abuso psicológico é um troço muito doido e muito perigoso também. a gente não percebe, porque não deixa mancha roxa pelo corpo, mas é um negócio que te suga aos poucos pra dentro de um buraco sem fim. e quando cê chega lá embaixo, no fundo mesmo, cê acha que nunca vai conseguir sair. eu sentia um ciúmes desgraçado do meu namorado atual, sem motivo algum, só porque eu tava acostumada com isso. e ficava indignada por ele não brigar comigo quando eu conversava com algum menino que ele não conhecia. achava que ele não gostava de mim o suficiente pra se importar. é muito louco isso, né? enxergar o ciúmes como algo nocivo e não como algo bom foi um processo bem lento por aqui. precisei conversar muito com o meu namorado pra conseguir assimilar que amor e sentimento de posse são coisas absolutamente distintas. e, pra minha sorte, ele me ajudou absurdos nessa questão (e em tantas, tantas, taaantas outras).

hoje eu olho pra trás e vejo o tanto que eu mudei e cresci desde o meu relacionamento anterior. na época eu sabia que era ruim, mas acreditava que era daquele jeito que tinha que ser. ouvi muitas vezes das pessoas ao nosso redor que do jeito que eu era chata, só o meu ex mesmo poderia me aguentar. talvez isso tenha me influenciado a insistir no erro por tanto tempo... e o mais bizarro foi a reação das pessoas quando nós terminamos. elas diziam que nós eramos um casal perfeito, que não fazia sentido o namoro ter terminado. mas o relacionamento já tava horrível, desgastado, asfixiante. doía só de pensar. mas como os abusos (de ambos os lados) eram só psicológicos e não físicos, ninguém conseguia ver o quanto aquilo fazia mal pra gente.

se eu que não tenho nenhum trauma sério terminei de escrever isso aqui chorando e com uma dor de cabeça absurda, não quero nem pensar em como meninas que sofreram muito mais do que eu se sentem em relembrar e remexer nesse tipo de relacionamento... mas é importante que a gente faça isso. seja pra ilustrar a realidade das mulheres, seja pra ajudar alguém a enxergar a situação pela qual ela tá passando, ou seja só pra jogar fora esse lixo que a gente ainda guarda aqui dentro. dói bastante, mas no fim das contas faz bem.

que nós mulheres tenhamos cada vez mais força e mais apoio umas das outras pra sairmos desses relacionamentos problemáticos e conseguirmos seguir em frente com as nossas vidas de forma saudável. ESTAMOS JUNTAS! ♀

#euviviumrelacionamentoabusivo
#mexeucomuma #mexeucomtodas

quarta-feira, 12 de abril de 2017

desafio da vez: escrita e narrativa

é com muito orgulho e com um alívio tremendo que eu digo que: cheguei no meu quarto ano de graduação! (pro meu azar o meu curso dura cinco, mas gosto de ver pelo lado positivo e pensar que, finalmente, estou chegando ao fim dessa trajetória interminável.)

uma das coisas que mais me incomodavam no curso é que nós não temos nenhuma matéria de escrita. ok, eu entendo a vibe da minha faculdade, entendo que eles tão interessados em formar pesquisadores e não escritores, mas sempre achei que essa "não importância" era meio preocupante. e quando eu digo que faltam matérias de escrita eu não digo de escrita criativa, pra criar história de ficção. tô falando de redação mesmo. de novo, eu entendo o porquê de não existir essa matéria na grade obrigatória do curso, mas ainda assim acho bem ruim que profissionais de letras, que vão trabalhar diretamente com o texto escrito, passem cinco anos sem isso. MAS OK, SEGUE O BAILE, SAÍ DO ASSUNTO, O POST NEM É SOBRE ISSO.

eis que, ao me inscrever nas matérias pra esse semestre, eu descobri a existência de uma disciplina chamada escrita e narrativa em inglês, que faz parte da grade de optativas livres da minha habilitação. eu não pensei duas vezes: me inscrevi na hora! o sistema me agraciou com a vaga nessa turma e cá estamos nós cursando a disciplina.

antes de mais nada é preciso dizer que: o inglês, apesar de ser uma das habilitações mais concorridas e com o maior número de vagas na letras, é também uma das que tem mais problemas com falta de professores. ou seja, não há professor suficiente. então, consequentemente, nem todo semestre abrem todas as matérias pra gente cursar. sendo assim, essa é a primeira vez em uns cinco ou seis anos que essa matéria tá sendo dada. o que significa que eu me matriculei absolutamente no escuro, sem fazer a menor ideia do que ia encontrar ali. e como já era de se esperar eu fui um tantinho ingênua... (quando não, né, mores? ¯\_(ツ)_/¯)

o professor é novinho, todo ~descolado, deu até um curso de extensão sobre fanfic há um tempinho. e o conteúdo da aula também é um amorzinho, a gente basicamente estuda como se deve construir uma narrativa. personagens, ambientação, diálogos, etc etc etc. tudo bem legal. o problema mesmo tá no método de avaliação. a gente vai ter que escrever um conto de ficção em inglês de no mínimo duas mil palavras. e é isso. SIM, serei avaliada e ganharei uma nota de 0 a 10 em cima de um conto de ficção escrito em inglês HAHAHAHAH deus me ajude!

antes que alguém fale alguma coisa: eu sei que isso não é um problema de verdade. já tive muita matéria com método de avaliação horroroso (tipo fazer 20 páginas de análise filológica sobre um documento escrito a mão do século 16), mas não é muita responsabilidade deixar a nota do semestre todinho só nisso??? gente, eu já tô apavorada. eu gosto de escrever, vivo inventando história na minha cabeça, já tenho a minha história definida pra escrever o conto, mas ainda assim não me sinto boa o suficiente pra isso. até porque eu nem sei qual exatamente vai ser o critério do professor, né? acho difícil, mas já pensou se o cara for avaliar simplesmente de acordo com o que ele gostou ou não? "ah, bem legal sua história mas achei essa personagem aqui meio chata, nota 7.5 pra vc"???? aí fodeu.

mas de qualquer forma acho que vai ser uma experiência divertida. a versão final só vai ser entregue pro professor lá em junho, então tenho bastante tempo pra trabalhar no texto e conseguir criar algo legal o suficiente pra tirar uma nota decente. caso a minha short story seja realmente bacana, pode ser que eu dê um jeito de divulgar por aí nesse mundinho das internets. 😉

sábado, 8 de abril de 2017

16. "sabia que eu sou tagarela?"

uma das minhas funções no estágio novo é acompanhar duas menininhas pequenas, separadamente, enquanto elas fazem as tarefas de inglês. a gi tem 5 aninhos e é descendente de japoneses, a nina tem 6 e é descendente de coreanos. por mais que a japonesinha seja uma graça, a coreana é apenas o amor da minha vida e a salvação da minha semana. essa menina é um absurdo de tão maravilhosa.

no nosso primeiro dia juntas ela já começou me avisando que não parava de falar. sendo ela uma criança muito sábia, tinha consciência de que já era melhor me avisar logo no começo que ela era tagarela mesmo e eu não podia fazer nada a respeito, apenas aceitar a vida como ela é. e a menina realmente não para de falar nem por um segundo, é impressionante. às vezes fico meio agoniada, porque vai dando a hora do pai dela chegar pra buscar os filhos e ela ainda não terminou as lições, mas nada que um "nina, seu pai vai chegar daqui a cinco minutos!" não resolva ;)

o tanto de risada que eu dou com essa criança não tá escrito! aliás, ela mesma já fala rindo porque sabe que é engraçada, por mais que às vezes eu tente manter a compostura pra ver se com a minha cara de séria ela se convence a parar de graça e voltar a fazer os exercícios. spoiler: nem sempre funciona.  ¯\_(ツ)_/¯

dia desses, enquanto ela fazia as lições em classe, eu tava corrigindo as lições de casa que ela trouxe. de repente senti que tinha algo diferente no ar. quando levantei os olhos do papel, dei de cara com ela a pouquíssimos centímetros de mim, segurando o riso, só esperando eu perceber que ela estava ali. é claro que eu me assustei quando vi e a doida desatou a gargalhar, como se aquela fosse a coisa mais engraçada do mundo. e naquele momento foi mesmo. deu vontade de roubar essa criança pra mim e não devolver nunca mais <3

é incrível o quanto a gente se apega rápido quando a criança é cativante, né? parece que a gente se conhece há tempos, de tanto que eu gosto dela. são cinquenta minutos juntas ensinando, aprendendo e rindo sem parar. é muito mais do que só o inglês. ela me pergunta o significado das palavras que não conhece (esses dias ensinei pra ela o que era uma empadinha e o que significava chamar uma pessoa de abelhuda) e ela me ensina como fala algumas coisas em coreano. eu obviamente não aprendo nada, mas ela se convence de que é uma ótima professora mesmo assim. aliás, a criatividade da menina é tanta que ela me ensinou como se desenha um porquinho sem usar nem lápis nem papel, só descrevendo quais os traços se deve fazer pro porco aparecer. achei genial, porque eu realmente consegui visualizar um porquinho na minha cabeça hahaha

às vezes eu me arrependo um tantinho por ter aceitado esse estágio de auxiliar de professora, é cansativo pra caramba passar a tarde inteirinha corrigindo lição e tirando umas dúvidas absurdas dos alunos que na maioria dos casos nem queriam estar ali. mas aí eu lembro que se não tivesse começado a trabalhar ali eu provavelmente jamais teria conhecido essa pequena maravilhosa e fico mais aliviada. nem sempre eu tô motivada a ir pro trabalho feliz, mas pelo menos de terça e quinta eu tenho um gás a mais, porque sei que a nina vai estar lá pra me proporcionar os melhores momentos da semana.

ela não faz a menor ideia disso, mas sempre que pega na minha mão ou me conta alguma coisa aleatória sobre o dia dela na escola o meu coração fica quentinho, quentinho. :)

sexta-feira, 31 de março de 2017

livrinhos de 2017 - parte I

JANEIRO (3 livros)
 Como mudar uma história de dragão - Cressida Cowell (2007)
melhor livrinho possível pra eu ~abrir os trabalhos~ de 2017! :D eu me dei uns bons 10 dias de folga de leitura entre o último livro que li no ano passado e esse aqui, porque tava querendo descansar a cabeça antes de entrar de novo das leituras, e resolvi começar o ano com algum livro tranquilo e gostosinho, que não me desse muito trabalho. ritmo de férias, né? bom, esse aqui é o quinto livro da série como treinar seu dragão e é facilmente o meu preferido até agora! a história é absurdamente legal, sério, gostei tanto que convenci meu namorado a ler também hahaha que delicinha de livro!!! :)

 As boas mulheres da China - Xinran (2002)
em oposição ao livrinho feliz de antes, esse aqui é tipo uma enxurrada de soco no estômago. o livro traz uma série de relatos sobre diferentes mulheres chinesas e mostra uma realidade tão crua e pesada que, às vezes, eu sentia dificuldade de acreditar que aquilo pudesse ser real. apesar de ser uma leitura muito difícil (cheguei a sentir dor de cabeça em algumas histórias) e de ter uma temática tão complicada, achei que o trabalho dessa autora/jornalista foi muito bonito - ela deu voz a essas mulheres silenciadas e negligenciadas por aquela sociedade machista que enxerga mulher como objeto sexual e moeda de troca. é uma leitura absolutamente necessária, recomendo forte!! ♀

 Anarquistas, graças a Deus - Zélia Gattai (1979)
confesso que peguei esse livro pra ler por causa do nome. não sabia muito o que ia encontrar ali, nem conhecia a zélia, mas sabia que era um livro sobre as memórias da família dela. no início eu tava achando chato e sem graça, não tava vendo muito sentido em continuar a leitura, mas fui me apegando àquelas personagens e à história delas. no fim das contas eu gostei. não é nenhuma leitura incrível não, mas achei que foi um jeito divertido de vivenciar são paulo nas primeiras décadas do século XX. sem contar que a história é narrada do ponto de vista da autora enquanto criança, o que deixa tudo muito mais legal :)



FEVEREIRO (4 livros)
 Fangirl - Rainbow Rowell (2013)
ESSE LIVRO PITA QUE PARIU EU TÔ SEM PALAVRAS!!!!! (tô escrevendo isso aqui imediatamente depois de terminar de ler e tô MUITO empolgada, sério mesmo) fazia muito tempo que eu não pegava um livrinho assim, sem nenhuma pretensão, e me envolvia tanto com a história! eu gostei muito do enredo e tô completamente apaixonada pelas personagens, queria muito mesmo que elas fossem reais. sério, eu queria muito ser amiga dessas pessoas!!!!! hahahha e o romance que tem aí no meio, afffff que coisa linda!! o livro é super leve, tem uma temática incrível, mas também consegue tratar de temas pesados sem perder a leveza. ai, nem sei explicar, só sei que amei completamente e deixo a recomendação do fundo da alma 💝💝 (ok, agora que a empolgação passou voltei pra falar que: o livro é uma delícia sim, mas 1) é romance YA e 2) se você não se identificar com a situação da personagem principal talvez cê não entenda a vibe da história hahaha)

 Estórias abensonhadas - Mia Couto (1994)
essa é uma coletânea de contos. eu não sou das maiores fãs desses livros, então demorei quase o mês todo pra terminar (tenho preguiça de ler vários contos seguidos), mas o mia couto merece um lugarzinho especial no coração da gente porque esse homem é um baita autor! a prosa dele é absurdamente poética, ele usa bastante neologismo pra falar de sentimento, então cê tem que se deixar levar em alguns momentos pra conseguir entrar na narrativa. realmente não é dos meus livros preferidos porque eu não curto muito esse formato, mas se cada um dos contos fosse um romance eu com certeza amaria uma boa parte deles <3 hahaha  

 Os 13 porquês - Jay Asher (2007)
li por indicação de uma amiga (fefa melhor pessoa da minha vida <3) e gostei muito! o livro conta uma história pesada, fala sobre suicídio, mas a estrutura narrativa é super diferente de tudo que eu já tinha lido e eu achei incrível ver a história sendo contada dessa forma. a gente tem 2 pontos de vista na narrativa e uma coisa complementa a outra, é bem ~interessante~ mesmo. e como é aquele tipo de narrativa que vai revelando as informações aos poucos, dá vontade de ler tudo sem parar pra descobrir de uma vez como as coisas aconteceram! AH, vai lançar uma série da netflix inspirada nesse livro ^^ (ou já lançou, não sei direito hahah)

 Persépolis - Marjane Satrapi (2000)
eu tenho uma certa dificuldade com qualquer história em quadrinhos que não seja da turma da mônica (real oficial), então fiquei meio apreensiva antes de começar. mas é impossível não gostar desse livro, eu acho. a história é muito boa, o jeito como ela é contada também é super legal, dá vontade mesmo de continuar lendo sem parar. ainda acho que se fosse em formato de prosa eu obviamente gostaria muito mais, mas ainda assim foi uma leitura bem bacana! ah, minha edição é aquela completa da companhia das letras, com os 4 volumes dos quadrinhos em um só ;)



MARÇO (4 livros e meio)
 Quatro estações - Stephen King (1982)
por muito tempo eu pensei que nunca fosse conseguir ler um livro desse cara, por mais que eu tivesse muita vontade. isso porque eu tenho um pavor absoluto só de pensar em ler histórias de terror, então só de ver a capa das coisas que ele escreve eu já fico meio apavorada hahaha daí meu namorado veio com essa indicação, um livro que une quatro histórias de não terror :D não é o meu livro preferido da vida, tenho algumas ressalvas a fazer em relação a alguns pontos das histórias, mas me serviu como um sinal de que vale MUITO a pena criar coragem pra encarar os romances escritos por ele! gostei muito da escrita do stephen king e já tô me preparando pra outras leituras :)

 Azeitona - Bruno Miranda (2016)
olha, foi uma surpresa e tanto quando eu descobri que esse era um livro de youtuber....... hahahaha eu resolvi ler porque 1) é brasileiro 2) achei a capa legal, mas como sempre eu peguei 100% no escuro, não sabia quem era o autor e muito menos qual era a história. antes de começar a leitura, vi um pessoal falando super mal do livro, pensei em desistir da ideia, mas achei que eu devia dar uma chance mesmo assim. e eu estava erradíssima, porque não consegui chegar até o fim hahah por mais que eu realmente estivesse curiosa pra saber o final da história, o sofrimento de continuar a leitura não tava valendo a pena.. desisti mesmo e até agora não sei como termina ¯\_(ツ)_/¯

 Histórias de Hogwarts: poder, política e poltergeists petulantes - J.K. Rowling (2016)
ok que chamar isso aqui de livro talvez seja um exagero né hahaha tá mais pra uma coleção de textos publicados pelo pottermore sobre algumas coisas do mundo mágico :) não tem nada de extraordinário não, mas como fã eu não poderia deixar de ler esse tipo de coisa. essas informações são tudo que eu sempre quis, pra realmente conseguir entrar um pouco mais nesse universo incrível e me sentir mais familiarizada ainda com as personagens da história. não é um livrinho que eu recomende, porque não tem absolutamente nada d+, mas quem gosta real oficial de harry potter e quer descobrir mais sobre o background das personagens não pode deixar de ler! :)

 O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde (1890)
demorei um pouquinho pra entrar na história e, em alguns momentos, quis tacar o livro longe e não voltar a ler nunca mais ^^ mas no fim das contas eu gostei! tive problemas com as personagens principais e com as opiniões delas (aí levei em consideração a época em que o livro foi escrito e consegui passar por esse sentimento de desconforto), mas é uma história bem ~interessante. esse negócio de romance filosófico não é muito a minha cara, então obviamente esse livrin num conquistou meu coração, mas reconheço o valor dele! hahah

 Assassinato no Expresso do Oriente - Agatha Christie (1933)
agatha christie é agatha christie, né, gente? tudo que eu leio dela é basicamente a mesma coisa: um livro meio bobinho, sem nada de muito maravilhoso, mas que me prende completamente e eu não consigo parar de ler até descobrir finalmente quem foi que cometeu o crime hahaha CSI em forma de livrinho, impossível não amar! ;)




e os resultados parciais desse trimestre são:

 livros terminados 11 x 1 livro abandonado
 literatura brasileira 2 x 10 literatura estrangeira (3 da inglaterra, 1 da china, 3 dos eua, 1 de moçambique, 1 do irã e 1 da irlanda) ((vou melhorar esse número de livros nacionais, prometo!))
 livros lidos no kindle 6 x 6 livros físicos
 autoras mulheres 7 x 5 autores homens
 releituras 0 x 12 livros novos

sexta-feira, 24 de março de 2017

o ano só começa depois do carnaval

março foi um mês meio doido por aqui. tanto é que eu mal dei as caras, né? deixa eu explicar...

depois que meu estágio acabou, no ano passado (falei sobre isso aqui), me dei ao luxo de ficar sem procurar um trabalho novo por uns tempos. fim de semestre né, gente? eu tava lotada de provas e trabalhos enormes pra fazer, então aproveitei que eu não precisava ter pressa pra voltar a trabalhar naquele momento e resolvi esperar o ano virar pra correr atrás de um estágio novo.

todo mundo sabe que a busca por um trabalho é um estresse sem fim, né? a cada entrevista eu sentia mais vontade de mandar as empresas pra casa do chapéu, largar tudo e ir vender minha arte na praia (porém nem arte pra vender eu tenho, então fica complicado). daí que eu consegui um estágio como auxiliar de professor num curso de inglês e aceitei - mesmo que eu tenha falado 837x que não queria de modo algum trabalhar num curso de inglêseu ainda não sei se aceitar esse emprego foi uma ideia boa, mas estamos aí tomando decisões erradas na vida desde 1995 (and counting)!  ¯\_(ツ)_/¯

comecei o estágio novo no dia 01 de março, em plena quarta feira de cinzas. e, pra ajudar, minhas aulas na faculdade voltaram na segunda, dia 06. eu estava em casa desde o dia 20 de dezembro, foram 3 meses de férias fazendo na-da, e de repente voltei  acordar às 5h30 da manhã, pegar dois ônibus, passar várias horas tendo aulas cansativas, pegar metrô, andar a pé, trabalhar sem parar por 6h, pegar mais dois ônibus e chegar em casa de volta às 21h da noite. HAHAHAHAHAHA meu deus do céu que desespero que eu sinto só de pensar nisso!!! mas tudo bem, eu acho que consigo sobreviver sem muitas sequelas (assim espero).

e além de tudo isso ainda tenho que jantar, tomar banho e lavar/secar o cabelo, arrumar minha marmitinha e tentar adiantar alguma coisa da faculdade tudo antes das 23h30, porque depois disso eu já tô tão cansada que já não funciono mais. então é aquela coisa né... eu já tava num período de sentir dificuldade pra vir aqui escrever (vivo tendo umas travas, a essa altura do campeonato já considero normal), imagina agora então que mal tenho tempo - e disposição - pra respirar??? 😑 e a pior parte é que eu passo o tempo todo com vontade de postar, só porque eu "não posso". eita cérebro maravilhoso que gosta de ficar se torturando!

mas é isso aí, gente. março tá sendo uma loucura sem tamanho e, por conta disso, eu tenho um zilhão de histórias pra contar. se a minha força de vontade permitir, vou tentar aparecer por aqui nos fins de semana pelo menos, porque em dia útil eu não consigo nem que eu queira. torçam por mim! (e não desistam da minha pessoinha, please!)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

ousadia, alegria e 4 horas de aventura

por mais tosco que isso soe, essa aqui é SIM uma história de superação. :)

pra quem não sabe, o pico do jaraguá é o ponto mais alto da cidade de são paulo, com 1135 m de altitude. pra minha sorte, ele fica perto da minha casa, num bairro vizinho ao meu, e é o responsável por eu ser tão apaixonada pela vista da minha janela.



sério, olhar pra fora e ver uma coisa dessa todo santo dia é incrível de verdade! essa combinação de céu + cores bonitas + pico é um troço que não dá nem pra explicar de tão bonito. e ao vivo é muito melhor, eu garanto. 

o pico do jaraguá fica num parque enorme, cheio de área verde, que é só colar e aproveitar. tá meio abandonadinho, mas continua sendo um lugar muito legal. quando eu era pequena a gente costumava ir bastante, já fui inclusive com uma excursão da escola no fundamental I, mas depois que cresci nunca mais tinha ido. até que o meu namorado, que tá numa onda fitness sem fim, veio com uma ideia meio curiosa: subir o pico por uma trilha que tem 1.5 km de subida. e nós fomos realmente HAHAHAH

meu boy é ciclista, tá acostumado a subir o pico de bike pela via principal, que é asfaltada e toda cheia de curvas, mas também nunca tinha se aventurado por dentro da mata. e foi uma aventura e tanto pra nós dois! (talvez mais pra mim, é claro, porque ele é atletinha <3) 

já sabendo que meu corpo num tava exatamente preparado pra uma coisa dessa, fui munida de comida e água. e ainda bem que eu fiz isso, porque se não fossem minhas bolachinhas de água e sal eu tinha falecido ali mesmo no meio da trilha em cima da lama hahaha a gente foi de manhã, então o sol não tava tão forte, mas aquele era um dia bem quente de verão. mesmo que a gente tivesse rodeado de árvore e que o sol não pegasse diretamente na gente, o calor e a umidade daquela trilha tavam um absurdo. acho que eu nunca suei tanto na minha vida toda, de verdade hahaha 


durante a subida não tive disposição tempo pra ficar tirando fotos, mas tirei essa bem do finalzinho da trilha pra registrar essa natureza doida e linda que me abrigou por 1h30 :)

eu sou sedentária né, num posso negar, então já sabia desde o início que não seria fácil subir por quase 2 km. e eu obviamente fui reclamando do começo ao fim, porque além de sedentária eu sou reclamona, mas meu namorado é uma pessoa tão incrível e maravilhosa que foi me incentivando por todo o caminho e ainda deu um jeitinho de me distrair pra eu não perceber tanto assim o quão difícil aquilo tava. em alguns momentos a coisa ficava menos íngreme, então era mais fácil de continuar, mas quando a subida inclinava muito eu tinha vontade de chorar.

daí chegamos no finalzinho e minha perna resolveu que tava cansada demais e num ia mais me ajudar não, se eu quisesse continuar subindo eu tinha que me virar de outras formas (sério, foi quase isso hahaha). o problema é que tinham umas escadas no final da trilha. porra, cê já andou pra cacete, já desidratou, já tá pedindo arrego e querendo pular no colo da sua mãe e os cara ainda tem a moral de botar vários degraus pra você subir!!!! achei de um mau gosto sem tamanho, sinceramente. combinei com o boy que ele ia subir na frente, pra me servir de incentivo pra continuar e não ficar sozinha lá pra trás hahaha cheguei no final bem triste de tanta dor na perna, mas esse ser humano que eu tenho a sorte de chamar de namorado me tratou como se eu tivesse sido a campeã da são silvestre. e pra mim foi tipo isso mesmo, eu acho. :)

mas como a gente gosta mesmo é de sofrer, essa foi só a metade da aventura toda. saímos da trilha, tomamos uma água de coco enorme e geladíssima pra recobrar as energias que já tinham se esvaído hahaha e subimos uma escada imensa, com tantos degraus que eu obviamente perdi a conta antes de chegar no final, que dá pra umas torres de televisão e uma espécie de mirante. boatos que dali de cima a vista alcança mais de 50 km de distância, inclusive. 

  
e aí teve a volta, né. o carro ficou estacionado lá embaixo, no nível da rua, e nesse momento a gente tava no ponto mais alto da cidade. descemos a pé pela tal via asfaltada que tem 4.5 km de extensão hahahaha o ditado diz que na descida todo santo ajuda, mas isso não é necessariamente uma verdade depois que você já passou 2 horas subindo sem parar e o seu corpo tá implorando pra você deitar em posição fetal e ficar assim por mais ou menos uns três dias seguidos...

novamente o meu namorado foi a salvação da minha vida e colocou música pra gente ouvir no caminho, fez graça pra eu dar risada, ficou me contando como é fazer aquele trajeto de bicicleta, enfim. um homão da porra mesmo <3 essa brincadeira toda durou boas quatro horas e até hoje eu ainda não acredito que andei tudo isso e continuo com as duas pernas no lugar. entrei no carro agradecendo a todos os deuses existentes pela graça alcançada, pois em alguns momentos duvidei que eu fosse sobreviver hahaha

e é isso. 2017 é o ano da ousadia e alegria por aqui. é o ano de descobrir que a gente pode mais do que imagina e que no fim das contas vale a pena o sacrifício. (mas pra eu ir de novo num rolê desses só se eu tiver muito inspirada, viu? convenhamos...)